Creche às duas
Ei, isso rende um texto no Guindaste! Só que eu teria de escrever sem diálogos, ficaria mais estranho. "Toda noite é a mesma coisa, mal deito, os pensamentos vêm pra cima de mim como crianças carentes, cada um exigindo seu naco de atenção." Xí, melhor anotar, senão, amanhã já esqueci. Culpa do blog essa coisa de as idéias agora virem editadas, eu penso num mote e já começo a escrever mentalmente o primeiro parágrafo. Isso também daria um post. Cadê meu caderninho de anotações? Avemaria, duas da manhã, dorme, Carolina, amanhã você vai lembrar, com certeza. É só repassar mais uma vez a idéia, que era... o que, mesmo? Ah, claro, um texto sobre idéias que tiram o sono. Não, não pode ser, escrevi sobre idéias não faz nem uma semana – se bem que elas não tiravam o sono. Sobre insônia escrevi há anos. Melhor pensar em outra coisa. Bom mesmo seria dormir. Zero vezes zero, zero. Zero vezes um, zero. Zero vezes dois, zero. Não sei por que começo da tabuada do zero. Sei sim, é para dar um apoio moral, vou rapidinho e nem preciso me concentrar. O problema é que sempre durmo antes da tabuada do sete. Mas hoje está difícil, olhaí, duas e quarenta e eu acordada. É tudo uma questão de se concentrar, Carolina, feche os olhos e durma. Mas eu já estou de olhos fechados. Feche mais ainda, pronto. Ei, você não manda em mim! Alterego dos infernos, nem dormindo me dá sossego. Essa rua é muito barulhenta, esse é o problema, aí, olha só, agora uma moto. Por que não inventam uma moto que não tenha escapamento, hein? Se a janela fechasse melhor, não entraria tanto barulho. A culpa é da persiana, ninguém mandou botar persiana: o som reverbera na caixa da persiana. O som e o vento, uma fortuna resolver isso. Pensando bem, com caixa de ovo dá para fazer um bom isolamento acústico. Fica medonho, claro, mas ninguém vai ver. Se eu achasse meu caderno de anotações, podia fazer um esboço. Putaqueopariu, três e quinze, não vou fazer esboço coisa nenhuma, amanhã tenho de acordar cedo, estou ferrada. Zero vezes três, zero. Zero vezes quatro, zero. Zero vezes cinco, zero. A do cinco é a mais fácil, só devia existir tabuada do zero e do cinco. Não sei pra quê criança tem que aprender a fazer conta se existe celular, calculadora científica e computador. É só para aporrinhar a molecada. Vai ver, matemática serve de bode expiatório das raivas do mundo. Afinal, no quê a gente descontaria se não existisse raiz quadrada? Na física e na química, provavelmente. Pô, se trabalhar nisso, rende post, hein? Quatro e meia?!? Não é possível! Tem alguém se divertindo às minhas custas, só pode ser. Vai ver é o zero que não está tranquilizando, vejamos, sete vezes oito, quarenta e oito. Não, burra, isso é seis vezes oito. Melhor começar do zero que não tem erro. Zero vezes um, zero. Zero vezes dois, zero. Aposto como amanhã já esqueci todas essas idéias. Se bem que são dez pra cinco, já é amanhã. Estou frita... Ei, isso rende um texto no Guindaste! Só que eu teria de escrever sem diálogos.
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ninguém merece!
Nem me fale, Marília...
Puxa, que honra, Ina! É seu, de presente.
Prefiro banho morno. Ou chá quente.
Nem tomando tetê, Nine. Vai ver, o meu erro é justamente ficar brigando com minha insônia na cama, né? Vou seguir sua sugestão e levantar da próxima vez (que, espero, custe a chegar).
É uma insônia ao revés que também me causa vários problemas. Não ronco, não tenho apnéia, não falo, não me mexo. Durmo como uma pedra: só que por horas e horas...
Ah, menina, eu também sou boa de cama, pensa o quê? Não tenho sono pesado, mas fico mendigando com o despertador mais dez minutos, mais cinco, mais um segundinho... Quando vou ver, estou mais de uma hora atrasada.
Eu a odiaria, se não fosse tão criativa. Dá próxima vez, experimente acompanhá-la com um vinho tinto; das duas, uma: ou as idéias vão fluir melhor ainda ou você vai dormir.
Uhm... pensando melhor, provavelmente as duas coisas.
Boa, Renato. Só preciso me esforçar para não dormir em cima da taça, né? Ou do teclado, se for seguir a orientação da Nine.
Chá de melissa com cidreira e mel apaga até defunto.
Abs.
Oba, mais uma dica! Adoro receita caseira, vou experimentar, Ana!
Vamos ver o lado positivo, acabou saindo um ótimo post!!
Saudades, viu!!!
Bjo
Obrigada, flor! Também estou morrendo de saudades da minha psicóloga recém-formada preferida!
Comecei a ler seu blog recentemente, indicação do meu e seu amigo e professor de dança Wanderlei e tenho dado booooas risadas aqui. Você é ótima, muito criativa.
Passo horas acordada, TODAS AS NOITES!!
A insônia já é parte da minha vida, mas nunca pensei tantas coisas bacanas assim no meu momento de despero na madrugada.
Parabéns!
Quem sabe marcamos uma bebidinha com o Wandeco pra gente se conhecer. Seria uma honra.
Beijos
Puxa, Tita, você já era famosa antes mesmo de aparecer por aqui! Conte comigo para um choppinho!
Ai, Ricardo, obrigada! Eu bem que preciso de uma boa noite de sono...
Hahahahaha, levantar para molhar as plantas de madrugada é muito coisa de insone! Se eu fizer isso cada vez que perder o sono, vou precisar de um jardim aquático por aqui. Ô, Thiago,deixa disso, rapaz, tem que agradecer comentário não, sô!
As vezes de manhã volta, mas a maioria se perde no limbo...
É verdade, Emilio, a maioria se perde no limbo...
Brincadeiras à parte, já tentei fechar as frestas da minha porta-balcão com jornais por causa do barulho. Minha mãe acordou de manhã e diluviou: Meu fiiiiiiiiiiilho, quem foi que te prendeu aqui no quarto??
Vai entender.
Thiago, você precisa ter cactus como plantinhas de estimação! E, ainda assim, periga matar as bichinhas...
http://submundodasenior.blogspot.com/2007/12/insnia.html
Vou experimentar contar elefantes da próxima vez, Dã!
...
Ei, eu pensei isso alto?
E em bom som. Mas é bom saber que você tem um favorito! É a primeira vez que alguém me diz que tem um post predileto aqui no Guindaste. Adorei!
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