Debaixo do pano*
Duas mulheres conversam animadas. Trazem amarradas aos ombros grandes faixas de tecido estampado, de onde emergem ora umas perninhas mínimas, ora uma cabeça titubeante. São adeptas do sling, um pano largo e comprido como uma tipóia, que índios, africanos e peruanos conhecem tão bem.
Assim, embrulhadinhos, os bebês ficam em contato direto com as mães, num delicioso colo infinito. Se bate a fome, o peito está ali pertinho. Tem mãe guerreira que agüenta segurar rebento de mais de 15 quilos. As mãos ficam livres para fazer compras, ler, trabalhar e, claro, fazer cafuné na cria que, ih, olha só, caiu no sono outra vez.
Antes de conhecer o sling, Ana Thomaz, 40, improvisava com cangas e lençóis. Grávida de poucas semanas, a terapeuta se prepara para embalar o terceiro filhote, depois de andar pra cima e pra baixo com o Gutto, 14, e a Franciska, de quase dois anos. “Manter o bebê junto à mãe dá um retorno sensorial muito importante para o desenvolvimento corporal e psicológico.”
No encontro mensal, chamado Slingada, veteranas ensinam mães de primeira viagem a testar as múltiplas maneiras de amarrar o tecido e acomodar o bebê. Ao contrário das cadeirinhas, feitas de material rígido, o tecido do sling se adapta aos movimentos da criança.
Enquanto embala Luana, de três meses, Relze Fernandes, 31, comenta que foi barrada na entrada de um shopping porque o segurança achava que ela trazia um cachorro sob os panos. “Não é bicho, moço, é minha criança.” A garotinha se espreguiça, parece que vai acordar com as risadas, mas vira para o outro lado e volta a dormir o santo sono dos bebês felizes.
*Versão original da matéria publicada na revista Vida Simples de maio.
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E, além de confortáveis, eles são lindos, né?
Será que existe sling tamanho adulto?
Inveja!
Hahahahahaha, depende, se você for anão...
Pelo que pude ver, Nine, a criançada adora.
Amém, Ricardo!
Muitas comunidades já adotaram essa idéia, aqui em minha cidade mesmo sempre me esbarro com as mães embalando seus filhos, é uma das coisas mais lindas de se ver... E a carinha que eles fazem quando despertam daquele sono. Muito lindoo!!
Um abraço e bom feriado,
Sú Martins
Bom feriado procê também, Suzanna!
Carol, fiz um texto imaginando o cenário que eu muitas vezes vejo suas aventuras!
Não tão bem escrito quanto elas, mas...Com muito carinho!
Um beijo
Uma delícia seu texto, mocinho! Adorei!
Não é? Queria ter dormido nisso quando era criança...
Hahahahaha, não seria nada agradável para nenhum dos dois, Marcos!








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