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Câncer não é mais sentença de morte*

Ele pode surgir de fininho, no dia em que seu filho reclamou de uma dorzinha, quando seu marido se sentiu indisposto ou sua mãe pareceu meio abatida. Com o exame de sangue em mãos, você se prepara para enfrentar algo ruim com aquela sensação vaga de quem não conhece o inimigo. Até que o médico diz a palavra tão temida: câncer.

“Mesmo quando se trata de um câncer altamente curável, o medo de morrer é muito grande. Por isso, é importante que o paciente possa falar sobre o que está realmente sentindo”, sugere o psico-oncologista Ruy Fernando Barboza.

Segundo Ruy, é comum os médicos ou familiares falarem ao doente para ele ser forte ou pensar positivo. Se o paciente de fato se sentir otimista, ótimo. Mas não ajuda em nada pedir força ou esperança se ele se sentir deprimido ou desesperado. “As pessoas precisam aprender a acolher os sentimentos desagradáveis como raiva, revolta, tristeza, mágoa, rancor. E ouvir muito, sem ficar julgando o paciente”, ensina o psicólogo. Acredite: seu carinho e sua dedicação são armas fundamentais na guerra contra o câncer.

Preciso transmitir força e otimismo?
“É muito freqüente o médico pedir que o paciente seja forte porque, assim, ele dá menos trabalho para todo mundo”, afirma Ruy. De fato, o otimismo pode ajudar na cura, mas isso só funciona se você estiver realmente se sentindo assim. Senão, tem o efeito contrário: o paciente vê seu “sacrifício” e se sente ainda pior por não estar feliz e sorridente. Expressar sentimentos reais é saudável para os dois lados.

O que faço se ele não aceitar a quimioterapia?
Se o paciente for adulto, ele tem o direito de recusar o tratamento: em casos terminais, muitas vezes a quimioterapia não serve para nada e a pessoa sofre demais. Mas, na maioria dos casos, o tratamento pode curar ou manter o câncer sobre controle. Procure entender o que está por trás da recusa: pode ser medo de não funcionar, vergonha de ficar sem cabelo e até dificuldade em aceitar ajuda.

Posso chorar na frente do paciente?
Claro! E deixe que o doente chore à vontade. “O pior que pode acontecer é quando o paciente não fala para a família que está triste, a família se faz de forte e cada um vai chorar no banheiro”, aponta Ruy. Uma coisa é ser forte e guerreira, outra é TER que ser forte e guerreira. Ao chorar, o sistema imunológico fica mais forte e entra em harmonia, o que é fundamental tanto para você quanto para o paciente.

O paciente só fala em morte, o que faço?
Proponha um caderno de metas de vida para o corpo, os relacionamentos, o prazer e o trabalho. Estimule metas específicas: ao invés de escrever “pretendo me alimentar melhor”, peça que ela diga se quer comer mais fibras ou tomar mais água, por exemplo. Fazer novos amigos, encontrar pessoas queridas e resolver velhas mágoas são do campo dos relacionamentos. Na área do prazer, ela deve buscar coisas de que gosta, gostava ou gostaria de fazer, como experimentar uma comida nova, viajar, voltar a ir ao cinema. Se quiser ir ao cinema, anote que filme ela quer ver, em que sessão, onde está passando e ajude-a a realizar a meta. No campo do trabalho, ela deve refletir sobre o que faz e se isso lhe traz realização. “Alguns pacientes até mudam de profissão no meio desse processo”, pondera Ruy.

*Trechos de reportagem publicada na revista AnaMaria desta semana.

Categoria: Reportagens

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Comentário de: Luciana Carneiro Email
Noite, Povo!

Assunto meio brabo, né, Carol? Mas precisa mesmo. As dicas são de uma delicadeza insuperável. E é de delicadeza, em doses elefantinas, que essas pessoas precisam de nós nesse momento tão difícil.

Já passei pelo perrengue com uma amiga e só consegui manter o equilíbrio me fazendo de forte e indo chorar no banheiro. Sei desde aquela época que foi errado, mas fazer o que? Mas o serviço voluntário (1 ano de Graac) me ajudou bastante. Mas eu ainda não consigo digerir a notícia quando é uma criança que é a paciente. Haja coragem!

Beijocas a todos.

Criança doente, velhinho pedinte e cachorro molhado sempre me deprimem, Lú. Mas fiquei no maior orgulho em saber que você foi voluntária no Graac! Prometo que volto aos temas mais divertidos a partir do próximo post, tá?
PermalinkPermalink 04.06.08 @ 23:22


Comentário de: Renato Alt Email · http://www.aperteoalt.blogspot.com
Difícil comentar um artigo como esse. Como mais difícil ainda é a natureza daquilo que o inspirou. Daí o grande serviço que presta. Muito bom, Carol. É bom encontrar uma bússola em momentos como esse.

Também achei difícil escrever sobre o tema. Morri de medo de parecer piegas ou melodramático. Mas se servir para dar uma força para quem tem um amigo ou familiar doente, todo o esforço vai ter valido a pena. Obrigada pela gentileza, Renato!
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 01:06


Comentário de: Michel Email · http://supermicheranja.blogspot.com
Quase tudo o que as pessoas "sabem" sobre câncer vem da TV, e é só algum personagem de qualquer filme começar a quimioterapia que você já conta os minutos para ele morrer. Parece algo que não funciona nunca, como o programa de proteção à testemunha. (Imagino que isso deva funcionar, mas não nos filmes; o assassino sempre te acha.)

Sinceramemnte, acho que é mania das pessoas de só divulgar o pior, de achar que seu bairro é violentíssimo, que todo político é corrupto (oh, well...), que todo padre é pedófilo e que câncer é morte certa e não há nada a fazer. Claro que a quimio por si só não é bolinho, mas se você já começa algo esperando o pior, ocasionalmente o pior chega.

Mas peraí: "ofereça papel e canetinhas coloridas para que ele registre seus próprios glóbulos brancos combatendo as células de câncer". Hahaha... como é? =P

Enfim: belo artigo. =*

[Falo na condição de pitaqueiro, nunca tive câncer nas pessoas próximas.]

Hehe, valeu, Michel! O lance de desenhar é uma técnica de que os psico-oncologistas chamam de Visualização. A idéia é estimular o paciente a enxergar o próprio corpo de maneira mais positiva. Tem surtido bons resultados em adultos e crianças.
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 02:06


Comentário de: nine Email
OI Carol concordo com todos os seus leitores acima ...assunto dificil e necessario falar, mas decididamente nao gosto.Ja tivemos 4 casos de cancer na familia:1 mama ,2 peles e 1 tiroide...Sobreviverao todos! graças a Deus e aos médicos,mas é muito" heavy metal "esse assunto. bjs

Já voltei à zoeira de sempre, Nine!
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 09:52


Comentário de: Emilio Email · http://estou-sem.blogspot.com
Se for pra morrer, eu queria morrer de algo mais rápido, um tiro na cabeça por exemplo.

Eu prefiro que isso aconteça de uma maneira menos trágica. Dormindo seria bom.
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 10:54


Comentário de: domi Email
Carol Adorei ter te conhecido!! Super fofa!! ;-) bem q minha mãe fala tanto....

Uia, olha só que coisa boa! Família reunida no Guindaste! Também gostei de ter te conhecido, moça quevai para a ginástica suuuperproduzida!
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 14:28


Comentário de: nine Email
oi carol!nao é legal?tres geraçoes ja de leitoras do Guindaste...Dominique ,Victoria e euzinha..rs..bjs,PS. voce é fofa mesmo e tem sobrancelhas lindas!

O máximo! Ainda mais quando a responsável por toda essa farra acha minhas sobrancelhas lindas, hehe...
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 15:08


Comentário de: Junior Email
Oi! Leio seu blog há algum tempo, mas só agora resolvi comentar. Minha avó faleceu devido a um câncer em dezembro, sei bem como o câncer provoca sofrimento na pessoa afetada e em sua família. Apesar do sofrimento, confesso que os familiares de certa forma possuem um diferente tipo de egoísmo, pois mesmo sabendo que o paciente está na fase terminal (e infelizmente, sofrendo)não querem que o paciente morra e pare de sofrer. Penso que é um egoísmo aceitável, pois nasce do amor pelo ente querido. Recomendo que todas as mulheres façam o auto-exame dos seios, pois quanto mais cedo o câncer for descoberto, maiores as chances de cura.
Ps: Não sei se você conhece a banda britânica Manic Street Preachers. O vocalista compôs uma bela música em homenagem à mãe, que morreu de câncer, chamada "Ocean Spray" (o sabor de suco preferido dela). Sempre gostei da banda e por razões óbvias, me identifiquei com a música. Parabéns pelo blog, é um dos melhores da blogosfera nacional.
Um beijo!

Puxa, Junior, nem sei por onde começo. Primeiro: sinto muito por sua perda tão recente. Minha avó morreu há cinco anos e até hoje sinto falta dela. De fato, lidar com perdas é sempre difícil, daí a importância em se abordar a questão psicológica de quem está acompanhando o paciente. Mas fico feliz em saber que você estreiou na caixa de comentários! Como você deve ter percebido, eu adoro bater papo por aqui. Quanto à banda, não conheço, mas gostei de saber a origem do nome da música. Por fim, obrigada pelo carinho! Agoraque você já quebrou o silêncio, entra, senta e fica à vontade. Vai um cafezinho?
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 16:36


Comentário de: Michel Email · http://supermicheranja.blogspot.com
"é muito "heavy metal" esse assunto"

Eeeei! Metalheads também têm sentimentos!
=.

Ô, dó!
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 20:53


Comentário de: nine Email
Nem peço mais licença para a Carol,ja vou entrando na porta aberta...Ah Michel ,eu sou uma senhora roqueira ,nao podia ver um guitarrista qdo era jovem,bem e agora ,se for o Santana,ou o Eric Clapton tb nao...mas que o assunto é pesado é,nada contra os metalheads pode acreditar,nao curto muito, mas tenho amigos no "pedaço"bjs.O Carol e o cafézinho e a mandioca com açucar?!

É isso aí, Nine, não tem que pedir licença, nada. Mandioca cozida, bem quentinha, com açúcar, é o que há!
PermalinkPermalink 05.06.08 @ 22:16


Comentário de: Denise Email
Olá!
Sabe o que é mais interessante ainda? Uma lista do que não dizer a alguém que tem câncer.
Por exemplo, dizer que "Você é forte, você vai superar, logo logo isso passa, você vai se curar, não é tão difícil assim, etc etc" estão entre as coisas mais irritantes que a gente ouve dos outros... hehehe, sou chata mesmo! Mas entre dizer essas coisas e ficar calado, melhor ficar calado.
E tem tantas outras... acho até que deveriam escrever um livro...
Muito legal falar sobre o assunto!

Denise, bem lembrado! Eu, que nem doente estou, não suporto quando alguém me diz "vai dar tudo certo", só para me consolar quando estou triste. Como assim "tudo"? O mundo não mais ter poluição, as pessoas serão boas, o Tietê vai voltar a ser navegável, TUDO vai dar certo? Não é um saco? Rende um livro, mesmo, hehehe.
PermalinkPermalink 06.06.08 @ 02:31


Comentário de: Ulisses Adirt Email · http://incautosdoontem.blogspot.com
Ótimo artigo, Carolzinha... aproveito o tema e indico o blog Enzimas Virtuais para você (http://enzimas.wordpress.com/)... A Dani, a autora, teve câncer, tratou-se e está curada. Ela escreve mto bem (e com um raro e fino humor) sobre o tema. Talvez vc aprecie.

Uia, que legal, vou lá fuçar! E quando vamos gafiar denovo, hein?
PermalinkPermalink 06.06.08 @ 02:56


Comentário de: Junior Email
Oi! Agradeço o convite para o cafezinho virtual, só não aceito porque devo ser um dos 5 brasileiros que não gosta muito de café (isso que moro no RS, onde o inverno é ótimo para tomar café;). Eu sou um leitor voraz, daqueles que perdem (ou ganham) horas em livrarias e lêem o que cair na mão, até bula de remédio, rs.
Por isso, é ótimo ler o seu blog, além do talento em escrever, tu sabes usar muito bem a ironia, vide o post sobre os vinhos. Concordo integralmente contigo, não sei como pode haver tantos "sabores e aromas" no vinho e o pior é que os "enochatos" percebem todos esses "aromas" em um gole de apenas 5 segundos!
Ps: Para conhecer a música que eu citei, é só digitar "Ocean Spray" no campo de busca do YouTube. Um beijo!

Caramba, então fique à vontade para ler vorazmente tudo o que tem de Guindaste, tem texto de monte lá para trás, basta ter paciência de ler aquela trolha toda. Agora, cá entre nós, morro de inveja desses enólogos! Eu quase enfio o nariz na taça, e só sinto cheiro de uva e álcool! Bonita a música, gostei! Lembra Oasis, não?
PermalinkPermalink 06.06.08 @ 16:40


Comentário de: Michel Email · http://supermicheranja.blogspot.com
Como funciona essa coisa de "sobrancelhas lindas"?

(Eu tenho cromossomo Y, sou incapaz de determinar sozinho.)

Suspeito que tenham algo a ver com olhos verdes e pele de pêssego...
PermalinkPermalink 07.06.08 @ 20:59


Comentário de: Junior Email
Oi! Lembra Oasis, mas também lembra outras bandas do chamado "britpop", até porque todas essas bandas bebem na mesma fonte, aqueles caras de Liverpool que fizeram um "pequeno sucesso" mundo afora. Caso sobre tempo, vou tentar ler os teus posts antigos.
Um beijo!

Oba, gostei disso de posts antigos!
PermalinkPermalink 10.06.08 @ 17:50


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