Mãe por quatro horas
Era a primeira vez que eu tinha sob minha tutela um moleque de cinco anos. Eu não sabia qual seu desenho animado preferido, se gostava de leite com Toddy ou Nescau, se era Super Homem ou Homem Aranha — francamente, eu mal sabia seu nome, só seu apelido, Carlito.
Como seria responsável pela formação intelecto-pedagógica do mocinho durante quatro horas, tratei de fazer o que qualquer bom educador faria: me enfiei num shopping. Carlito não queria andar de mãos dadas, afinal, isso é coisa de criança. Então, ele andava adultamente uns passos à frente, dando umas olhadas para trás de vez em quando. Não precisei nem de cinco minutos para perdê-lo.
Olhei para os lados e nem sinal do moleque. O problema de perder uma criança no shopping é que ela pode estar em qualquer uma das “108 lojas mais uma praça de alimentação para sua maior comodidade”. Isso sem falar no fato de que, na primeira meia hora, é bem provável que ela esteja rindo enquanto olha você de longe e constata como os adultos podem ser patéticos.
Chamei pelo menino semi-desesperada, dizendo que ele bem que podia aparecer para a gente ir assistir a O Homem de Ferro, que é um homem com o corpo coberto por uma armadura de metal, que voa e solta fogo pelos pés e que tem um coração azul que brilha no escuro e que é o maior legal. SE o Carlito aparecesse, eu podia comprar um pacote E-NOR-ME de pipoca e uma Coca-Cola bem gelada para cada um. “Eu não gosto de Coca-Cola”, falou uma vozinha às minhas costas, novamente materializada na forma de um garotinho de cabelos pretos.
E foi assim que eu fui parar numa sala de projeção lotada de espectadores de meio metro, que gargalhavam e faziam comentários simultâneos e derrubavam pipoca para todos os lados e chutavam minha poltrona. Ao meu lado, impávido, Carlito dormia, a boca ainda grudada no canudinho.
Bendita seja a Fanta Uva.
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Pretos, como a asa da graúna. Brancos, como a neve.
Nick Fury no cinema... mas qual?
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Crianças assim não ganham presente do Papai Noel, ganham?
Se bem que eu fui ver o filme legendado, e não tinha tantos anõezinhos assim, hehehe.
Pois é, Emílio, eu fui na versão dublada. Gwyneth Paltrow já é ruim no original, imagine em português...
Hahahahahahaha, eu já fiz isso com meu carro: fui trabalhar com ele e voltei de táxi. Larguei o carro no estacionamento e ainda posei de workaholic no dia seguinte. Mas não seria capaz de largar um garotinho sozinho num shopping. Se bem que...
Já ouvi histórias tenebrosas de calmantes para infantes, ou como se diz lá em Portugal, amansa putos.
O que você colocou na Fanta daquele menino?
Abração,
Hahahahaha, juro que não coloquei nada, Nelson! Já basta o Ulisses, do Incautos do Ontem, me descrever como alguém a quem não se pode confiar uma criança! Sacanagem... Saudades docê, moço!
Castigo de Deus? Isso está mais é para praga de mãe, Nine!
"o castigo de Deus foi terrivel... acabou no mercado financeiro"
Desculpe, sei que estamos todos aqui reunidos para falar do post, mas essa frase foi ótima.
Acho que não sou a pessoa mais indicada para cuidar de crianças porque fico incentivando travessuras. Algo como ir à loja de móveis e dizer "Vai lá, pula na cama, você é criança... não liga pro segurança, sou eu quem vai ganhar bronca".
["Michel, eu não vou fazer isso, eu tenho vergonha!"
"Como vergonha? Vem cá, eu te mostro como se faz. Essa cama aqui parece boa."]
Hahahahahahahaha, adoro seus comentários, Michel! Vou deixar o Carlito com você da próxima vez!
Até eu fiquei com medo, Nine!
Carol, já perdi meu filho no MorumbiShopping,ele tinha uns 3/4 anos mais ou menos, entramos na C&A pra trocar um presente e num piscar de olhos cadê ele??? fez que nem o Carlito,se escondeu embaixo das roupas e ficou observando o meu desespero. A sorte é que era uma segunda-feira e a loja tinha recém aberto,além disso os seguranças foram ótimos e fecharam as saídas da loja pro shopping, mas o susto foi grande!!!
beijos
Ai, Lila, eu teria entrado em pânico no seu lugar! Lembro bem quando eu me perdi da minha mãe num shopping. De repente, percebi que o Calvin tem razão ao dizer que todas as mães são parecidas da cintura pra baixo...
Eu tive que me submeter a duas sessões seguidas de Cavaleiros do Zodíaco, o Filme.
Sim, duas.
Mas recobrei a consciência dias depois.
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Putz, Renato, DUAS? Perdeu alguma aposta, foi?
Oi, Nine! Imagina, eu que agradeço por sua frase tão gostável. Mas escuta: você vem sempre aqui?
[Ei, poderia mesmo ter um 'Bate-Papo da Carol' hospedado no Guindaste. Certamente seria bem freqüentado.]
Êba, eu adoro quando a caixa de comentários vira chat!
Cavalos podem ser malévolos, Ulisses! E babam!
Me vi sozinha, entre muitos peixes, quando de repente, meu adorável pai coloca ,meu dedinho no zóio da lula!!!!!
Queria q naum tivessem me achado.
=(
Você não se perdeu, querida. Se bem que estava perdida depois de enfiar a mão no polvo, éca...
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