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Só mais cem metros

Acabo de andar de bicicleta – isso se você considerar que basta estar próximo à magrela para que se configure o “andar”. Achei que ver uma bicicleta assim, de pertinho, fosse suscitar velhas euforias infantis, lembranças incluindo rodinhas sendo retiradas e tombos performáticos. Mas não. “Cestinha é coisa de criança”, me disse um amigo, após atestar minha frustração. O mundo adulto é muito chato.

Aproveitei os primeiros cem metros para fazer testes de freio, checagem de pneus e alinhamento de quadro. Coisa de profissional. Cheguei à uma esquina escura e resolvi descer e empurrar. Pedalei uns 300 metros com um esforço sobrehumano. Não é possível que eu esteja em tão má-forma. Ainda mais numa descida. Foi quando notei uns numerinhos ao lado do guidão. Ora, ora, então era aquilo a tal da marcha? Que coisa moderna! Com um manual de instruções, eu tirava de letra.

Andei mais uns 50 metros e encontrei um ciclista parado no farol. “Como esse trequinho funciona?”, perguntei, apontando para os números no guidão. Metido em um macacão colante com adesivos em neon, o rapaz me olhou pasmo. “É sério?” O sinal abriu. Subi na magrela com classe e dei uma risada. “Brincadeira, foi só pra passar o tempo.”

Assim que o ciclista sumiu de vista, desci da bicicleta. Uma pequena subida anunciava-se à frente, então, achei melhor empurrar até que minhas panturrilhas deixassem de fritar e meus joelhos parassem de ranger. Trezentos metros adiante, a rua voltava a ficar plana. Montei de novo e resolvi mudar os numerinhos até me entender com algum deles. Não tinha pedalado nem cem metros quando arrisquei a primeira virada no guidão. Ouvi uns estalos assustadores sob meus pés. Xiagorafudeuprontocabô. Desci e observei. Nenhum sinal de porca, pino ou parafuso solto no chão. Tudo parecia normal. Subi de novo.

Assim fui avançando pelos 2,5 km que separam o trabalho da minha casa, parando a cada buraco, rua movimentada, farol alto e cachorro assustado. Quanto entrei naquele estado de torpor onde já não se sente as próprias pernas, vislumbrei a ladeira que leva à rua do meu prédio. Não conheço um palavrão grande o bastante para descrever o que foram os últimos cem metros.

Sabe, as bicicletas ficariam ótimas se alguém colocasse um motor nelas. Retrovisor e banco macio também seriam bem-vindos. E poderiam ter setas e lanternas também. Seria uma idéia genial se já não tivesse sido inventada a moto. Estou sempre atrasada nessas modernidades.

PS: Quer saber se estou me comportando direitinho nesses trinta dias? Acesse a Experiência Bons Fluidos e acompanhe de perto o enverdecimento.



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Comentário de: Marcele Fernandes Email
Carol, a minha bicicleta tem cestinha. E é rosa e azul. E tem florzinhas! Também tem marcha, mas eu não sei mexer. E eu juro que apesar dessa descrição, eu não tenho oito anos!
Quando você aprender a mexer com a marcha, me ensina?
Beijos,
Marcele

Hahaha, prometo que eu te ensino, Marcele. Mas, por enquanto, preciso que alguém me ensine, porque ontem, tomei um coro da magrela...
PermalinkPermalink 01.04.08 @ 23:24


Comentário de: Gabriella Email · http://cotidianodegabi.zip.net
As marchas sempre me confundiram também, mas um dia meu primo arrumou pra mim (leia-se: deixou na mais leve) e desde então nunca mais mexi nos tais botões para "não estragar".

Esse post também me lembra uma aventura no Parque do Ibirapuera, quando fiz meu namorado esperar entediantes 40 minutos na fila para alugar uma bicicleta e não consegui dar nem meia volta e já estava toda vermelha e ofegante. Larguei a magrela e deitamos na grama, infinatamente mais confortável.

Foi exatamente o que eu fiz ontem, Gabriella. Do jeito que ficou, não mexo mais, nem ladeira acima, nem ladeira abaixo. E adoro bicicleta de aluguel: estão sempre meio estropiadas, gemem a cada pedalada e o freio não funciona muito bem, mas têm cestinha pra botar a bolsa e rodinhas laterais. Melhor, impossível.
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 02:16


Comentário de: Thiago Email · http://betweenthedots.wordpress.com
Foi quando conheci as bicicletas que eu percebi como os meus triciclos do mickey eram super simpáticos. E tenho dito.

Onde compro um desses, hein, Thiago? Acho que não existe nada no Código de Trânsito que impeça a locomoção por meio de triciclos simpáticos...
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 06:38


Comentário de: maiako Email · http://porumpratodecomida.zip.net/
Hilário. Sensacional.

Oba!
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 08:11


Comentário de: nine Email
OI carol,como eu ja te disse nao sei andar de bike .O que é muito frustrante para mim.Entao imagino embevecida sua coragem em desafiar as ladeiras de Perdizes indo trabalhar de bicicleta!E sem carne..A força deve estar com voce .;bjs

Nine, como você pode ver, não está perdendo nada... Estou rezando para não ter de passar nem perto de Perdizes. Andar pela Vila Madalena já está acabando comigo...
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 08:29


Comentário de: Renato Alt Email · http://www.aperteoalt.blogspot.com
Carol, que tristeza.
A lembrança mais forte que tenho da combinação "infância + bicicleta" é a de Excitebike.


E o pior é que é uma moto...

_

Tenho até medo de perguntar o que é isso, Renato...
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 11:18


Comentário de: Emilio Email · http://estou-sem.blogspot.com
Quando eu era mais novo, usava a bicicleta pra ir pra todo lugar. Hoje em dia eu não tenho mais coragem de andar de bike, ainda mais aqui em Floripa. Nem tanto pelo condicionamento físico, já que na academia eu fico lá que nem bobo pedalando e não saindo do lugar ;P, mas por causa do trânsito. Eu já acho perigoso pra caramba ser pedestre aqui, ser ciclista então...

Concordo com você, Emilio. Mas entre bicicleta de academia e ginástica pedalando, sou mais a segunda opção.
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 16:29


Comentário de: Ralph Email · http://www.esculhambanet.com
Minha cara amiga Carol Costa, seus problemas "se acabaram-se", ao ler este post lembrei de um produto que vi no Mercado Livre e acabei encontrando ele novamente e estou colocando o link aqui exclusivamente pra você viu: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-71801352-bicicleta-eletrica-kit-e-bike-brazil-electric-exclusivo-_JM
Motor para colocar em bicicleta, totalmente elétrico, e anda até uns 50 quilometros por carga da bateria, o único "foda" é que acho que é meio feinho de usar ele, mas ecologicamente falando é melhor que moto e "Deus me livre" mobiletes rs rs rs

Da uma conferida, rs rs rs
Grande beijo Carol>

Ralph

Sensacional! Isso, sim, é a descoberta da roda! Mas por R$ 1 mil, compro umas três bikes como a que consegui emprestada, Ralph. Nada é perfeito, né?
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 17:46


Comentário de: Marília Email · http://maroma.wordpress.com/
Morri de rir imaginando a cara do ciclista!!!

(PS: Meu marido mandou dizer que se fosse ele o ciclista, ele ia rir tanto que até cairia da bike!!)

Mas liga não, sou meio atrapalhadinha com as marchas tb!!

Ei! Então diga para o seu marido que, logo, logo, eu vou estar empinando a bicicleta em plena avenida Paulista! E andando de patins e skate juntos! Falando sério, para eu parecer "atrapalhadinha com as marchas", teria de saber minimamente para quê elas servem, Marília, e nem isso eu sei direito. Afe...
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 18:29


Comentário de: Danielle Email · http://iwantmylifeback.blogspot.com
Oi Carol?!
Ganhei minha primeira bike com marchas (10 ao todo) qdo fiz 15 anos. Lá se vão outros 15 depois disso. Tive mais uma ou duas, mas nunca fui mto fã, sempre quis ter uma tal de mobilete (lembra disso???). No final dos anos 80 com 10, 12 anos era este o desejo da garota, mas pedalar é exercício... E a minha atual bike está na casa dos meus pais há 200 bilhões de anos luz de Sampa City e essa já tem umas 15 marchas e eu só usava uma... a leve.
Esses motores para bicicleta tb existem em vários lugares da cidade, tem o elétrico como já citaram pra vc e tem outro a álcool, o barulho é chato e o cheiro pior ainda. Vejo sempre os "amoladores de facas" q andam pelos bairros residenciais com uma dessas.
É isso aí, boa sorte com a sua bike e a falta de carne!

Gente, mas eu sou mesmo uma caipira! Nunca nem tinha ouvido falar em motor elétrico de bicicleta! Santa jequice!
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 20:03


KKKKKK e eu achando que era só eu que não sabia mais andar de bicicleta depois de adulta!

Carol,juro que esse lance de marcha até hoje... não faço idéia!!!!


KKKKK muito bom!

Em que planeta a gente estava quando começou toda essa evolução pedalífera, hein, Zilmara? Menina, nunca imaginei que bikes fossem tão complicadas.
PermalinkPermalink 02.04.08 @ 23:16


Comentário de: Ozzy, o Ciclista Email · http://ozzylandia.wordpress.com
Carolis Paulisticae,
Seguinte, tenho sido solidário à sua campanha e vou ao Centro de BH city todos os dias de bike. A suadeira é considerável, mas o suquinho com bolo na hora que chego lá faz tudo valer a pena.
Mas não era isto que queria dizer.
As marchas são nossas amigas. A da esquerda é para o comando central (onde está o pedal), a da direita é para as marchas propriamente ditas.
Faça o seguinte, peça para Omblogsman segurar a bike, e passe a da esquerda até chegar na rodinha menor, ou média - se for 18 marchas - do seu pedal.
Depois regule a marcha da direita de seu guidão até a corrente ficar na rodinha maior da roda traseira.
Pronto! Você fará menos esforço e poderá ir até a Baixada Santista assim. Não terá velocidade, mas não terá enfarto do miocárdio em plena Av. Paulista.
Ave!
(Nem sei pra quê dou estas dicas, sendo que certamente você já está pedalando muito bem)

Rapaz, mas que aula! Obrigada! (É claro que não andei mais de bike até descobrir como funciona aquela joça, né?)
PermalinkPermalink 03.04.08 @ 12:55


Comentário de: RICARDO Email
Li sobre vc e a bike e não pude deixar de rir , mas só um pouquinho , ok ? hehehehehe........

Como assim "só um pouquinho"? Eu aqui me matando de pedalar e não consigo nem tirar uma gargalhada decente. Que fracasso.
PermalinkPermalink 03.04.08 @ 17:24


Comentário de: Alexandre Email · http://www.pedalsemfome.wordpress.com
caramba, não acredito, e agora já descobriu para que servem os números no guidão? rsssss, espero que sim rs. beijos.

Descobri, sim, Alexandre. Agora, só falta domá-los.
PermalinkPermalink 07.04.08 @ 17:33


Comentário de: lilica Email
Adoro andar de bicicleta.
Mas sabe q também passei pelo teste da marcha. Como tô sem bike no momento e não ando com nenhuma outra, nem sei mais como muda.
Mas na época q tinha, sempre ficava apertando todos os botões, até achava q fazia alguma diferença. Sempre só achava, pq na verdade, quase morria de tanto pedalar.
Acho q continuo sem saber a mudar marcha da bicicleta.

Deve ser de família... Eu também quase morro de tanto pedalar!
PermalinkPermalink 08.04.08 @ 10:58


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