Arrastando a asa
Pela manhã, fui pegar a escova de dentes e quase o amasso entre os dedos: explorando as cerdas aprovadas pelos dentistas, um bicharoco preto com duas pequenas antenas e um par de asas transparentes passeava na maior curiosidade. Parecia uma formiga — ao menos uma que tomou Biotônico Fontoura desde que era uma rosada pupa. Olhei mais de perto e vi que andava arrastando uma das asas. É, meu caro, é nisso que dá abusar dos esportes aéreos. Peguei um papel, fiz o bicho escalá-lo, desci as escadas — uma queda do quinto andar teria sido fatal com aquelas condições de vôo —, botei-o na planta mais simpática que encontrei e me despedi com votos de melhoras.
À noite, entro no banheiro e qual não é minha surpresa quando dei de cara com mais um amigo alado. “Deve ter um ninho por aqui”, pensei, enquanto me preparava para mais uma expedição ao térreo, mas foi só me abaixar para recolher o visitante que reparei na asa. O formigão arrastava a asa. A MESMA asa. Do lado esquerdo.
Agora me diz: comquipode uma coisa dessas? Ok, tenho um gabinete de banheiro até jeitoso, mas é duro acreditar que o bicho escalou cinco andares só para viver no debaixo da minha pia. Ou seria uma família de bicharocos mutantes, com uma deformação genética na asa esquerda? Vai ver, aquele era o parceiro da fêmea que eu tinha acabado de condenar ao exílio verde. Como um Romeu de seis pernas. Pobre Julieta, solitária entre as plantas do hall de entrada...
Reuni os dois formigões — ou acho que o fiz, porque é claro que o primeiro visitante já não estava mais no mesmo lugar. Não importa, o amor vence montanhas. Deus queira que os dois não escolham passar a lua-de-mel no meu banheiro.
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PS. as homenageadas da ID ficaram mesmo,mas elas ja sabem do meu amor imenso por elas.
Putz, Nine, nem tinha me dado conta de que virou uma fábula urbana, né? Estou torcendo apenas para que eles não resolvam procriar no meu banheiro!!!
Meu caso de amor é com a gataria, mesmo. Não tem uma gata do bairro que não vem dar uns bordejos pelos meus muros para dar uma olhada nos meus tigrões.
Pena que é viagem perdida, porque os machos lá em casa (os gatos, viu, os gatos!) são todos ocastrados.
Beijocas
Ô, dó! Os de casa também são, mas as gatinhas do prédio nem arriscam um passeio pelo hall. Então, ficam todos calminhos, calminhos...
Maravilhoso este seu blog.
Um guindaste para o imaginário.
Beijos e conforme-se: estarei por aqui dia sim e oito também.
Uia, gostei disso de "um guindaste para o imaginário"! Seja bem-vinda por aqui, entra, senta, fica à vontade... Aceita um cafezinho?
Antigamente.
Ah, sussa!
Ei! Nãnãninãnocas! Nada de formigas no meu banheiro! Já bastam Romeu e Julieta, não quero a família toda morando debaixo da minha pia, não!
Primeira vez aqui comentando. Adorei o texto, mas para mim, esse aí tá é arrastando a asinha pra você. rs..
Beijos.
P.S.: diz pra Lua que ela é uma gata. (/xavequeiro mode on)
Hahahaha, era só o que me faltava ser mensageira de paqueras felinas!
Acho que é um formigão macho que ficou gamado em vc, hein?
Ai, Má, tomara que não! Sou alérgia a formigas, nosso amor seria impossível!
Bjs
Solidariedade ou falta completa de noção, como bem deve ter pensado um dos porteiros quando me viu acocorada no jardim do prédio, colocando a formiga, delicadamente, numa folha...
Lá em casa só aparece perereca e só quando chove.
Bjs.
Hahahahaha, será que eu deveria ter beijado a formiga?!?
Igual a mim, Renivaldo? Baixinha e louca? Teeeeeem certeza?
Beijokas!
PS: não sou que q assino Má na Voadeira não!
Mas que legal isso, Mauricéia! Vou já lá ver! Superobrigada! PS: Já achei a Má de lá, Mauricéia, valeu!
Adorei a fábula.
Bj
Hahahaha, super higiênica!
Nãããããão! Finalmente deu sossego. Espero que tenha achado sua cara metade e esteja muito feliz vivendo no jardim...
Contando que eles não venham com suas primas baratas, hehehehe... O problema de um inseto tão chamativo ficar em casa, Ricardo, é que ele viraria lanche dos meus gatos. Acho que ele está muito mais feliz lá embaixo, no jardim, não acha?
Aqui em casa é mato. Uma vez fiquei mais de uma hora tentando me livrar de um maribomdo-cavalo q arrastava uma aranha caranguejeira e queria devorá-la em meu quarto. Mas dei uma de São Francisco e levei os dois para outro lugar seguro.
Abraços
Marimbondo-cavalo? Santodeus! Ainda bem que por aqui, nem abelha-pônei dá as caras...








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