Pode vir
— Pode vir. Pode vir.
— Ahhhhhh, nem pensar!!!
— Carol, eu não estou falando que pode vir? Acha que eu vou te deixar cair?
— Você, talvez não. Mas eu não ponho fé neste carinha aqui...
— Já falei que não precisa se desesperar, Carol. Sou professor há vinte anos. Agora, dá meia volta e começa de novo.
— Eu não estou me sentindo bem...
— Tá sim. Você está é com frescura. Volta e começa dali atrás.
— Juro. Acho que estou com câimbra...
— Onde?
— Bem aqui, ó, no meu restinho de coragem.
— Ara, Carol, para de manha e bota esse cavalo pra saltar.
— Mmmm...
— Anda logo!
— ...
— Isso, está vindo bem. Pode vir, pode vir...
— Ahhhh!!! Você subiu o obstáculo!!!
— Ai, que coisa, não faz isso! Você atrapalhou ele! Vai fazer tudo de novo!
— Não posso, professor...
— O que foi agora?
— Tá doendo.
— Onde?
— Na minha capacidade de auto-preservação. É sério.
— Escuta aqui, ô, mocinha. Você não vai embora enquanto não saltar sobre aquele obstáculo ali. Ou vai sair da minha turma e vai voltar pro iniciante. Estamos entendidos?
— ...
— Então vai com o cavalo prali, se prepara e vê se não caga tudo!
— ...
— Ok, vem, pode vir. Abre mais a curva. Tá indo bem, isso, agora é só não atrapalhar o cavalo. Pode vir, tá baixinho, não subi o obstáculo. Isso, vem, vem, vem... Aê, garota! Conseguiu! Viu só, não foi tão difícil, foi?
— ...
— Carol, pelamordedeus, tira essa cara de pânico! Respira, mulher!
— mmm...
— Tá bom, pode chorar. Eu não conto pra ninguém. Uma baita marmanja com medo de quarenta centímetros, faça-me o favor...
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Dani, faço aulas na Sociedade Hípica Paulista. O valor depende de quantas aulas por semana você faz: não é lá muito baratinho, não, mas, para mim, funciona quase como uma terapia!
Égua nada, Nine, era um cavalo, o Niger. E os professores, menina, parece que quanto mais eu avanço nos níveis, mais bravos eles ficam!
Beijos!
Wow, que inveja, Aline! Eu nunca nem passeio perto de um trampolim de mais de cinco centímetros de altura!
Ô se é, Mauricéia, ô se é... O duro é saber o que é "atrapalhar" para um bicho que já está tendo de saltar um obstáculo com cinquenta quilos nas costas, né?
Pensando bem, pobre cavalinho mesmo, Emilio...
Obrigada, Renivaldo!
Nossa que coragem,bjs
Hahahaha, o "nossa mãe" foi muito estimulante, Ana!
Que sarro esse desabafo seu!
Agora consigo imaginar tua cara de pavor.
"Prazerzãããão" te conhecer!
Beijos
Também adorei te conhecer pessoalmente, Tita!
De choque?
De choque, só quando caio. Aiai...
Aposto q esse seu "novo" prof é aquele mó bravo, general, sargento, tenente, capitão... sei lá.
Alguma patente dessas.
Acertei?
Ele precisa de terapia!
Hehe, você está falando do Coronel, Lilica, mas só fiz uma aula com ele. Não sei se sobreviveria para contar...









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