É proibido proibir - 2*
“As pessoas acham que fazer livro para criança é mais fácil e acabam publicando coisas que teriam vergonha de mostrar para um adulto.” A frase, dita pelo premiado aquarelista Odilon Moraes, revela mostra como o mercado editorial infantil anda saturado de livros ruins.
Cansado dos dogmas editoriais – capa branca não pode, personagem tem de estar de frente, capa verde não vende, roxo é cor de menina –, Odilon decidiu investir em trabalhos mais autorais e submetê-los à avaliação somente depois que estivesse satisfeito com o resultado.
Em 2004, cometeu a ousadia de publicar, pela Cosac Naify, Pedro e Lua, um livro completamente preto e branco, com ilustrações que lembram rascunhos. Na capa, apenas um céu estrelado – transgressão coroada por uma dezena de prêmios. “Quando a gente tem de discutir o sexo das cores, é um sinal de que as coisas precisam mudar.”
O ilustrador Ivan Zigg concorda com Odilon. “Muita gente acredita que criança só entende linguagem tatibitati. Depois, os pais reclamam que os filhos não lêem...” Segundo ele, um bom livro ilustrado precisa de um texto que flua e desperte a curiosidade do leitor. “Pode tratar de qualquer coisa, até do cocô que caiu na cabeça da toupeira [referência a Da Pequena Toupeira que Queria Saber Quem Tinha Feito Cocô na Cabeça Dela], mas tem de ser atraente, com uma linguagem que flua. É um erro o pai comprar um livro para o filho só porque gosta de tema”, lamenta.
Como bem lembra Ivan, existe coisa mais transgressora que criança?
*Segunda parte de reportagem publicada este mês na revista Língua Portuguesa. Leia a primeira parte aqui.
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Puxa, pior é que é verdade: minha mãe sempre leu muito para mim. E eu lia para meu irmão, aliás, até hoje gosto de ler em voz alta!








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