O canteiro
Eu o vi logo que estacionei o carro. Andava naquele trote saltitante dos cachorros vagabundos, parando aqui e ali em busca de um cheiro familiar. Senti um aperto no peito quando o vi atravessar a rua, despreocupado, o pêlo amarelo e duro brilhando sob o sol. Dois carros frearam e uma moto conseguiu desviar bem a tempo.
Do outro lado da calçada, eu assistia impotente ao prenúncio de uma tragédia, me perguntando como um cachorro sairia com vida do canteiro da Marginal Pinheiros. Alheio ao meu desespero, ele seguia andando. Cheirou um monte de grama recém-cortada, enfiou o focinho numa latinha de refrigerante, deu uma mijadinha numa árvore. Diminuiu o passo, se sentou e deu uma boa coçada no pescoço. Resfolegava, um palmo de língua rosada pendendo para fora da boca.
Depois, voltou a trotar e foi sumindo da minha vista, até desaparecer entre os arbustos.
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Tão triste, né? Fiquei com a imagem do cachorro na cabeça o dia todo...
Mas como era um cachorro...
(final da provocação)
Hehehe, mas acho difícil, mesmo que fosse um gatinho, Nelson. Qualquer criatura com bom senso sabe que não dá para atravessar a Marginal, ir até o canteiro central e voltar. Ao menos, não às 9h de uma sexta-feira... Foi duro trabalhar naquele dia.
Além da companhia, acho que, para um sem-teto, ter um cachorro é uma chance de ser importante para alguém. A despeito de esse alguém viver faminto e mau-tratado, os cães parecem gostar de fazer parte da "família". Vejo dezenas deles caminhando ao lado de homens puxando carroças. Raramente têm coleira.
Nem me fale, Emilio. Nem me fale...
Beijoca.
Pois é, Aline... Quando fui fazer uma matéria no Carandiru, vi que vários presos alimentavam pombos e gatos. Assim como acontece com os sem-tetos, os bichos parecem trazer um pouco de dignidade aos que vivem à margem da sociedade. Mais uma prova do bem que um animalzinho é capaz de nos fazer.
Duas, Marília. Mas gosto de imaginar que o cachorro está vivo e feliz, saltitando em um lugar menos perigoso.
No caso da Marginal pode telefonar pra Zoonose de SP - 2224 5553 e solicitar providências. Nas rodovias tem a Viaoeste que providencia remoção: 0800 701 5555.
Abs
Obrigada pelas dicas, Ana!
O mais lindo é a sua descrição. Sempre vejo pela rua coisas que me deixam pensando o dia todo, mas talvez não conseguiria colocar pra fora de um jeito tão bonito!
Adoro o blog laranjinha!
Beijos
Ai, que gostoso saber disso, Tita! O laranjinha ficou todo, todo...
Depois de ter adotado a Pipoca como filha mesmo, sempre sinto aperto no S2 quando vejo um cachorro na rua.
Tenho sonho de ter um sítio, chácara, ou coisa e tal, para poder levar todos esses bebês q são solitários para este lugar.
Ainda realizarei meu sonho.
Que lindo, Lilica! Vou torcer para que você realize seu sonho!
Rsrrss
Eu sabia...








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