O carimbo didático
Lápis que brilha no escuro, canetinha com cheiro de morango, fichário com desenhos em alto relevo, etiquetas, post-its, carimbos bonitinhos, caixas de todos os tamanhos. Papelarias são o paraíso na Terra. São a Leroy Merlin dos escritórios, o Carrefour das borrachas perfumadas e dos sulfites coloridos, o suprassumo da Criação. Para mim, promovem ainda uma regressão imediata a meus tempos de colégio, quando minha mãe suava frio cada vez que vinha a lista de material escolar.
Passei a infância inteira copiando da lousa qualquer coisa que as professoras anotassem. Até trigonometria. Tudo para gastar logo o caderno velho e, ao fim de um ou dois bimestres, ser novamente agraciada com uma brochura novinha. A se estudar o impacto que teria no aprendizado das crianças se a indústria perfumista inventasse aroma de caderno novo ou essência de borracha branca.
Lamentavelmente, meu desempenho escolar era inversamente proporcional à quantidade de carimbinhos que eu ganhava. É que, mostrando total desconhecimento da mente infantil, minha professora enchia de imagens os cadernos dos maus alunos – embaixo de um desenho de cachorrinho, escrevia "precisa melhorar a letra!" e ainda carimbava dois passarinhos do lado. Dois passarinhos diferentes, um voando e outro pousado! Para os bons alunos, zero em criatividade: eu ganhava sempre um carimbo sem graça, no qual vinha escrito um efusivo "muito bem!". Sem bicho. Quem precisa de um "muito bem" quando tem três animais diferentes numa única lição?
Assim que descobri de onde vinham os carimbos – e que não era preciso ter diploma de Pedagogia para ter um deles –, passei a me auto-estimular. Quando voltava para casa com mais um "muito bem", pegava minha caixa de carimbos da Turma da Mônica e enchia as laterais da lição com Chico Bento, Magali e Cascão. Como fossem imagens apenas das cabeças, às vezes, ainda desenhava o corpo.
Minha professora não gostou nada daquela prova de superioridade discente e confiscou a Turma da Mônica. Até o Bidu ela pegou. "Use na aula de artes, está bem?" Carimbei um CHATA imaginário bem no meio da testa dela e saí correndo para o recreio.
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Agora é oficial!
Mauricio de Sousa é da Panini
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Não esqueço destes bons tempos.
Professoras amargas e mal amadas, descontando sua raiva nos alunos...
Ainda me recordo da Dona Ana... Como me xingava... eu era da pá virada eu sei... mas eu tinha certeza que um dia ela chegaria com uma faca na escola e tentaria me assassinar rs rs rs.
Também tive um professor com instintos assassinos, Ralph, mas era de Matemática. Fora ele, tenho boas lembranças da escola – exceto, claro, nas manhãs chuvosas, em que tudo o que eu queria era dormir mais um pouquinho...
Lembro que tive um professor que, um dia, fechou a porta da sala e começou a xingar os alunos enlouquecidamente. Devia ser deficiência de Zinco...
Afe, devia ser deficiência de sexo, isso sim.
Ah, Emilio, eu só gostava de caderno novo. Quando começava a ficar desbeiçado e cheio de orelhas, aí é que eu relaxava com a letra, que, confesso, nunca foi nenhuma maravilha...
Proscratinação mercadológica, talvez? Enfim... lembro muito bem dessa caisa de carimbões da turma da Mônica. Adorava ficar fazendo umas historinhas, mas ficava meio complicado de desenhar, então parecia um story-board de novela de rádio, pq desenho, fora a combinação réguas+compassos+esquadros, nunca foi o meu forte.
LEmbrança ruim da escola eu não tenho, fora uns dois ou três episódios de bulling, nada que me fizesse querer sair do país ou coisa do gênero. Só a vergonha suprema de ter a professora mais brava da escola falando que "alunos de verdade só os Carneiros". Na frente de toda a sala. MOrri de vergonha...
Beijocas à todos (de tarde, olha só!)
Procrastinação mercadológica? Sofro do mesmo mal, Lú, especialmente no que diz respeito da hidratantes e cosméticos em geral. Putz, maior responsa ser Carneiro, hein? Ainda bem que nasci Costa.
Se vc for pensar, é desestimulante mesmo um carimbo sem bichinhos!
Não é? Minha professora não entendia nada de carimbos, viu...
Que delícia esse texto. Me provocou uma avalanche de recordações do tempo de moleque na escola. Confesso era difícil me esconder, esse cabelo vermelho era a maior entregação. :-D
Mas a maioria das professoras me trazem boas recordações. Só tinha uma que eu tinha bronca que cismava de escrever na capa do meu caderno Nélson com acento agudo. hehehehehehehehehe
[]s,
Já eu sempre fui a mais minúscula da turma, daquelas que, quando fazia fila, sumia entre a menina da frente e a de trás. Mas minha maior lembrança da escola foi o dia em que mordi e chutei um aluno: é que eu adorava encarnar o cavalo selvagem e o moleque teve a brilhante idéia de me amarra num poste. Bem feito pra ele.
E tem lugar melhor para criança dormir do que na carteira da escola?
Ô, Marcolino, que comentário mais bacana, sô! Obrigada!
sem falar nas borrachas né? alguém já conseguiu acabar uma? eu NUNCA. sempre compro novas.
Borrachas são highlander, Tina. Elas renascem durante a noite.
Eu sempre tinha duas borrachas coloridas,dois lápis coloridos, duas canetas coloridas,eu ficava com uma unidade de cada e o resto à tia guardava e jamais me devolvia.
Nas tarefinha para casa eu recebia exatamente estes carimbos, dois pombos e um pintinho dentro de um ovo (JURO) me revolto porque o de todos ficava perfeito e o meu sempre sem a cabeça e lá ia eu terminar de desenhar o bico maior que a cara; lembro também que eu fazia carimbos com batata até federem e irem fora.
Ufa! Voltei!
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Guindaste já é rotina diária de boa leitura, Parabéns Carol! Um Beijo!
Pintinho sem cabeça? Meio psicopata a sua professora, hein? Meda. Oba, gostei disso de leitura diária! Beijão e boa Páscoa, Tiago!
Pior é que eu também estou viciada em blogar, Nine: quando percebo que alguma situação fez acender a luzinha do post, fico contando os minutos para chegar em casa e escrever a respeito, vê se pode? Eu não tenho mais os carimbinhos da Turma da Mônica – minha irmã ainda usou muito Cascão e Cebolinha, até que minha mãe desse a caixa para uma creche. Em compensação, andei comprando uns carimbo recentes maravilhosos. Só que, agora, não tenho mais lição de casa para carimbar...








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