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De gelar a espinha

Acontecia toda a noite: antes de ir dormir, eu prendia a respiração e, passinho rápido, atravessava os trinta metros de jardim escuro e cheio de grilos sinistros que separavam a casa do meu quarto, nos fundos. Fechada a porta – com duas voltas de chave –, o ritual era sempre o mesmo.

Primeiro, eu puxava as cortinas com a ponta de um cabo de vassoura. Nada de aranha assassina nem de louva-deus verde descomunal? Ótimo. Depois, dava uma checada atenta no guarda-roupa, afinal, nunca se sabe quando um facínora vai se refugiar justamente entre suas saias e vestidos. Escancarava a porta do banheiro até ouvir o trinco batendo na parede, o que significava que ela não escondia nenhuma criatura asquerosa. Como a parte debaixo da cama fosse absolutamente escura, poeirenta e assustadora – moradia em potencial para monstros, fantasmas, Cucas e Bois-da-Cara-Preta –, eu nem me aproximava muito. A dois metros do colchão, dava um pulo e mergulhava direto nas cobertas. Sem correr o risco de alguma coisa me pegar pelo tornozelo.

Eu sonhava em ser decoradora só para criar uma casa anti-assombração. Sem portas que batessem sozinhas, sem espelhos que refletissem coisas sobrenaturais, sem goteiras que criassem portais do além no teto, sem paredes que fantasmas pudessem atravessar. E com festas até o amanhecer, que monstro que é monstro o-d-e-i-a Village People.



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Comentário de: Ricardo Email
Essa é bem uma aventura que qualquer criança já passou,e vc me transportou até aqueles tempos, com seu estilo simples e fluído de escrever . Sim, eu também tinha medo de tudo isso , e hoje sinto falta daqueles tempos . Paradoxal ,não é ? Obrigado pelo transporte !

Transporte? Ui, isso sim é de gelar a espinha, Ricardo! Eu só conseguia dormir com uma lampadinha azul acesa a noite toda...
PermalinkPermalink 06.03.08 @ 16:12


Comentário de: Marília Email · http://maroma.wordpress.com/
hahahaha... tem épocas que a gente tem medo de cada coisa, né?

Tem épocas? Então, acho que nunca saí delas, Marília! Até hoje tenho medo de abelha e louva-deus...
PermalinkPermalink 06.03.08 @ 17:34


Comentário de: Danielle Email · http://iwantmylifeback.blogspot.com
Carol, amei!!!
Seu texto me fez lembrar do medo q eu tinha de entrar na cozinha de uma casa q morei em Uberlândia há uns 5 anos...
Duas das paredes da cozinha q davam para o quintal são janelas e tem um corredor mto grande ao lado de uma e mtas plantas pelo caminho q formavam o jardim atrás. Sombras das plantas e barulhinhos q não sabíamos de onde vinham estavam sempre presentes... Tinha uma árvore q causava uma sombra q lembrava uma pessoa bem pequena, mto creepy...
Abs

Sombras em forma de pessoinhas?!? Que do mal! Nem a pau juvenal que eu passava perto dessa casa à noite!
PermalinkPermalink 06.03.08 @ 17:40


Comentário de: Ricardo Email
Transporte mental até aquelas "aventuras" que deixaram saudade , cara Carol. Vc é magnífica !

Ufa! Ainda bem que não são viagens sobrenaturais, Ricardo! Obrigada!
PermalinkPermalink 06.03.08 @ 18:44


Comentário de: Nelson Email · http://www.nelsoncorrea.com/wordpress
Carol,
Fala sério, você vivia em um paraíso. Conta aí como era de dia. Fala desse quintal sob o sol.
Eu não precisava de luzinhas para dormir quando garoto. Mas já adulto, em uma madrugada infartei. Depois disso, passei um bom tempo acendendo luzinha quando dormia sozinho nos hotéis desse mundão.
Abração,

P.S. Pede pro time do Edney corrigir o link ali flash do banner da coluna Voadeira. ;-)

De dia era um gramadão, com um jovem limoeiro e uma amoreira filhote, gatos pelos muros e sol a pino. Mas, à noite... PS: Uai, aqui pra mim o link está certinho. Vai ver, seu computador não voa...
PermalinkPermalink 06.03.08 @ 19:08


Comentário de: Fernando Cury "o Pandão" Email · http://documentotupiniquim.com/
aaa garota! tem toda razão! Nunca vi um monstro se requebrando ao som de YMCA...

heheheh

bjo.

Claro que não, isso fere o artigo dois do Estatuto dos Fantasmas e Demais Criaturas Monstruosas, inciso primeiro, a saber: "Monstros não requebram. Jamais".
PermalinkPermalink 06.03.08 @ 20:29


Comentário de: Nelson Email · http://www.nelsoncorrea.com/wordpress
Carol,
É que normalmente não autorizo popups e a Voadeira vem de popup. Aí libero manualmente e acontece um bug gozado, pois ao invés de me enviar prá voadeira, me manda para esse canto perdido aí da casa de vocês.
http://www.interney.net/blogs/skins/guindaste/

Xí, isso é elaborado demais para meus parcos conhecimentos agatêemiélicos, Nelson! Oremos para Deus.
PermalinkPermalink 06.03.08 @ 21:08


Comentário de: Alcione Email · http://sarapateldecoruja.blogspot.com
Adoro as coisas que vc escreve...
Passe lá no meu blog, pois deixei um presentinho para vc. É modesto, mas espere que goste!
Bjos!

http://sarapateldecoruja.blogspot.com/2008/03/prmio-uma-mente-iluminada.html

Obrigada pelo presentinho, Alcione! Adorei!
PermalinkPermalink 06.03.08 @ 21:36


Comentário de: Renato Alt Email · http://www.aperteoalt.blogspot.com
Me lembrou o dia em que eu, com meus seis anos, vi no final do Fantástico (que ainda carregava o sobrenome "o show da vida") a exibição em primeira mão de Thriller, do ex-negro Michael Jackson. Em seguida, tinha de atravessar uma floresta infinita (aos meus olhos) até a casa onde eu dormiria.
(...)
Só que mais assustador ainda é ver que agora comemoramos os 25 anos dessa música...

Bem lembrado, Renato! Thriller foi meu primeiro grande susto da infância, só perdendo para aquela invenção do demo chamada E.T.!
PermalinkPermalink 07.03.08 @ 01:02


Comentário de: Luciana Carneiro Email
E pensar que eu gostava de gibis de terror qdo eu era pequena... hoje me assusto até com aranha de jardim! Coisas da vequiáia...

Beijocas pra vc, Carol

Depois de assistir O Orfanato, do J. A. Bayona (valeu, Danilo!), me considero a pessoa mais corajosa do mundo! É claro que não preciso dizer que passei metade do filme com os olhos fechados, mas eu agüentei firme e forte até o final!
PermalinkPermalink 07.03.08 @ 07:45


Comentário de: bic azul Email · http://www.absurdosabstratos.wordpress.com
Não são só os monstros que detestam os fantasiados que só fazem sucesso em festa de formatura, depois de muita birita. :)

Eu passei grande parte da infância sozinho em casa. Me sentia como o Will Smith nesse último filme. Às vezes respeitava os métodos, às vezes saía no quintal gritando "venham me pegar!" ;)

Eram só monstros imaginários. Meninos adoram bichos asquerosos. A parte ruim é que a gente acabava matando eles enquanto brinca. Pobres tatus-bola.

"Venham me pegar?" Quando eu crescer, quero ser corajosa assim, Bic! Pobres tatuzinhos...
PermalinkPermalink 07.03.08 @ 09:19


Comentário de: Ralph Email · http://www.esculhambanet.com
Boa Carol, acho que todos passaram por alguns momentos deste tipo durante a infância.
Tenho 30 anos hoje e me recordo que entre meus 10 aos 14 tinha muitas cismas com escuro, ainda mais de assistir ao A Hora do Pesadelo, não me recordo qual edição, mas era uma que no final ele pegava a menina e puxava ela na cama se afundando.

Depois disto antes de dormir dava uma olhada básica (pelo menos 3x) embaixo da cama antes de dormir imaginando que poderiam me puxar ali para baixo.
Quando ia apagar as luzes era meio que test drive da lâmpada rs, apagava fingia que ia deitar e acendia rapidamente para ver se havia algo se movimentando dentro do quarto ou pelas redondezas da cama, somente na quarta vez dava aquele mergulho em direção a cama, o chinelo havaianas ficava lá perto do interruptor tamanho o salto rs.
Tirando o medo de aranhas também, tomei uma vez uma picada daquela aranha armadeira, que dizem ser bem perigosa, depois disso eu via aranhas em todo canto... mas não me tornei o homem aranha :(... mas o trauma persiste até hoje... estes bichos são do mal... te garanto....

Beijos.
Ralph

Meu chinelo ficava pertinho da minha mão, para o caso de algum ataque repentino de insetos.
PermalinkPermalink 07.03.08 @ 13:14


Comentário de: Danilo Maia Email · http://www.submundodasenior.blogspot.com
Como sempre, o chato: Carol, "O Orfanato" não é do Guillermo del Toro. Ele é o produtor, mas o diretor é J. A. Bayona.
É que no cartaz, o nome dele vem maior que o do diretor [só por conta d'O Labirinto do Fauno]. O mesmo aconteceu com "O Albergue". O nome "Quentim Tarantino" era maior que "Eli Roth".

Pois é, eu bem que reparei que O Orfanato deixa muito a dever em termos deltorísticos, viu? O diretor pesa a mão nos momentos em que estava na cara que o Del Toro seria pianinho... Obrigada, já corrigi!
PermalinkPermalink 07.03.08 @ 16:03


Comentário de: nine Email
Nossa carol adorei o conto!eu pensava que so eu e o calvin é que tinhamos medo dos monstros que moram embaixo da cama..tenho medo de mariposas até hoje ,porque um tio meu ,toda a noite (ele morou uns tempos em casa)dizia que elas se transformavam em bruxas se nos dessemos as costas para elas..Na duvida nao se vire qdo ver uma..bjs

Outro dia, entrei em uma sala de reunião e percebi que uma colega passou o tempo todo olhando fixamente para a cortina. Só depois que a reunião acabou é que percebi que havia uma mariposa e-nor-me na janela. Mas eu acho elas tão bonitinhas, tadinhas...
PermalinkPermalink 07.03.08 @ 17:24


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