É proibido proibir - 1*
Leuconíquio, Noctâmbulo, Pilhério – quem em sã consciência faria um livro para crianças com personagens de nomes tão complicados? Pois a escritora Adriana Falcão não só se atreveu a tal disparate como ainda contou a história do povo de Desatino do Norte e Desatino do Sul em 328 páginas que, exceto por uma ou outra pequena ilustração em preto e branco, estão repletas de letrinhas.
Além de ter um personagem quefalatudojunto, Luna Clara & Apolo Onze propõe um ir e vir no tempo: a narrativa se divide entre vários pontos de vista, às vezes, surge de um lugar para depois reaparecer em outro, isso quando não esconde várias histórias paralelas. Francamente.
Embora todas as editoras neguem, existe um manual não-publicado do que elas consideram um livro infantil bom. Levando-se em consideração que para o mercado editorial “bom” é sinônimo de “que venda como água”, dá para se ter uma idéia de quais os tópicos desse manual: livro infantil tem que ser fino, com pouco texto, cheio de ilustrações coloridas e com uma história simples, fácil de acompanhar – e, mais importante, com final feliz. Nada de fazer criancinhas chorarem. Se conseguir reunir tudo isso e ainda passar alguma lição moral, os pais vão adorar.
A despeito de contrariar todas as recomendações desse manual, Luna Clara & Apolo Onze é um grande sucesso. Publicado, em 2002, pela editora Salamandra, o livro foi elogiado pela crítica especializada e bem recebido pelo público. Ganhou dezenas de prêmios, entre eles o selo de altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), instituição cuja opinião é lei para o mercado – o mesmo que teria execrado a obra se ela tivesse surgido como um original tímido em cima da mesa de algum editor.
*Primeira parte de reportagem publicada este mês na revista Língua Portuguesa. Leia a segunda parte aqui.
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Fino trato
Palco iluminado
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Não declarado, Nine, mas existem várias objeções que as editoras fazem aos autores de livros infantis. Algumas são resultado de observações de marketing (capa branca, por exemplo, suja fácil, os livreiros detestam), outras, são puro preconceito. Vocês vão amar a Adriana Falcão, é uma das minhas autoras de infantis preferida.
Na indústria de quadrinhos tb é assim, tanto os comics americanos quanto os mangás japoneses, a maioria segue uma cartilha, específica de cada gênero (se é mais infantil, pra mulher ou pra garoto, por exemplo).
É verdade, Emilio. Justamente por isso é que eu valorizo quem se arrisca a sair do lugar comum. É um alto preço a pagar, mas vale a pena.
Concordo com vc: fininho, ilustradíssimo e bem engraçado. Até eu gosto.
Abs.
Hehe, mas não é comigo que você concorda,Ana, é com o mercado. Eu adoro livro infantil triste...
Se temos aqui um sucesso de vendas que contraria o "manual", no mínimo, ele deve ser atualizado.
Gostei do tom indignado!
Abraço
Falou e disse, Nelson! (em tom ainda mais indignado...)
Espertos e sábios aqueles que começam dizendo o que os outros desejam ouvir, e num súbito relançe, conseguem fazer os outros pagarem para ouvir o que não querem.
Genial, Tennessee! (Espero que nenhum escritor de auto-ajuda esteja por perto, porque esse mote rende um livro de umas 300 páginas!)
Ah, dá mais uma chance para a Adriana! Você e a Vic vão amar o texto dela!
Êba! Minhas amigas adultas (pois é, eu também faço amizades com maiores de 12 anos) também adoraram!
Só apareci pra comentar comentário. Mais especificamente o comentário do post das idéias:
- Ué, Carol, não podia? Eu juro que imprimi colorido (em casa,viu!) e levei o seu perfil também, para constar os créditos! As meninas daqui acessaram, algumas gostaram, mas grande maioria (nossa, que horror!) achou meio maluco. Mas não liga não, nós aqui adoramos!
Beijocas
Hehe, claro que podia, flor! É que, puxa, é a primeira vez que alguém imprime (IMPRIME, veja só!) algo que eu escrevi! Chique no úrtimo!
Estou desistindo dos humanos.
Eu ainda boto fé neles. São tão legais de vez em quando...
É lindo de morrer...
Fiquei curiosa para ler o outro..
Bjao
Eu é que fiquei curiosa: qual é "o outro" que te deixou curiosa?









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