Aquarela transgressora
Odilon Moraes é autor de algumas das aquarelas mais tocantes e pungentes da história da literatura brasileira. Conheci pessoalmente esse jovem com nome de velho recentemente, numa inteligente entrevista que ele concedeu sobre os dogmas do mercado editorial para crianças. "Já ouvi barbaridades de todo tipo: verde na capa não vende, ilustração infantil tem que ser alegre e colorida, capa branca não pode, roxo é cor de menina. Quando a gente começa a discutir o sexo das cores, é sinal de que alguma coisa está errada."
É delicioso ver como Odilon desdenha acintosamente dessas idéias pré-concebidas. Com capas sem personagens, ilustrações-rascunhos, imagens monocromáticas ou melancólicas aquarelas, cada lançamento seu é sempre um sucesso de crítica e público. Ok, eu sou fã do homem, mas confira Histórias à Brasileira, Ismália, Por que o Céu Chora, A Princesinha Medrosa, Pedro e Lua, Será o Benedito!, e, em breve, Rosa e me diga se não tenho motivos mais que suficientes para babar aqui publicamente.
Se ao folhear essas obras você sentir coceira para publicar sua própria história, não deixe de participar do curso Ilustração de Livro. Ministradas pelo próprio Odilon Moraes no Éden 343, um espaço alternativo na Vila Madalena, em São Paulo, as aulas começam dia 9 de abril e acontecerão todas as quartas-feiras, das 19h30 às 22h.
Que saiam dessas aulas os próximos transgressores da literatura infantil.
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Como anda sua semana veggie, Carol?
Beijão!
Eu também adoro, Gabriella, e, de tanto saber de adultos que curtem esse tipo de trabalho, cada vez mais acho que eles não cabem na designação de "infantis". A semana veggie segue aos trancos e barrancos, claro. Você pode acompanhar o dia-a-dia no blog da Experiência Bons Fluidos.
Mas os transgressores são mais que bem-vindos, Thiago. Como bem disse o ilustrador Ivan Zigg, "tem coisa mais transgressora que criança"?
Não é? Vá entender esses adultos que nunca tiveram infância...
Nine, livro ilustrado não tem idade. É por isso que tantos adultos gostam dele – até mesmo os que não têm nem filhos nem sobrinhos, como é meu caso.
Sobre textos infantis... que bom que existe quem não trate as crianças como idiotas. Vou conhecer o trabalho agora!
Dá vontade de dizer "e daí que soa negativo?". As pessoas não estão sempre felizes e sorridentes – nem mesmo as crianças. Depois reclamam da alta nos casos de depressão: vivemos num mundo em que ninguém pode ficar triste em paz. Afe.








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