O Post Laranja
Depois desse chá de sumiço, está mais do que na hora de botar o Guindaste em funcionamento. E como todo perdão tem seu preço, guardei uns presentinhos para os seis leitores que encontrarem primeiro o misterioso Post Laranja.
O negócio vai funcionar assim: vou esconder um texto no blog. Para ajudar você a encontrá-lo, vou postar cinco dicas, uma por dia. Os vencedores serão os seis primeiros leitores que deixarem um recado na caixa de comentários do Post Laranja. E dá até para escolher o prêmio que você quer, ó:
Kit A: 50% de desconto em um jantar para duas pessoas no Barão da Itararé durante o mês de agosto e 3 CDs da Putumayo (Paris, Italian Café e French Café)
Kit B: 3 batons hidratantes de O Boticário, 1 camiseta das Malditas, 1 sacola retornável Ecoblogs e 3 CDs da Putumayo (Latin Lounge, Rumba Flamenco e The Caribbean)
Kit C: 1 livro Princesas Esquecidas e Desconhecidas da editora Salamandra, 1 álbum de figurinhas do Kung-Fu Panda e 5 CDs da Putumayo (Caribbean Playground, Sing Along with Putumayo, Latin Playground, World Playground e French Playground)
Kit D: 1 pingüim surpresa de papel machê, 1 colônia para cães e gatos da Kelco, 1 sacola retornável Ecoblogs e 3 CDs da Putumayo (Acoustic Brazil, Turkish Groove e Mali)
Kit E: 1 par de sandálias femininas Ipanema número 36, uma calcinha das Malditas e 3 CDs da Putumayo (North African Groove, One World, Many Cultures e Acoustic Africa)
Kit F: 1 calendário autografado das Pin-Ups do Genésio, 1 camiseta das Malditas, 1 bonequinha das Malditas e 3 CDs da Putumayo (American Folk, Blues Around the World e Global Soul)
Valendo!
Dica 1: Nenhum desses links é do Post Laranja.
Dica 2: Apesar do nome, o Post Laranja não é laranja. Ganhou esse nome em homenagem à cor do Guindaste.
Dica 3: O Post Laranja não está escondido no meio de outro post. Ele é um post único.
Dica 4: O Post Laranja não está entre os posts de 2008.
Dica 5: O Post Laranja é o único, em todo o Guindaste, que pode ser lido em dois sentidos.
Emengarda Letícia
– Ave, Val, o que foi que a Emengarda Letícia te fez?
– Ih, Carol, faz tempo que a gente está se estranhando...
– Mas tinha que expulsar a coitada? Ela é visita, isso não se faz!
– ERA visita. Agora não é mais.
– Quê isso, Val, olha a ignorância...
– Foi ela que começou, Carol. Eu estava quietinha no meu canto quando aquela lazarenta morfética veio pra cima de mim.
– Mas precisava bater com tanta força, Val?
– Pois ela devia erguer as mãos pro céu por eu não ter acabado com a raça dela.
– Eu diria que ela está fazendo isso.
– O quê?
– Erguendo as mãos pro céu. Todas elas. Dá uma olhada no que você fez...
– Eu disse que não gostava dela, Carol. Logo que vim trabalhar aqui eu falei que a gente não ia se dar muito bem. Mas você não me ouviu. Disse que tudo bem, que ela tinha sido despejada da outra casa, que estava traumatizada e tudo.
– Justamente!
– Ah, é? Só que ela viu que era sua protegidinha e começou a trazer a família inteira pra cá. Veio marido, mãe, pai, irmão, uma penca de filho...
– A Emengarda Letícia não tinha onde morar, Val! Você não tem coração? E se fosse com você, você iria gostar se alguém te expulsasse da sua casa, botasse seu marido e sua filha pra fora e ainda quebrasse suas pernas? Ou seus braços, sei lá...
– Carol, pelamor, é só uma aranha!
Buraqueira
Seis, sete, nove, valete, damas e rei de espadas esperavam, pacientemente, na minha mão. O jogo fluía bem, meu parceiro tinha poucas cartas, faltava pouco para batermos. Ozzy e Natália chafurdavam na lama sem nenhum coringa do bem para salvá-los. Rodada após rodada, eu via nossos jogos aumentarem, uma canastrinha suja de paus, outra de copas ali, mas nada de canastra limpa – e, enquanto não aparecesse uma, cheirando a Omo, estávamos proibidos de ganhar.
Passei meia hora de sufoco ao ver nosso morto virar monte e o monte ir minguando, minguando, até sobrar só uma carta. Nem sinal de uma canastra limpa, íamos perder por W.O.! Na cartada derradeira, Ozzy desceu um jogo poderoso, Natália acrescentou mais umas cartas e ele descartou a última carta da rodada. Claro que era meu oito de espadas. Fomos pra repescagem...
Muitos choppes depois, as três mesas eram um tumulto só. Carla e Lello massacravam Nine e sua filha Beta, que se divertiam na primeira rodada de buraco que jogavam na vida. Ao lado, os campeões Marco e Lívia terminavam uma partida disputadíssima com Marília e Rodrigo. Vindo diretamente de Belo Horizonte, Ozzy abandonou a Copa Guindaste de Buraco após uma campanha vitoriosa com Natália.
O placar final ficou assim: Marco e Lívia levaram a taça Guindaste (cheia de massinha de modelar, giz de cera e outras tranqueirinhas de criança), Carla e Lello ficaram em segundo lugar, com ótimos cubos mágicos e tiaras com antenas de pelúcia, eu e Omblogsman ficamos em terceiro lugar (sem direito a brinquedinhos porque, afinal, fomos nós que organizamos a bagaça), Marília e Rodrigo pegaram um glorioso quarto lugar, com direito a dois kits de pega-vareta, Nine e Beta ficaram na lanterninha por abandono de jogo e Ozzy e Natália defenderam a menção honrosa, pelo banho que deram na gente. E ainda voltaram para Minas com divertidos óculos coloridos!
Eu bem que avisei que jogar era só um pretexto...
Pudor
Tenho pudores de escrever posts curtos. Pronto, falei.
Cenas do próximo capítulo
Seis da tarde, no plim-plim: “Frau Herta arma vingança contra Laura”. Às 19h, “Guilherme pede Sônia em namoro, mas ela fica indecisa”. E, no horário nobre, “Cilene acusa Donatela de assassinato”. A concorrência chia, esperneia e faz o que pode. Logo vem a resposta da Record: “Juli confessa que veio de Marte”. Sen-sa-ci-o-nal!
Meu amigo Hermínio é fissurado em novelas. Curiosamente, seus personagens preferidos nunca são o mocinho e a mocinha da trama. “Ah, pára de se lamentar e se joga nos braços dele logo!”, reclama ele com o aparelho de televisão. Hermínio perde a paciência com galãs problemáticos, adolescentes rebeldes e vilões inescrupulosos. Às vezes, me liga dizendo coisas como “você não sabe o que aquela vaca da Céu fez!” ou “sacanagem a Irene ter largado do Copola, né?”. Eu preciso de uns segundos até meu cérebro se lembrar de que não conheço nenhuma Céu, Irene ou Copola.
Fico imaginando a reação do Hermínio se assistisse à novela dos mutantes, da Record. Pessoas voando, chupando sangue ou se transformando em cobras e lobisomens... Pelo menos, eu teria certeza de que ele não está falando de ninguém que eu conheço quando me ligasse para dizer “você viu que absurdo a Janete virar vampira?”.
Macarrone
À noite, é preciso ter um mapa para encontrar o pequeno restaurante de comida marroquina, numa viela obscura do centro da cidade. O lugar mal iluminado cheira a suor e cerveja quente. Há pouca gente nas mesas, um casal briga ao fundo, três motoqueiros bêbados contam piadas e um senhor dorme com a cara grudada no tampo da mesa. Cheio de tatuagens assustadoras, um homem no balcão toma sua cerveja sem tirar os olhos de você. O barman tem cara de tédio profundo. Quando você está prestes a dar meia volta e sair dali o mais rápido que suas pernas conseguirem, sente a mão pesada no ombro. Enquanto se vira lentamente, vê uma serpente enrolada num punhal, uma caveira e uns escritos que não entendeu, mas só podem ser sua sentença de morte. "Copa Guindaste de Buraco? É por ali", diz o brutamontes apontando uma portinha ao fundo. "A senha é Macarrone."
Eu bem que tentei achar um lugar decadente e misterioso o bastante para receber nossa primeira edição da Copa Guindaste de Buraco. Cheguei até a perambular pelo centro, numas ruazinhas com cara de suspeitas, mas a única coisa que encontrei foram animados pubs e alguns emos assustados. Sendo assim, vocês terão que se contentar com o charme, o choppinho gelado, o Cosmopolitan, o ar decô, os bolinhos de carne-seca com abóbora, a caipirinha, o Cosmopolitan e os petiscos e as sobremesas deliciosas do Barão da Itararé. Eu falei do Cosmopolitan? O lugar tem uma receita impecável do drinque das garotas do Sex and the City, nem doce demais, nem vodca de menos.
Hoje, às 19h07, é só chegar ao lugar iluminado à meia luz, na Peixoto Gomide, 155, quase esquina com a Frei Caneca, e procurar a garota de chapéu. Macarrone!
O erro
– Aqui é o almoxarifado?
– É.
– Puxa, que difícil de encontrar! Ninguém sabia me dizer onde ficava...
– É que as pessoas não costumam muito vir aqui. Elas fazem os pedidos por e-mail.
– Hmm, eu sei. Mas eu não tenho e-mail da empresa, nem chapa, nem login, nem o caralhaquatro que vocês querem que conste do pedido.
– Você é funcionária?
– Sou, mas não sou registrada.
– Então, não posso te ajudar. Vou precisar de tudo aquilo para tirar o pedido.
– Nunca imaginei que seria assim tão difícil conseguir um vidrinho de liquid paper...
– De quê?
– Liquid paper.
– ...
– Corretivo? Branquinho?
– Pra quê você quer isso?
– Para apagar uns erros que fiz no layout de uma página da revista. Eu gosto de desenhá-las pessoalmente antes de passar para a diagramação, sabe?
– É pegadinha, né?
– ?
– Pra quê corretivo se você pode dar Control Z e apagar o que fez?
– Quanto anos você tem?
– Dezoito.
– Veja bem, meu jovem padawan. Quando a Galáxia ainda não estava sob o império do Lado Negro da Força, as pessoas usavam uns bastões de madeira para se comunicar por escrito. Elas faziam riscos num negócio chamado fo-lha-de-pa-pel, uma coisa meio rudimentar que nem chip tinha. E, quando erravam algum risco, usavam uma barra de látex para fazer correções. Aí, inventaram um troço de plástico oco que solta tinta, o que foi muito bom para as árvores, mas péssimo para as pessoas, porque não dava para apagar os erros. Então, criaram um líquido branco que, passado sobre o risco, fica da cor do papel e oculta o erro. E você ainda pode escrever por cima da rasura, olha só que coisa mais mudérna! Essa verdadeira inovação recebeu o nome de...
– Tecla delete. Fica no lado direito do seu teclado, bem no alto. Passar bem.
PS: Este post foi escrito em homenagem ao Nelson, que também é fã dessa coisa arcaica chamada lápis.
Amistoso
A 1ª Copa Guindaste de Buraco nem começou e já desperta a cobiça alheia. Os adversários tentaram me deixar fora da disputa com um manjado vírus de gripe, mas não conseguiram. Depois de dois vidros de xarope de guaco, agora nem canastra real me derruba mais!
Boiou? Eu explico: dia 19/7, às 19h07, no Barão da Itararé, vai rolar a 1ª Copa Guindaste de Buraco. A idéia de jerico, surgida nas caixas de comentários e reiterada na comunidade do blog, era reunir eu, tu, eles num encontro sem mouses ou teclados. Manja aquele velho negócio de beber, falar bobagem e jogar um baralhinho? Demorou.
Faça sua dupla e venha participar! Quem está desduplado não precisa se desesperar: na hora a gente junta os avulsos e faz parzinho. Quem quiser participar põe o de-do-a-qui-que-já-vai-feeeeee...
De papo cheio*
Você mora em apartamento e vive de olho nos passarinhos? Adora sabiás, mas morre de pena de vê-los em gaiolas? Oferece quirela de milho e os únicos bicões que aparecem são pombas domésticas? Então, esta reportagem é para você.
“Às vezes, a pessoa está colocando a comida certa para o passarinho errado”, ensina Johan Dalgas Frisch, um dos maiores especialistas em aves do Brasil. “Sabiá, por exemplo, é bicho preguiçoso. Voa baixo, vai só até o segundo andar.”
Frisch acorda com as galinhas só para colocar comida para os pássaros que vivem na praça em frente a sua casa. “Recebo mais de 200 maritacas por dia nesse meu ‘restaurante’ improvisado”, conta. Aprenda com ele a fazer os pássaros virem voando até você.
TÉRREO
Os convidados: Beija-flor, juriti, pardal, pica-pau, rolinha e sabiá-laranjeira.
O cardápio: Mamão, pitanga, amora e jabuticaba são um banquete para esses pássaros. O pica-pau adora abacate. Ofereça também sementes de girassol.
ANDARES BAIXOS
Os convidados: Beija-flor, bem-te-vi, maritaca, sabiá-laranjeira e tico-tico.
O cardápio: Ponha mamão e banana. Se tiver bicho de estimação, atente ao bem-te-vi, que rouba a ração. Deixe a vasilha do seu cão ou gato longe das janelas.
ANDARES ALTOS
Os convidados: Bem-te-vi, maritaca, papagaio, sabiá-do-campo e sanhaço.
O cardápio: Além de banana, mamão e sementes de girassol, dê arroz cozido frio, sem sal, cebola, alho ou óleo. Quanto mais soltinho, mais o bem-te-vi vai gostar.
Barre as pombas domésticas
Não dê miolo de pão nem quirela de milho. Cuidado para confundir a pomba doméstica com as primas asa-branca, juriti e rolinha, que são pombas de classe.
Não assassine seus clientes
A cada três dias, deixe os bebedouros de molho em uma colher de água sanitária diluída em um litro de água. Isso elimina os fungos que podem matar seus clientes.
Deixe as abelhas desbaratinadas
A cada três dias, suspenda a água com açúcar por 24 horas. As abelhas precisam de quatro dias para decorar o caminho da casa delas para a sua.
*Versão sem cortes de reportagem publicada esta semana na revista AnaMaria.
O pecado é doce
Quando era criança, o maior castigo que minha mãe poderia me dar era me deixar sem sobremesa. Bastava a simples menção da palavra “pudim” para que eu irrompesse em lágrimas. Mas essa açucardependência vem de mais cedo ainda: quando comecei a comer papinha, só abria o hangar para doces. Minha mãe espertamente descobriu isso e colocava a pontinha da colher no açúcar, para me fazer engolir aviõezinhos de frango com brócolis.
Vinte e nove anos depois, é bem mais difícil ludibriar meu paladar.
Agora, caio em tentação por sobremesas mais elaboradas do que papinha de carne com goiabada (santodeus, mãe, como você pôde fazer isso com uma criança inofensiva?). E como pecar não é o bastante, aqui vai o mapa para as delícias da cidade:
Trufas Fritas — Casa Europa
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 726, Jardim Paulistano, tel. (11) 3088-3044
Os caras são especialistas em gostosuras redondas: os bombons de mandioquinha servidos de entrada também são uma delícia. Mas as bolinhas mais cobiçadas são as trufas fritas de chocolate, acompanhadas de sorvete de café.
Carolinas de Taperebá — Genial
R. Girassol, 374, Vila Madalena, tel. (11) 3812-7442
Um dos mais famosos doces franceses ganha aqui uma versão brazuca, com sabor do Norte. O taperebá, uma fruta de polpa macia e gosto meio azedinho, combina perfeitamente com as carolinas crocantes e o chocolate morno que vem na calda. Para comer de joelhos.
Brigadeiro com morango — Brigadeiro
R. Padre Carvalho, 91, Pinheiros, tel. (11) 3813-6656
A casinha pequena esconde um balcão de delícias de tirar até monge do regime. O brigadeiro, que dá nome ao lugar, aparece em várias versões, mas não deixe de provar a que vem com um morango e-nor-me dentro. Bendito seja o cara que inventou essa combinação.
Tarte Tatin – Deli Paris
R. Harmonia, 484, Vila Madalena, tel. (11) 3816-5911
Nesta simpática padaria-bistrô, a torta de maçãs tipicamente francesa é uma das sobremesas mais pedidas. Longe daquele exagero de massa das american pies, a tatin é pura fruta e calda caramelizada.
Torrone de Chocolate — Genésio
R. Fidalga, 265, Vila Madalena, tel. (11) 38126252
A solução para a Lei Seca vem na forma de uma fatia de chocolate mole com amêndoas inteiras, acompanhada de uma bola de sorvete de creme e uma irresistível calda com damascos em pedaços. Acaba com a bebedeira em segundos.
Short Cake — Spot
Al. Ministro Rocha Azevedo, 72, Cerqueira Cesar, tel. (11) 3284-6131
É o requinte do exagero: não bastasse ser um mousse de chocolate, vem com chantilly, um biscoito fininho de amêndoas e, claro, calda de chocolate. Uma overdose e tanto, ideal para acabar com a TPM.
Como dois irmãos*
Azur é loiro e tem olhos azuis. Filho de Jeanne, babá de Azur, Asmar é moreno e tem olhos negros. Criados juntos desde bebês, eles aprendem sobre as lendas de um país distante, do outro lado do mar, onde se fala árabe e a Fada dos Dijinns vive presa em uma montanha, à espera do príncipe que a libertará.
Separados na infância, os dois se reencontram já adultos, numa disputa que vai decidir qual deles tem direito à mão da Fada. Inspirado na animação do francês Michel Ocelot (o mesmo do premiado Kiriku e a Feiticeira), Azur & Asmar traz as belas e delicadas imagens que consagraram o filme. Diferentemente das fábulas tradicionais, o livro mostra como bem e mal são apenas dois pontos de vista.
*Versão sem cortes de resenha publicada na revista Nova Escola deste mês.
Blam!
– Me deixa em paz!
Blam. Nhéc.
– Pára já com isso!
– Sai do meu quarto, sua louca!!!
Blam. Nhéc.
– NÃO GRITE COM A SUA MÃE!
– EU GRITO SE EU QUISEEEER!!! EU NÃO TE AGUENTO MAIS!!!
Blam.
É só eu deitar na cama para que minha mente seja tomada por impulsos assassinos. O show começa sempre por volta da meia-noite, e só acaba depois de três portas batidas. É um padrão. Eu contei.
“Eu vou embora dessa casa”, bradou a adolescente, minutos antes da terceira batida de porta. Santodeus, quem está impedindo a menina? Será que ela precisa de ajuda para colocar a trouxinha no cabo de vassoura? Pelo menos, serei mais útil lá em cima do que deitada na cama, tentando, em vão, pegar no sono.
As discussões da síndica (sín-di-ca, comquipode?) com a filha adolescente sempre abordam temas nobres. Sexta passada, os decibéis aumentaram no andar de cima porque a menina não lavou a louça. Nem Monty Python faria melhor:
– Você não lavou a louca!
– E daí?
– E daí o quê?
– E daí que eu não lavei?
– Era pra você lavar!
– Não era!
– Era!
– NÃO ERA!!!
– PÁRE DE GRITAR, NÓS TEMOS VIZINHOS!
Eu costumo me emocionar com essa última frase. Afinal, é sempre bom checar se a platéia está confortável e se consegue acompanhar bem a trama.
Como não vou pro céu, estou estudando uma abordagem direta do caso. Uma opção é chamar cinqüenta amigos e, quando a briga estiver no auge, gritar: “Pula! Pula! Pula!”. Ou escrever “I see death people” numa bexiga com hélio e ir subindo o balão até que ele possa ser visto claramente pelas animadas moradoras do andar de cima.
Já tentei cutucar o teto com uma vassoura, mas o resultado foi que elas aumentaram ainda mais o volume. Faltou só descer uma das duas e me pedir para parar com o barulho porque elas não estavam conseguindo ouvir seus insultos.
BLAM.
PS: Hoje começa a segunda Experiência Bons Fluidos, desta vez, sobre o mundo do circo. Confira a palhaçada por lá!









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