Vagas abertas
“Admite-se moças maiores e ambiciosas.” É impressionante o que a gente encontra nos chamados Classificados Alternativos. Se você for jeitosinha, tiver mais de 18 anos e muita, digamos, energia, há um vasto nicho a ser penetrado.
Os anúncios em classificados costumam ter aquele tom ambíguo que qualquer negócio pouco lícito tem, onde expressões como “casa noturna”, “só massagem” ou “garçonetes animadas” ganham outras interpretações. Mas, quando é preciso, os textos são bem específicos: “não precisa ser linda”, adianta o anúncio de uma casa noturna no Carrão, “ótima retirada diária, café-da-manhã, almoço e jantar gratuitos, moradia, horário a combinar”.
“Temos orientadoras para ensinar a trabalhar”, avisa outra empresa, que oferece até cabeleireiro para as moçoilas. Fico imaginando como deve ser esse acompanhamento didático. “Preciso de um voluntário para mostrar à Josefina as cinco fases do coito, método Sade, página 69 do livro”? Vai ver, a pupila é avaliada no meio do ato. Será que gritar “oh, my God” soma pontos no currículo?
Outra casa se gaba de ter “ambiente aquecido”, “clientela sênior” e “orientadoras de sala”. E eu achando que essa aula de hidroginástica era um puteiro... Eu e minha mente suja, tsk, tsk...
A fuga
— Segura! Segura!
Um vendedor esbaforido corria pelos corredores do Shopping Villa-Lobos, examinando rapidamente o interior de cada loja por onde passava. Uma senhora e três moleques o seguiam, a expressão de susto ainda estampada na cara. Atrás deles, uma vendedora descabelada, com cara de quem está prestes a ser demitida.
Outros vendedores foram surgindo nas portas das lojas, curiosos com o escarcéu nos corredores. Precisei só de alguns segundos para descobrir o motivo da súbita correria: de dentro de uma das lojas surgiu um filhote de golden, a pleno galope, segurando na boca sua própria coleira.
Sempre achei que shoppings não são lugar para cachorros. Eles escorregam no piso encerado, se irritam com o barulho e o aromatizante dos corredores e não têm absolutamente nada para cheirar, cavar ou destruir. Não bastasse isso, os donos caem na tentação de transformar seus bichos de estimação em vitrines ambulantes: é um tal de cachorro de roupa, de lenço, de sapato e — acredite, isso existe — de fralda.
Pior do que cachorro em shopping é cachorro em pet shop de shopping. No Villa-Lobos tem um, mínimo, que abriga desde pequenas crias de yorkshire até gigantescos filhotes (!) de bernesse, labrador ou golden. Impossível um lugar ser mais anti-cão do que aquele: a loja vive entupida, os animais mal podem se mexer e, quando ganham um minuto de liberdade fora das gaiolas, ficam presos em coleiras, com quarenta mãos querendo lhes fazer carinho. Não à toa eles vivem entediados.
O golden fugitivo driblou um casal, passou ao lado de uma senhora e quase foi pego pelo vendedor do pet shop, mas deu um giro engraçado sobre as patas de trás e sumiu de vista. Nunca vi um cachorro tão feliz.
Os ganhadores do Post Laranja 2
Nine, Lucia, Diego, Ana Rosa, Ana Amélia, Amanda, Marina, Tita, Karina e Ana são os ganhadores do Post Laranja - 2a. Edição. Metade achou o post poucas horas depois de eu tê-lo escrito. Nem minhas manobras para escondê-lo em vários lugares conseguiram impedir esses leitores de encontrar o laranjinha!
E eu aqui, me sentindo a pessoa mais má do mundo, hunft! Prometo que o próximo não vai ser moleza, não! Me aguarde! Minha vingança sarámaligna!
PS: Quer ver onde o tal do Post Laranja - 2 se escondeu? A última morada foi aqui.
O Post Laranja - 2a. Edição
Está no ar a segunda edição do Post Laranja, a promoção cultural do Guindaste. Desta vez, há mais brindes, mais kits e... mais dificuldades!
A base é a mesma da primeira edição: vou esconder um post entre os textos já publicados aqui no blog. Quem achar o Post Laranja 2 primeiro precisa deixar um comentário nele escolhendo um dos dez kits descritos abaixo. E, como eu não vou mesmo pro céu, vou mudar o post premiado de lugar todos os dias. Nem adianta passar cola pro amigo — o Post Laranja 2 não estará no mesmo lugar!
Tá bom, tá bom, eu vou ajudar (senão, não ganho nada do Papai Noel no fim do ano!). A partir de amanhã, vou colocar aqui uma dica por dia. Agora, é com você. Boa sorte!
KIT 1
CD Africa, Putumayo
Caixinha de Madeira, ed. Altana
Sai Pra Lá!, ed. Larousse*
Xangô, o Trovão, ed. Companhia das Letrinhas
Gabriel, ed. Brinque-Book*
Filha, ed. Globo*
Aguemon, ed. Martins Fontes
Calendário das Pin-Ups do Genésio
KIT 2
CD Music From The Coffe Lands, Putumayo
Coleção Bichos Brasileiros – Insetos e Companhia, ed. Globo*
Coleção Bichos Brasileiros – Mamíferos, ed. Globo*
Coleção Bichos Brasileiros – Peixes, ed. Globo*
Coleção Bichos Brasileiros – Aves, ed. Globo*
Coleção Bichos Brasileiros – Anfíbios e Répteis, ed. Globo*
Pingüim surpresa de papel machê*
Sacola Retornável Ecoblogs
KIT 3
CD Celtic Crossroads, Putumayo
O Mundo é o Que Você Come, ed. Nova Fronteira*
A Baleia Corcunda, ed. Biruta
Você Sabia? – Preservação e Meio Ambiente, ed. Globo*
Vitória da Preguiça, ed. Ática
O Violinista, ed. Brinque-Book
Colônia para Cães e Gatos, Kelco*
Calendário das Pin-Ups do Genésio
KIT 4
CD Dreamland World Lullabies & Soothing Songs, Putumayo
Vô, Eu Sei Domar Abelhas, ed. Brinque-Book*
Histórias de Contar, ed. Globo*
Na Minha Escola Todo Mundo É Igual, ed. Cortez
Pôr-do-Sol e Pão de Queijo, ed. Studio Nobel
Bichos que Existem & Bichos que Não Existem, ed. Cosac & Naify
Essência Floral Brasileira, Ansioflor*
Sacola Retornável Ecoblogs
KIT 5
CD World Reggae, Putumayo
Moncho e a Mancha, ed. Callis*
Ifá, o Adivinho, ed. Companhia das Letrinhas
Filho, ed. Globo*
O Menino e o Cachorro, ed. Manati*
João Boboca ou João Sabido?, ed. Brinque-Book
Leave In Noturno Terapy, Lunna Hair*
Calendário das Pin-Ups do Genésio
KIT 6
CD Caribbean Party, Putumayo
Di-Versos Alemães, ed. Scipione
Os Príncipes do Destino, ed. Cosac & Naify
Princesas Esquecidas e Desconhecidas, ed. Salamandra*
Brincadeira de Sombra, ed. Global
Diário da Julieta, ed. Globo*
Kit Floral de imãs de geladeira*
Sacola Retornável Ecoblogs
KIT 7
CD Islands, Putumayo
Zero, ed. Cia das Letras*
A Cidade, os Erres e as Rosquinhas de Coco, ed. Studio Nobel
Tudo É Possível, Unisanta*
Sítio do Picapau Amarelo - Contos de Fadas, ed. Globo*
Sobre o Telhado das Árvores, ed. Globo*
Calcinha das Malditas*
Calendário das Pin-Ups do Genésio
KIT 8
CD Cairo to Casablanca, Putumayo
Papai!, ed. Cosac Naify*
Sete Histórias para Contar, ed. Salamandra*
Histórias da Carolina, ed. Globo*
Um Pavão no Telhado, ed. Brinque-Book
O Tempo Perguntou Pro Tempo, ed. Paulinas
Camiseta das Malditas*
Sacola Retornável Ecoblogs
KIT 9
CD Afro-Portuguese Odyssey, Putumayo
Um Pequeno Caso de Amor, ed. Cortez
O Dia em Que a Pracinha Sumiu, ed. Cosac & Naify
Verso e Reverso, ed. Brinque-Book*
Você Sabia? – Festas de Fim de Ano e Páscoa, ed. Globo*
Mamãe Nunca me Contou, ed. Ática
Sandália no. 36, Havaianas*
Sacola Retornável Ecoblogs
KIT 10
CD African Playground, Putumayo
Histórias com Poesia, Alguns Bichos & Cia., ed. 34
Cartas – Antônio Vieira vol. 1, ed. Globo*
No Coração e na Bolsa, ed. Brinque-Book*
O Rei Bigodeira e sua Banheira, ed. Ática
Thapa Kunturi, ed. Companhia das Letrinhas*
Camiseta das Malditas*
Sacola Retornável Ecoblogs
*Lançamentos
Valendo!
Dica 1: Nenhum desses links é do Post Laranja 2.
Dica 2: Apesar do nome, o Post Laranja 2 não é laranja. Ganhou esse nome em homenagem à cor do Guindaste.
Dica 3: O Post Laranja 2 não está em 2008.
Dez ilustradores geniais de livros infantis
Quem disse que livro infantil não é obra de arte nunca se encantou com as cores vibrantes de Kveta Pacovská, a delicadeza das aquarelas de Odilon Moraes ou o simbolismo boschiniano de Olga Dujina e Andrej Dugin. Aqui vão algumas de suas mais belas imagens, em obras que só crianças — e crianças crescidas como eu — conhecem.
Nelson Cruz
Ele é um dos poucos artistas plásticos que transita com facilidade entre as literaturas infantil e adulta. Quando ilustra para crianças, esse mineiro consegue remover a malícia de seus personagens sem perder seu estilo. É um mestre no jogo de luz e sombra, como se vê nesta imagem de Moby Dick.
Gonzalo Cárcamo
Tudo é insinuante e sutil no trabalho desse aquarelista chileno que escolheu o Brasil como morada. Esta ilustração foi retirada de Thapa Kunturi, livro que lhe rendeu o prêmio de melhor ilustrador no último salão da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil de 2008.
Kveta Pacovská
As ilustrações dessa tcheca têm cores tão impressionantes que as editoras costumam encomendar tintas especiais para publicar os livros dela. Em literatura infantil, ela já ganhou tudo quando é prêmio importante. Os menos importantes também. Alô, editoras brasileiras: estão esperando o quê para trazer a velhinha pro Brasil?
Lisbeth Zwerger
Outra representante do time de ilustradores com nome complicado, essa austríaca empresta elegância e leveza a todos os seus trabalhos. As faces rubras e o cuidado com as estampas dos tecidos são algumas de suas marcas pessoais. Repare como vão se diluindo as estampas da menina na água. A imagem abaixo, do livro The Strange Child, foi retirada do importado The Art of Lisbeth Zwerger.
Mariana Massarani
Suas menininhas ruivas estão por toda parte: na fachada de uma loja de brinquedos na Vila Madalena, na propaganda de um suco natural e, é claro, nos livros infantis. Ruiva, surfista e zen, essa carioca consegue representar com suas ilustrações a alma das crianças: divertida, descontraída, simples. Esta ilustração faz parte do consagrado Mania de Explicação.
Odilon Moraes
Antes de ser um grande aquarelista, o paulista é uma das mentes mais transgressoras no mercado editorial brasileiro. Tabu não é com ele: já publicou um livro todo preto e branco, outro com ilustrações que parecem rascunhos, histórias tristes, personagens sem feições definidas ou com delicadas expressões (caso desta lua doente de Por Que o Céu Chora). Fique de olho em Rosa, que ele deve lançar pela Cosac Naify ainda neste ano. É uma pérola.
Olga Dujina e Andrej Dugin
Moscas de armadura, elefantes do tamanho de gatinhos, castelos construídos sobre o dorso de vacas, lampiões com cabeças dentro, lesmas que são prolongamentos de folhas, galhos e brotos. Tudo isso é possível no universo surreal desses dois russos malucos. Dê uma olhada nesta imagem de O Alfaiate Valente e ache por conta própria os elementos bizarros. Impossível não lembrar das pinturas dos renascentistas Hieronymus Bosch (1450-1516) ou Pieter Bruegel (1525-1569).
Rébecca Dautremer
Foi uma dureza selecionar apenas uma imagem para representar o trabalho dessa graciosa francesa. Esta princesinha (de Princesas Esquecidas ou Desconhecidas) é um ótimo exemplo do bom uso de texturas, luzes, sombras e composições. Dá vontade de chafurdar na banheira também, não?
Roger Mello
Eis outro desbravador da literatura infantil. Seus projetos sofisticados — Zôo é o mais recente, com texto de Guimarães Rosa — são tão múltiplos quanto seu traço. É como se, a cada livro, surgisse um novo Roger Mello, com escolhas visuais completamente distintas das que optou antes. Este Roger Mello abaixo é o de Griso, O Unicórnio.
Wolf Erlbruch
Desde que o conheci pela primeira vez, nas páginas de A Senhora Méier e o Melro, nunca mais me esqueci desse alemão que parece brincar com as formas. A imagem da mulher que redescobre a vida após encontrar um pequeno corvo no jardim é tão tocante que não tive dúvidas para colocá-la aqui. Para alegria de seus fãs, Cosac Naify e Companhia das Letrinhas vêm publicando os livros dele no Brasil.
Dez juvenis para qualquer idade
Continuando a série, aqui vão dez juvenis que também merecem ser lidos por quem tem mais de 15 anos. As sagas de Harry Potter e O Senhor dos Anéis poderiam constar da lista? Hmmm, ok, poderiam. Mas eles não são novidade para ninguém. Achei melhor me concentrar em títulos que sejam menos conhecidos de pessoas que não tenham adolescentes por perto. Aqui vão eles.
Corda Bamba
Lygia Bojunga, ed. Casa Lygia Bojunga
Que venham Ruths, Anas Marias, Ziraldos e outros alicerces da literatura juvenil: estou com a Lygia e não abro. Este aqui tem o tom intimista e a trama psicológica que são suas impressões digitais.
O Dom de Gabriel
Hanif Kureishi, ed. Companhia das Letras
Este é para os pais da contracultura se esbaldarem. Divertido e despretensioso, vale uma leitura num dia ensolarado, debaixo de uma boa árvore.
Figurinha Carimbada
Márcio Araújo, Ed. Girafinha
Escrito por um diretor de teatro, é sua estréia na literatura juvenil. Seis garotos são apresentados em histórias que, aos poucos, vão se entrelaçando. Perfeito para virar peça logo, logo.
O Estranho Caso do Cachorro Morto
Mark Haddon, ed. Record
Tem tudo o que um bom livro precisa ter dentro dos parâmetros guindásticos: um personagem freak, um ponto de partida bizarro e um texto psicodélico. Amo muito tudo isso.
Greve de Vida
Amélie Couture, ed. Companhia das Letrinhas
Este é dos altamente-choráveis. Conta a história de uma garotinha que acaba de perder a avó e vive com os pais que estão sempre brigando. Tocante.
A Garota das Laranjas
Jostein Gaarder, ed. Companhia das Letras
Adoro o Gaarder e tenho quase tudo o que ele publicou depois da chatice monumental que é o Maya. Este é um dos melhores e menos conhecidos textos dele.
Uma Aventura Misteriosa Contada a Dois Ouvintes Atentos
Maria José Silveira, ed. Girafinha
Barato e sucinto, este pequeno livro é um grande achado. Traz suspense, fantasia, aventura, inteligência e humor na medida para encantar leitores de várias idades.
Luna Clara, Apolo Onze
Adriana Falcão, ed. Salamandra
Ela já havia feito um escarcéu depois de sua estréia na literatura com o ótimo Mania de Explicação. Aí, resolveu arriscar um pouco mais — fez um livro groooosso, quase sem “desenhinhos” e cheio de maluquices. Resultado: virou um clássico absoluto. Se o dinheiro estiver apertado para comprar a lista inteira, aposte tudo nesta obra-prima.
Slam
Nick Hornby, ed. Rocco
Esqueça tudo o que você já leu sobre romances juvenis, skatistas e outras cretinices. Sam é o adolescente estúpido mais cativante que já conheci. Tipo, é claro que não conheci muitos adolescentes estúpidos cativantes, mas... Bem, você entendeu a parada, né? (Ah, é do mesmo autor do mundialmente famoso Alta Fidelidade. É, o cara das listas, ele mesmo.)
A Vida de Pi
Yann Martel, ed. Rocco
Endividado, o pai de Pi Patel resolve vender todos os animais de seu zoológico e se mudar com a família da Índia para os Estados Unidos. Quando o jovem acorda, está num bote salva-vidas com incomuns companheiros de naufrágio: uma hiena, um orangotango, uma zebra com a perna machucada e um tigre de bengala. Eu rezo todas as noites por um mote assim, santodeus!
PS: Sábado, os dez ilustradores infantis que você não pode perder. E semana que vem tem nova promoção do Post Laranja!
Dez infantis para qualquer idade
Quanto mais o mercado editorial se sofistica, mas sem sentido fica a classificação dos livros em “infantis” ou “juvenis”. Aproveitando a semana da Bienal, aqui vão dez ótimas leituras para crianças e adultos.
A Árvore Generosa
Shel Silverstein, ed. Cosac Naify
Linda história sobre o amor de uma árvore por um menino. O traço simples do autor — um artista plástico bem premiado — dá um tom leve e divertido à trama cheia de lirismo.
The Arrival
Shaun Tan, ed. Arthur A. Levine Books
Não, você não leu errado: eu estou MESMO indicando um livro em inglês. Mas só o título precisa de tradução, uma vez que se trata de um livro-conceito, sem palavras. É um dos trabalhos mais belos que já vi na literatura infantil.
O Homem que Amava Caixas
Stephen Michael King, ed. Brinque-Book
Outra obra premiadíssima, trata da história de um pai que não consegue dizer para seu filho o quanto o ama. Então, resolve fazê-lo de uma maneira bem incomum.
Livro das Perguntas
Pablo Neruda e Isidro Ferrer, ed. Cosac Naify
Qualquer coisa que eu diga vai ser redundância do que já escrevi. É dos poucos infantis que eu recomendaria muito mais para adultos do que para crianças. Se bem que elas andam tão espertinhas hoje em dia, né?
O Matador
Wander Piroli, ed. Leitura
Ótima iniciação para quem não conhece o texto deste ótimo mineiro, que rompeu barreiras na literatura infantil. Difícil qualquer um que tenha subido em árvores não se identificar com o doído personagem principal.
Modelo Vivo, Natureza Morta
Gonzalo Cárcamo, Ed. Paulus
Também sem palavras, é meu livro preferido desse brilhante aquarelista. Adoro a história paralela que se desenrola na lateral das páginas. É para deixar irritados pequenos e grandes militantes da natureza.
Olivia
Ian Falconer, ed. Globo
Só Deus sabe porque a editora ainda não publicou os outros números da série, que só cresce nos Estados Unidos. Lá, a hilária porquinha é tema de calendários, cartões e outros acessórios colecionáveis.
O Pequeno Nicolau
Sempé e Goscinny, ed. Martins Fontes
Um clássico com a leveza que só os franceses têm. Eu amo a naturalidade que Goscinny consegue dar às falas das crianças. E o que dizer dos desenhos de Sempé? Leia toda a série.
Princesas Esquecidas ou Desconhecidas
Philippe Lechermeier e Rébecca Dautremer, ed. Salamandra
Dificilmente um livro infantil consegue aliar um texto criativo e inteligente com ilustrações sofisticadas e graciosas. Ainda que o texto não seja mérito dela, Rébecca é O Cara. Dá vontade de arrancar as páginas e emoldurá-las.
A Senhora Méier e o Melro
Wolf Erlbruch, ed. Companhia das Letrinhas
A cena da Senhora Méier sentada sobre um galho, tentando ensinar o filhote de melro a voar tem um lugar especial na minha memória. Se gostar, compre tudo o que encontrar pela frente do Wolf. Não à toa ele ganhou o Oscar de ilustração infantil.
PS: Ainda esta semana, os dez juvenis para qualquer idade e os dez ilustradores infantis que você não pode perder.
Calandra
— Ô, Carol... Agora, toda vez que te vejo, me lembro da Calandra. Que nome lindo que você pôs na sua empresa!
— Bacana, né?
— Maravilhoso! Quando eu tiver uma filha, vou chamá-la de Calandra!
— Airton, você não tem a menor idéia do que significa calandra, né?
— Sei não. Parece até meio estrangeiro.
— Ai, Airton...
— O quê? Não posso chamar minha filha de Calandra?
— Só se seu outro filho chamar Xerox!
— Hã?
— Desculpe acabar com seus sonhos...
— Por quê xerox, Carol?
— É que calandra é o nome de uma máquina. A máquina que roda jornais e revistas. Daí o nome da minha empresa, entende? Jornais, jornalista.
— Cê não tá de sacanagem pra cima de mim, não, né?
— Detesto dizer isso, Airton, mas é a mais pura verdade.
— Sério?
— Se bem que tem uma vantagem em ter uma filha chamada Calandra. Se ela começar a chorar, é só tirá-la da tomada. Nada mal, hein?
Apure seus sentidos*
Quem nunca brincou de jogo da memória? Ou gastou horas procurando a chave de casa dentro de uma bolsa cheia? Ou então sentiu o cheirinho de café sendo passado no coador antes mesmo de entrar em casa? Nas brincadeiras ou nas tarefas mais cotidianas, o tempo todo usamos intensamente nossos sentidos. Aqui vão três atividades que ajudam a exercitar a visão, o tato, a audição e a memória. Bom divertimento!
Visão de raio-x
Participantes: Três ou mais.
Instruções: Coloque em uma mesa 50 objetos cotidianos: lápis, abridor de latas, clipes, tesoura, revista, porta-retrato, maçã, boneca...
Valeeeendo! Deixe que todos olhem a mesa por cinco minutos. Depois, ponha os participantes de costas e peça que anotem tudo o que lembrarem.
O vencedor: Cada acerto vale um ponto. Ganha quem somar mais pontos.
Ouvido biônico
Participantes: Um.
Instruções: À noite, deitada na cama, inspire e expire profundamente. Fique assim por uns cinco minutos até sentir que está bem relaxada.
Valeeeendo! Comece pelos barulhos próximos: o tic-tac do relógio, os carros na rua. Com treino, dá para ouvir sons mais distantes, como cachorros e grilos.
O vencedor: Se ouvir passarinhos lá fora, já ganhou!
Mãos de fada
Participantes: Três ou mais.
Instruções: Junte num balde 30 objetos e tampe os olhos dos participantes.
Valeeeendo! Só com as mãos, cada pessoa tem cinco minutos para nomear os objetos que estão no balde. Não pode ir tirando os que ela já reconheceu: a idéia é confundir o tato e o cérebro, misturando informações novas com já reconhecidas.
O vencedor: Ganha quem acertar os nomes do maior número possível de objetos.
* Versão original de reportagem publicada esta semana na revista AnaMaria.
A abobrinha, a visão de raio-x e o nirvana
Da série Coisas Estranhas que Acontecem Quando Você Vira Vegetariana: a) alguém sempre pergunta se você está com o faro mais apurado e b) esse mesmo alguém quer saber se você tem sentindo melhor o gosto dos alimentos. E eu tenho sempre que dizer que não, meus sentidos não mudaram depois que parei de comer carne, nem meu nariz ficou tão bom quanto o de um perdigueiro, nem tenho chegado ao nirvana ao comer uma abobrinha grelhada. A propósito, também não desenvolvi uma visão de raio-x ou a capacidade de atravessar paredes.
O que esperam de um vegetariano? Um super-herói? Um ser com poderes paranormais? Eu parei de comer carne, não de fumar! Adoraria dizer que minha pele ficou mais sedosa ou que agora consigo ver a aura das pessoas, mas — odeio admitir — a única coisa que mudou em mim é bem desagradável.
Se fico mais de três ou quatro horas sem comer, sinto uma dor de cabeça infernal. E não passa com chazinho, auto-massagem, homeopatia ou qualquer outra coisa que combine com não comer carne. Preciso mandar goela abaixo dois comprimidos de Tylenol D para conseguir dormir em paz.
Eu começava a entender a que as pessoas se referem quando dizem que vegetarianos têm cara de doentes quando descobri a razão das constantes marteladas no cérebro. Ferro. Ou melhor, falta de ferro. “Seu corpo deve ter queimado todo o estoque nesses quatro meses”, comentou um amigo, vegetariano de longa data.
Desde então, minhas refeições têm montanhas de feijão, agrião, brócolis, rúcula, espinafre, couve e outras coisas que fariam minha mãe derramar uma lagriminha de orgulho. E não, eu não emagreci com uma dieta dessas. Bem que eu queria.
Papelão
– Você está fuçando na minha lixeira?!?
– Ah, er... oi! Tudo bem?
– O que você está escondendo aí atrás?
– Não é nada... São só uns papéis.
– Que papéis? Ei, essas coisas são minhas!
– Você tinha jogado no lixo. Achei que não ia usar mais...
– Mas é o MEU lixo!
– Desculpe. Eu vi todas essas folhas brancas e não resisti. Tem umas cem, sabia? Dá para todos nós imprimirmos por umas duas semanas...
– Benzinho, sei que você é nova por aqui, então vou te contar uma coisa: a empresa já tem um programa de reciclagem. Não precisa ficar remexendo no lixo dos outros.
– Não precisaria mesmo, se você usasse os dois lados do papel. Ou você não sabia que as folhas só devem ir para a reciclagem depois de totalmente usadas? Puxa, e pensar que você trabalha aqui há tanto tempo...
– Eu não vou ficar usando papel sujo para imprimir documentos!
– Sujo? Eles parecem bem branquinhos.
– Mas já foram usados! Como vou entregar uma folha assim para a chefia?
– Não precisa. Basta colocar ao lado da impressora. Tá vendo aquela pilha ali? Quando precisar imprimir em papel “limpo”, tem outra pilha do lado.
– Eu não fiz faculdade para virar catadora de lixo!
– É por isso que eu estou mexendo na sua lixeira. Mas, se isso for um incômodo, você mesma pode separar os papéis usados e me dar quando tiver bastante.
– Sei. SE eu lembrar, eu faço.
– Tudo bem. Quando você esquecer, eu faço por nós duas.
O canteiro
Eu o vi logo que estacionei o carro. Andava naquele trote saltitante dos cachorros vagabundos, parando aqui e ali em busca de um cheiro familiar. Senti um aperto no peito quando o vi atravessar a rua, despreocupado, o pêlo amarelo e duro brilhando sob o sol. Dois carros frearam e uma moto conseguiu desviar bem a tempo.
Do outro lado da calçada, eu assistia impotente ao prenúncio de uma tragédia, me perguntando como um cachorro sairia com vida do canteiro da Marginal Pinheiros. Alheio ao meu desespero, ele seguia andando. Cheirou um monte de grama recém-cortada, enfiou o focinho numa latinha de refrigerante, deu uma mijadinha numa árvore. Diminuiu o passo, se sentou e deu uma boa coçada no pescoço. Resfolegava, um palmo de língua rosada pendendo para fora da boca.
Depois, voltou a trotar e foi sumindo da minha vista, até desaparecer entre os arbustos.
O chip da desobediência
Mal entrei no elevador, ele começou a apitar de um jeito estridente. As pessoas permaneceram impassíveis enquanto a porta se fechava na cara de um mocinho com uma pilha de papéis nas mãos.
Apertei o botão de “abrir”, no painel, e ainda tentei segurar a porta com o braço, mas, por pouco, o elevador não partiu deixando meu cotovelo do lado de fora. “Não adianta, ele apita quando já passou do tempo que pode ficar aberto”, comentou um senhor ao meu lado.
Bronca de elevador, era só o que me faltava. Já reparou como um monte de porcas, fios e parafusos fica metido à besta quando a gente bota um chip nele? Não bastasse receber uma mensagem mal-criada da Telefônica a cada vez que tento discar para minha mãe – é claro que este número de telefone EXISTE! –, vem um elevador com complexo de superioridade me dizer quanto tempo ele aceita ficar esperando alguém entrar. Francamente.
A desobediência high-tech não tem limites. Meu computador estampa na tela um “você executou uma operação ilegal” quando estou fazendo as coisas mais prosaicas do mundo. Meu celular nem se dá ao luxo de me comunicar seu descontentamento: se eu tento acrescentar um nome à agenda, ele simplesmente apaga outro já existente. Sem a menor cerimônia, deletou uma tal de Carol Costa da lista quando eu coloquei o novo número da minha mãe e... Ei!
A Claro e a Telefônica devem estar de combinação pra cima de mim!
Os muitos porquês
“Por que o professor ensina/ a geografia da morte?” “O que acontece às andorinhas/ que chegam tarde ao colégio?” “Se acabar o amarelo,/ com que vamos fazer o pão?” Estas são algumas das 74 indagações poéticas propostas em O Livro das Perguntas, de Pablo Neruda e Isidro Ferrer.
Publicado originalmente em 1974 (sem as ilustrações), o livro suscitou uma onda de tentativas de responder às perguntas levantadas por Neruda. À época, uma criança espanhola sugeriu que, quando o amarelo acabasse, poderíamos fazer pão “com o azul e a clara do ovo”.
Esta edição, além da boa idéia de propor ilustrações que fazem outras perguntas, traz um último deleite, biografias dos autores e do tradutor, Ferreira Gullar, escritas por crianças. "Pablo Neruda era muito feio. Tinha um nariz que se destacava bastante da cara e por isso não tinha amigos. Para não se entediar, deu para escrever poemas, e escreveu tantos que encheu todos os papéis que tinha em sua casa." E pensar que foi uma garotinha de dez anos quem escreveu isso...
Os ganhadores do Post Laranja
Diego, Ana, Nine Copetti, Ju Lima, Rogério e Karina são os ganhadores dos kits do Post Laranja. Viu só, ele existia mesmo! Não era só uma invenção pérfida da minha mente perturbada. Obrigada a todos que participaram da caça ao texto misterioso, foi muito divertido!
Não achou o post a tempo? Não fique triste: já estou maquinando uma segunda versão do Post Laranja, com brindes mais legais, mais kits e... menos dicas!
Eu não vou pro céu, né?








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