A xícara de porcelana chinesa
Primeiro, eu enchia o vidro de remédio, ou melhor, a jarra de cristal austríaco, herança de família. Depois, despejava a água em uma porção de tampinhas de pasta de dentes, as xícaras de porcelana chinesa dos convidados. A tampa metálica de um pote de geléia era a mesa de mogno, onde travessas de louça branca – caixinhas de papel – ostentavam os quitutes do dia: pãezinhos de terra recém-saídos do forno, brioches de tijolo salpicados de areia, salada de trevos e, com um pouco de sorte, arredios bombons de tatu-bola, que saíam andando antes do primeiro bocado.
Vinte anos atrás, quando as pessoas não sabiam o que era camada de ozônio e estavam se lixando para as baleias, eu me divertia com as tralhas que minha mãe juntava. Não me lembro de termos conseguido a proeza de uma refeição com copos iguais porque todos eram antigas embalagens de requeijão ou geléia. Em casa, latas de tinta se transformavam em caixas para brinquedos, vidros de Nescafé viravam porta-mantimentos e pratinhos de isopor aparavam a água das muitas plantas em vaso. Suspeito que minha mãe ainda tenha TODOS os potes de sorvete que já tomou na vida.
Cresci numa família em que nada era descartável. Presentes eram delicadamente abertos para que o papel de embrulho pudesse ser reaproveitado. Caixas de papelão guardavam toda sorte de objetos, de cobertores a material escolar. Eu ganhava roupas de uma prima mais velha e repassava-as para minha irmã, que mandava tudo para a prima caçula, num ciclo que durava tanto quanto as fibras do tecido.
Cada vez que vejo algo útil e em bom estado no lixo, imagino uma criança sem brinquedo. Uma tristeza jogarem fora todas essas xícaras de porcelana chinesa.
PS: Este texto faz parte da blogagem coletiva do Dia da Terra. Confira outros participantes no blog Faça a Sua Parte.
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Fora que tem muito produto vindo em embalagem descartável. Pelo menos alguns dão pra reciclagem...
Descartáveis ou não, eu continuo guardando meus potes de sorvete, copos de requeijão, papéis de presente...
estou lendo vc aos pouquinhos
nesse post (q tb fiz um sobre o dia da terra) me lembrei tb da infância meio pobre aqui em Parnaíba
Quando comecei a usar calça comprida, ela era bem comprida mesmo, e o embainhado era grande, pra q, à medida q eu fosse crescendo, a mamãe fosse desfazendo o embainhado, foi assim q usei uma única calça US Top desde a 5ª série até a 8ª série no colégio Polivalente.
A gente aproveitava o bolso da blusa de farda (pq tinha um brasão do governo) daí quando a camisa ficava apertada se comprava outro pedaço de tecido, retirava-se o bolso com uma gilete, e se costurava na camisa nova.
Da primeira até a oitava série usei uma quatro camisas e apenas dois bolsos (teria usado um só mas quando se entrava no ginásio o brasão mudava)
flw
depois, se vc quiser ouvir, lhe contarei mais
agora vou ler outro post
Ô, Dourado, mas que honra ter um leitor aperteoaltiniano por aqui! Adorei a história da farda! Minhas calças também iam subindo com o tempo: de calça para bermuda, de bermuda para shorts, de shorts para bermuda a minha irmã...
flw
Oba, vou lá fuçar.
Minhas amigas nunca se ofendem, Nine. Pelo contrário, quando amam alguma coisa minha, já começam: "Quando você não quiser mais, dá pra mim?".
Vidros de Nutella, são ótimos copos de suco e leite; vidros de nescafé comportam feijão cru, milho, farinha de rosca; potes de sorvete são vasilhas de $1,99 super duráveis, e outras cositas a mais.
Lembro de nós duas, na beira da piscina da vovó, com potes de margarina, faca na mão e milhares de matinhos picadinhos ... uma ótima saladinha né??? E a beira da praia !!!
Saudade de um tempo que não volta mais =(
Lembra da menina que gostava de comer trevo? Afe!
E tem uns copos de requeijão que são de plástico, esses eu lavo e jogo fora mesmo. Agora os de vidro eu deixo guardado
Tirando umas canecas, todos os copos em casa são de requeijão ou de nutella =)
Boa lembrança a do Nutella, Emilio! Estou tomando água num copo do Bob Esponja graças ao delicioso chocolate com avelãs...
rsrsrs
Fez lembrar minha infancia... e como era bom!!
bjão menina!
e bons ventos aqui no blog
Quem nunca levou um monte de sucata pro chuveiro para brincar de panelinha nunca teve infância, né não, Rackel?
Lembro até do comercial da Geléia de Mocotó Imbasa: "Eu fico com a geléia. E a mamãe, com o copo."
Beijos!
–
Eu não lembro do comercial, mas minha mãe, com certeza, era partidária dessa filosofia, hehe...
Usei algumas dessas embalagens de vidro para fazer de vasos para suculentas, Ricardo. Ficaram lindos!
Ô, Stella, que coisa... Obrigada, menina!
O que a imaginação aliada à consciência não fazem...
É que criança se diverte com pouco, Marília.
rsrsrs
=*
Engraçado que esse termo "sucata" tenha sumido, né? Agora, tudo é "reciclável"...








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