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Pensar em voz alta

Faz onze anos que sou jornalista e pelo menos metade disso que tento escrever ficção, sem contudo lograr muito êxito. Embora sejam profissões irmãs, na prática, não são tão assemelhadas assim quanto parecem. As descrições cheias de detalhes e os diálogos inusitados que muitas vezes reproduzo aqui só são possíveis para mim porque aconteceram na vida real. Dependessem exclusivamente da minha criatividade, nunca teriam sido publicados.

Nelson Rodrigues chama de "passarinhos" os cacos que um autor coloca num texto verídico. São falas ou trechos inteiros, inventados para criar um efeito diferente em uma situação verídica. No jornalismo tradicional, passarinho é espécie imperdoável: teoricamente, o profissional é pago para registrar os fatos e só. Se quiser passarinhar, que faça literatura.

No Guindaste, posso cometer impunemente os textos que as redações tradicionais costumam renegar às estantes, mas que as editoras tampouco se animam a acolher. Nem jornalismo, nem literatura, esse filho bastardo aqui representado. Está mais para um pensar em voz alta. É sempre surpreendente descobrir que alguém ouça.

Categoria: Egotrip, Livros


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Comentário de: Thiago Email · http://betweenthedots.wordpress.com
Não acho surpreendente que "ouçam"; é tudo muito interessante exatamente por esses motivos: não é nem literatura, nem um simples ditar de fatos. Eu tenho um problema contrário, invento diálogos e tudo o mais que é uma beleza, mas nunca consigo reproduzir a verdade de um modo lá muito apetitoso. Vai entender esse bicho de vinte cabeças que é a criatividade, né?

Ah, Thiago, mas o que você faz é o mais difícil! O resto é treino: se escrever um pouquinho, todo dia, vai perceber que a coisa flui mais facilmente.
PermalinkPermalink 23.03.08 @ 20:28


Comentário de: Nelson (Pô, meu!) Email · http://www.nelsoncorrea.com/wordpress
Carol,
Há muito tempo me penduro aqui no seu Guindaste para saboerar seu texto muito gostoso. Acho, sinceramente, que se você ainda não foi tirada daqui para redigir para a TV, por exemplo, é porque nossa indústria é muito fraca. Seus diálogos são ótimos, não importa se são passarinhos ou não. Continuarei, falo por mim, a te ouvir, onde for que o Guindaste te leve.
Abraços e sucesso,

Ô, Nelson, por que raios você não é dono de uma emissora, hein? Muito obrigada por todas essas horas "pendurado" (adorei isso!) por aqui, rapaz! Gosto muito da sua companhia.
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 00:55


Comentário de: marcia · http://marciabenetti.blogspot.com
teu texto é muito, muito bom.
é refinado, tem uma sofisticação incomum.

não sei se você "precisa" escrever ficção.
acho que você é uma ótima cronista, no modo de olhar a realidade, no modo de narrar e também no modo de escolher o que narra.

admiro o teu estilo, gosto do que leio aqui.

Wow, bacana isso, Marcia. Tem razão: precisar, não preciso, mas adoraria escrever um livro infantil. Seu comentário tão gentil até me animou a arriscar uma história para os pequenos. Vai que da décima vez a gente acerta, né?
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 01:40


Comentário de: nine Email
carol eu tb acho que voce seria otima para escrever para tv,a tv a cabo ,por exemplo, deveria te contratar.Acho que voce é uma cronista de mao cheia,nao sou nenhuma especialista mas ja li muito e continuo a ler ,entao creio poder dar palpites!Qdo uma pessoa escreve textos ,poesias o que for, e toca as pessoas ,para mim ,ela esta fazendo literatura.O assunto sobre o que escreve tb conta,eu gosto do seu "filho bastardo" com passarinhos ou nao!bjs

Ei, Nine, precisa ser especialista nessas coisas do gostar, não! Saber que seus textos podem tocar alguém é o maior elogio que um blogueiro pode receber. E melhor ainda que não tenha vindo de um crítico, né? Afinal, é para o leitor comum que escrevo, gente como eu e você. Muito obrigada por adotar meus bastardos!
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 07:49


Comentário de: Emilio Email · http://estou-sem.blogspot.com
Enquanto você escrever, eu lerei. (Mesmo que fique com preguiça de comentar, de vez em sempre...)

Então, prosseguirei (mesmo que fique com preguiça de escrever, muito raramente...).
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 08:58


Comentário de: Luciana Carneiro Email
Adoro passarinhos! Como boa profissional de exatas as regras da literatura e do jornalisma me são totalmente misteriosas.

Continue assim, Carol!

Beijocas a todos.

Combinado, continuarei a passarinhar, então!
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 09:04


Comentário de: karina Email
Como assim onze anos que você é jornalista? Eu hein...

Hehe, comecei cedo, Karina. Minha festa de 18 anos foi dentro de uma redação.
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 09:27


Comentário de: Ricardo Email
Oi Carol , gosto de seus textos .

E eu dos seus comentários, Ricardo!
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 10:21


Comentário de: Renato Alt Email · http://www.aperteoalt.blogspot.com
Carol, por favor, fale sempre, fale o quanto puder. Seja com passarinhos ou com qualquer outro bicho (até os de sete cabeças), pode ter certeza de que não só eu mas muitos Guindasteiros estaremos de plantão, ansiosos, esperando.

Oba! ("Guindasteiros"?!? Sensacional!)
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 12:08


Comentário de: Ulisses Adirt Email · http://incautosdoontem.blogspot.com
Tem quem ouve... e com mta atenção. ;-)

Puxa, bom saber, Ulisses!
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 15:01


Comentário de: ferdi Email · http://ferdihenriques.blogspot.com/
Eu ouço e gosto.

Passarinho, que som é esse?

"Esse é o som do Guindaaaste, guindaaaaaaste... o guindaste é assim!" (Caramba, não deve ser muito fácil fazer música com o som de um guindaste em movimento, né?)
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 16:34


Comentário de: marcia Email · http://marciabenetti.blogspot.com
eu também não podia usar "através", apenas "por meio de"...
(sim, eu também trabalhei na Folha. :D)

beijo

Faz parte da série "Folha Implica", né? Vá entender... (Uia, quase que nos conhecemos!)
PermalinkPermalink 24.03.08 @ 21:37


Comentário de: Danilo Maia Email · http://www.submundodasenior.blogspot.com
Enquanto você estiver pensando em voz alta, eu fico por aqui ouvindo.


Cheiro!

Îeba! Cheiro no cê também.
PermalinkPermalink 25.03.08 @ 08:45


Comentário de: lilica Email
Ô Guindaste, não escuta ela não viu, vc não é bastardo, viu bastardinho (rsrsr)!
Vc é como uma águia sempre olhando em frente e no alto.. tipo,em segundo lugar do prêmio ibest, tá.
Fique surdo para sua dona e apenas se concentre nos comentários, q estão só elogios!!!

Segundo lugar no Ibest ou não, este pobre blog laranjinha não seria nada sem sua Madrinha oficial.
PermalinkPermalink 27.03.08 @ 14:06


Comentário de: Junior Email
Oi! Caí nesse post porque chegou um aviso no meu e-mail dizendo que tu havia respondido a um comentário meu. Já que estou aqui, vou te "encher" novamente e fazer mais um comentário. Talvez tu não consigas escrever ficção porque tu és uma excelente cronista, há pessoas que muito melhores na crônica que na ficção, isso não é nenhum demérito. Rubem Braga é o exemplo que me vem à cabeça. O que importa é o talento, não importa a forma artística em que ele se manifesta. Sobre o livro infantil, tomara que saia quando eu já tiver filhos, para que não ocorra o que aconteceu com o desenho "W.A.L- E". Um casal de amigos disse que é uma obra-prima, mas como não tenho filhos e meu primo de 9 nos não quis vê-lo, fiquei com vergonha de entrar sozinho na sala do cinema, rs.

Puxa vida, Junior, estou até com taquicardia depois desse seu comentário! Quer matar a cronista aqui do coração, é? Que lindo, sô! Ah, não fique com vergonha de ver o Wall-E sozinho, não! Vá, porque é lindo – e, cá entre nós, é bem mais voltado para adultos do que para crianças.
PermalinkPermalink 04.08.08 @ 15:04


Comentário de: renivaldo Email
Olá Carol, como andas? Querida parei no jornalismo ainda dentro da faculdade, a fabrica de fórmulas de como escrever um texto objetivo e sem vida. Compartilho da sua dificuldade em escrever ficção (coisa de louco mesmo esse "povo" que faz jornalismo querer ser escritor, deve estar no sangue)e depois de algumas tentativas desisti. Hoje me contento com minhas crônicas, artigos, poesias. Mas sendo sincero, foi uma delícia encontrar teu blog por acaso e ver um mundo novo, inteligente, diferente de muitos outros pelo próprio encanto de sua autora. Fui e continuo seduzido pelo seu texto. Continue assim, um doce beijo de um admirador das (suas)letras.

Puxa, rapaz, mas que bacana isso tudo, obrigada! Eu tento fugir das tais fórmulas a que você se refere, mas é difícil, as redações seguem o formato do lead americano como se fosse uma Bíblia. O jeito for amolar os internautas com meus devaneios. Fico feliz em saber que você gosta deles.
PermalinkPermalink 04.08.08 @ 17:10


Comentário de: Junior Email
Oi! Os seus textos retratam coisas que poderiam acontecer com qualquer pessoa, mas tu colocas um tempero que faz com que essas pequenas histórias corriqueiras tenham um sabor único e irresistível. Sinceramente, não esperava que o teu comentário te causasse tanta impressão, o que escrevi foi em conseqüência do teu próprio talento, é a famosa Lei da Física de Ação e Reação. Os seus textos ora fazem com que os leitores riam, algumas vezes provocam reflexão sobre o inusitado que acontece com todos nós e também fazem com que fiquemos emocionados, graças à tua sensibilidade. Carolina, não precisa agradecer por nada, nós, teus leitores é que agradecemos por tu colocares um pouco de poesia (falo em poesia no sentido amplo, no sentido de beleza, encanto, etc.) em nossos dias.

Gostei desse troço de tempero, Junior. Até porque sou uma péssima cozinheira, valhamedeus... Mas concordo com você na lei de ação e reação: ter o retorno dos leitores (para bem ou para mal, claro) é o que justifica escrever aqui. Sem vocês, não teria a menor graça. Obrigada pela companhia.
PermalinkPermalink 05.08.08 @ 11:49


Comentário de: Junior Email
Errei, ao invés de "teu comentário te causasse tanta impressão", o certo é : MEU comentário te causasse tanta impressão...

Nem tinha percebido, hehehe...
PermalinkPermalink 05.08.08 @ 11:51


Comentário de: Ulisses Adirt Email · http://incautosdoontem.blogspot.com
Carol... eu adoro este seu texto e já voltei aqui para lê-lo umas 10 vezes... Só que hoje eu li tb o do Mário Prata sobre passarinhos... A não ser que tenha sido um passarinho dele, parece que o termo é do Nelson Rodrigues. Confira aqui: http://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/o_passarinho_do_formiga.htm

Ô, Ulisses, nem sei o que agradeço primeiro, se é o fato de você vir aqui mais de uma vez ou se foi o ótimo link que me mandou. De fato, confundi a autoria por causa dessa história do Chico Buarque. Como o Mário Prata era um dos protagonistas, minha infeliz memória registrou a autoria do passarinho como sendo dele. Já troquei no texto — e aproveitei para colocar seu link. Muito obrigada!
PermalinkPermalink 10.08.08 @ 19:53


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