Pensar em voz alta
Faz onze anos que sou jornalista e pelo menos metade disso que tento escrever ficção, sem contudo lograr muito êxito. Embora sejam profissões irmãs, na prática, não são tão assemelhadas assim quanto parecem. As descrições cheias de detalhes e os diálogos inusitados que muitas vezes reproduzo aqui só são possíveis para mim porque aconteceram na vida real. Dependessem exclusivamente da minha criatividade, nunca teriam sido publicados.
Nelson Rodrigues chama de "passarinhos" os cacos que um autor coloca num texto verídico. São falas ou trechos inteiros, inventados para criar um efeito diferente em uma situação verídica. No jornalismo tradicional, passarinho é espécie imperdoável: teoricamente, o profissional é pago para registrar os fatos e só. Se quiser passarinhar, que faça literatura.
No Guindaste, posso cometer impunemente os textos que as redações tradicionais costumam renegar às estantes, mas que as editoras tampouco se animam a acolher. Nem jornalismo, nem literatura, esse filho bastardo aqui representado. Está mais para um pensar em voz alta. É sempre surpreendente descobrir que alguém ouça.
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Ah, Thiago, mas o que você faz é o mais difícil! O resto é treino: se escrever um pouquinho, todo dia, vai perceber que a coisa flui mais facilmente.
Há muito tempo me penduro aqui no seu Guindaste para saboerar seu texto muito gostoso. Acho, sinceramente, que se você ainda não foi tirada daqui para redigir para a TV, por exemplo, é porque nossa indústria é muito fraca. Seus diálogos são ótimos, não importa se são passarinhos ou não. Continuarei, falo por mim, a te ouvir, onde for que o Guindaste te leve.
Abraços e sucesso,
Ô, Nelson, por que raios você não é dono de uma emissora, hein? Muito obrigada por todas essas horas "pendurado" (adorei isso!) por aqui, rapaz! Gosto muito da sua companhia.
é refinado, tem uma sofisticação incomum.
não sei se você "precisa" escrever ficção.
acho que você é uma ótima cronista, no modo de olhar a realidade, no modo de narrar e também no modo de escolher o que narra.
admiro o teu estilo, gosto do que leio aqui.
Wow, bacana isso, Marcia. Tem razão: precisar, não preciso, mas adoraria escrever um livro infantil. Seu comentário tão gentil até me animou a arriscar uma história para os pequenos. Vai que da décima vez a gente acerta, né?
Ei, Nine, precisa ser especialista nessas coisas do gostar, não! Saber que seus textos podem tocar alguém é o maior elogio que um blogueiro pode receber. E melhor ainda que não tenha vindo de um crítico, né? Afinal, é para o leitor comum que escrevo, gente como eu e você. Muito obrigada por adotar meus bastardos!
Então, prosseguirei (mesmo que fique com preguiça de escrever, muito raramente...).
Continue assim, Carol!
Beijocas a todos.
Combinado, continuarei a passarinhar, então!
Hehe, comecei cedo, Karina. Minha festa de 18 anos foi dentro de uma redação.
E eu dos seus comentários, Ricardo!
Oba! ("Guindasteiros"?!? Sensacional!)
Puxa, bom saber, Ulisses!
Passarinho, que som é esse?
"Esse é o som do Guindaaaste, guindaaaaaaste... o guindaste é assim!" (Caramba, não deve ser muito fácil fazer música com o som de um guindaste em movimento, né?)
(sim, eu também trabalhei na Folha.
beijo
Faz parte da série "Folha Implica", né? Vá entender... (Uia, quase que nos conhecemos!)
Cheiro!
Îeba! Cheiro no cê também.
Vc é como uma águia sempre olhando em frente e no alto.. tipo,em segundo lugar do prêmio ibest, tá.
Fique surdo para sua dona e apenas se concentre nos comentários, q estão só elogios!!!
Segundo lugar no Ibest ou não, este pobre blog laranjinha não seria nada sem sua Madrinha oficial.
Puxa vida, Junior, estou até com taquicardia depois desse seu comentário! Quer matar a cronista aqui do coração, é? Que lindo, sô! Ah, não fique com vergonha de ver o Wall-E sozinho, não! Vá, porque é lindo – e, cá entre nós, é bem mais voltado para adultos do que para crianças.
Puxa, rapaz, mas que bacana isso tudo, obrigada! Eu tento fugir das tais fórmulas a que você se refere, mas é difícil, as redações seguem o formato do lead americano como se fosse uma Bíblia. O jeito for amolar os internautas com meus devaneios. Fico feliz em saber que você gosta deles.
Gostei desse troço de tempero, Junior. Até porque sou uma péssima cozinheira, valhamedeus... Mas concordo com você na lei de ação e reação: ter o retorno dos leitores (para bem ou para mal, claro) é o que justifica escrever aqui. Sem vocês, não teria a menor graça. Obrigada pela companhia.
Nem tinha percebido, hehehe...
Ô, Ulisses, nem sei o que agradeço primeiro, se é o fato de você vir aqui mais de uma vez ou se foi o ótimo link que me mandou. De fato, confundi a autoria por causa dessa história do Chico Buarque. Como o Mário Prata era um dos protagonistas, minha infeliz memória registrou a autoria do passarinho como sendo dele. Já troquei no texto — e aproveitei para colocar seu link. Muito obrigada!









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