Vou ser cavalo quando crescer
Não me recordo da primeira vez que vi um cavalo, mas lembro de ter ficado encantada com a potência de seus músculos e seu ar meio blasé. Meus colegas de infância queriam ser astronautas, médicos, bombeiros, bailarinas. Quanto a mim, sempre que um adulto me perguntava o que eu queria ser quando crescesse, a resposta era a mesma: um relincho. Para já irem se acostumando quando minha metamorfose estivesse completa.
Apesar de ter comido muita salada durante todos esses anos, não virei cavalo. Foi muito frustrante saber que jamais poderia espantar moscas com meu rabo. Mas se não poderia ser um cavalo, ao menos queria tê-los por perto. Então, resolvi ter aulas de equitação. Foi assim que conheci o Alex.
Alex mora numa suíte de 5 metros quadrados, com feno e alfafa à disposição, um veterinário particular e uma dezena de tratadores a seu dispor. Acorda cedo, toma uma ducha, passa perfume de cravo e, depois de um café da manhã reforçado, faz exercícios. Descansa um pouco, trabalha duas horinhas, almoça. Às vezes, ganha uma maçã de sobremesa. É alérgico a corridas, motivo pelo qual espirra toda vez que começa a galopar. À tarde, vai ao cabeleireiro e faz esteira. Não trabalha nos feriados, sábados e domingos e tem férias de fim de ano.
Ok, não é muito comum uma criança querer ser um bicho, mas também nunca tinha visto um cavalo que pensa que é gente.
PS: Começou hoje a segunda fase da Experiência Bons Fluidos. Passa lá?
Posts similares:
Minha vida de cavalo
mostra sp 2008: boletim 12
Pode vir
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Puxa vida, eu acho que comparativamente, esse Alex tem uma vida muito melhor que a minha.
É por isso que eu insisto: quando crescer, quero ser cavalo!
Hehe, não tem, Nine, mas ele não liga à mínima para nós, bípedes. Só gosta de mim porque eu sempre levo uma maçã e uma cenoura para ele, aquele interesseiro...
vida boa a do Alex!
É meio sem sexo, mas bem confortável, né? Imagina que dó o bicho lá, cheio de amor para dar, e as éguas a uma cerca de distância? Tadinho...
É muito bom ler você. Que criatividade!
Adorei o texto.
Bjos
Ô, Anny, que gentileza! Obrigada, flor!
_
Hahahahahahaha, claro, ele não é burro!
Que medo docê!
E esse Alex é um fofo mesmo, só acho q de vez enquando ele precisa seriamente de um babador!
Ah, quer acabar com o talento do menino? Ele é o campeão da hípica em arremesso de baba à distância!








RSS feed