A planta guerreira
Um par de estranhas folhas verdes apareceu do nada num vaso que estava servindo de berçário para tomates. Era um broto mínimo, com folhas de bordas serrilhadas bem diferentes das outras mudas. Quando atingiu dez centímetros, já disputava a tapa o pouco de sol que os grandes tomateiros esnobavam. A garra da plantinha me sensibilizou tanto que comecei a dar especial atenção ao vaso, preocupada em dividir em lotes iguais terra, água e calor.
Comecei a desconfiar do caráter da muda quando tentei tirá-la do vaso de tomates e fiquei com a mão cheia de espinhos minúsculos e irritantes. Peguei um jornal para proteger os dedos e fiz força para puxá-la, mas a única coisa que consegui foi derrubar um dos tomateiros. Coloquei o vaso no chão, segurei-o entre os pés e, com uma força de abrir vidro de palmito, consegui tirar a planta – não sem trazer toda a terra e o outro tomateiro junto. Nunca vi uma muda de trinta dias se apegar com tanto afinco a um monte de terra. Ô, plantinha guerreira, sô!
Depois que ganhou um vaso próprio sem raízes concorrentes, a muda deslanchou – e ia ficando ainda mais esquisita, com pequenas brotoejas verdes nascendo junto ao caule cada vez mais lenhoso. Passei dias perguntando nas floriculturas o nome da planta, levando uma folhinha a tiracolo pra tudo que é lugar. Ninguém sabia. Até que meu jardineiro fez a revelação: “Isso aqui é quebradeira-santa”, disse, e cortou o caule com uma tesoura de poda antes de eu esboçar qualquer reação.
Dias depois, encontrei uma família delas crescendo num terreno baldio perto de casa. A muda que eu criava com mimos de orquídea rara não passava de uma erva-daninha. Da pior espécie.
PS: Hoje a Voadeira está um barato. Já passou por lá?
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Pior é que é verdade, Nine...
Tem razão, Emilio. Mas eu me senti tão imbecil por ter passado meses mimando uma touceira de mato...
estou desenvolvendo uma revista sobre meio ambiente, sou design e irei com mais uma pessoa fazer a diagramação da revista, só que estamos precisando de uma pessoa para nos ajudar com as matéria, gostaria de saber se há a possibilidade de você nos ajudar ou caso não possa, indicar alguém que posso nos ajudar escrevendo algumas matérias, uma ou duas, por mês, achei seu blog pelo ECOBLOGS. Aguardo seu contato.
Desde já agradeço,
Ana Carolina
Oi, Carol, obrigada pelo convite, mas eu malemá consigo manter a parceria com a Rede Ecoblogs e a Bons Fluidos... Tenho certeza de que você não terá dificuldades em achar um blogueiro fera no próprio site da Ecoblogs. Abração!
Snif! Snif!
Buááááá
Nossa, nem daria tempo de você ter matado a plantinha! Aposto como ela já estava bichada antes de ir pro vaso: você deu uma sobrevida à coitada, chora não...
Beijos...
Sabe que eu também fiquei pensando nisso: qual é o limite entre uma planta cultivável e uma erva daninha? Só podemos mimar as plantas que têm grife? Já vi cada matinho tão bonito... Mas não fique bravo com meu jardineiro, Renato. Depois de ele ter salvado minha pitangueira, só posso crer que é um santo homem.
Boa recomendação, Ricardo! Soube pelo mesmo jardineiro que uma suculenta que eu tinha em casa é, na verdade, bálsamo e ajuda muito a tirar inchaços e amenizar inflamações. Quanto aos tomates, passei a vida toda achando que os agrotóxicos deixavam as sementes estéreis. Puro mito.
Hahaha, esse é ótimo, Thiago. Cem anos de ladrão devem ser terríveis...








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