De gelar a espinha
Acontecia toda a noite: antes de ir dormir, eu prendia a respiração e, passinho rápido, atravessava os trinta metros de jardim escuro e cheio de grilos sinistros que separavam a casa do meu quarto, nos fundos. Fechada a porta – com duas voltas de chave –, o ritual era sempre o mesmo.
Primeiro, eu puxava as cortinas com a ponta de um cabo de vassoura. Nada de aranha assassina nem de louva-deus verde descomunal? Ótimo. Depois, dava uma checada atenta no guarda-roupa, afinal, nunca se sabe quando um facínora vai se refugiar justamente entre suas saias e vestidos. Escancarava a porta do banheiro até ouvir o trinco batendo na parede, o que significava que ela não escondia nenhuma criatura asquerosa. Como a parte debaixo da cama fosse absolutamente escura, poeirenta e assustadora – moradia em potencial para monstros, fantasmas, Cucas e Bois-da-Cara-Preta –, eu nem me aproximava muito. A dois metros do colchão, dava um pulo e mergulhava direto nas cobertas. Sem correr o risco de alguma coisa me pegar pelo tornozelo.
Eu sonhava em ser decoradora só para criar uma casa anti-assombração. Sem portas que batessem sozinhas, sem espelhos que refletissem coisas sobrenaturais, sem goteiras que criassem portais do além no teto, sem paredes que fantasmas pudessem atravessar. E com festas até o amanhecer, que monstro que é monstro o-d-e-i-a Village People.
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Contículo
Blam!
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Transporte? Ui, isso sim é de gelar a espinha, Ricardo! Eu só conseguia dormir com uma lampadinha azul acesa a noite toda...
Tem épocas? Então, acho que nunca saí delas, Marília! Até hoje tenho medo de abelha e louva-deus...
Seu texto me fez lembrar do medo q eu tinha de entrar na cozinha de uma casa q morei em Uberlândia há uns 5 anos...
Duas das paredes da cozinha q davam para o quintal são janelas e tem um corredor mto grande ao lado de uma e mtas plantas pelo caminho q formavam o jardim atrás. Sombras das plantas e barulhinhos q não sabíamos de onde vinham estavam sempre presentes... Tinha uma árvore q causava uma sombra q lembrava uma pessoa bem pequena, mto creepy...
Abs
Sombras em forma de pessoinhas?!? Que do mal! Nem a pau juvenal que eu passava perto dessa casa à noite!
Ufa! Ainda bem que não são viagens sobrenaturais, Ricardo! Obrigada!
Fala sério, você vivia em um paraíso. Conta aí como era de dia. Fala desse quintal sob o sol.
Eu não precisava de luzinhas para dormir quando garoto. Mas já adulto, em uma madrugada infartei. Depois disso, passei um bom tempo acendendo luzinha quando dormia sozinho nos hotéis desse mundão.
Abração,
P.S. Pede pro time do Edney corrigir o link ali flash do banner da coluna Voadeira. ;-)
De dia era um gramadão, com um jovem limoeiro e uma amoreira filhote, gatos pelos muros e sol a pino. Mas, à noite... PS: Uai, aqui pra mim o link está certinho. Vai ver, seu computador não voa...
heheheh
bjo.
Claro que não, isso fere o artigo dois do Estatuto dos Fantasmas e Demais Criaturas Monstruosas, inciso primeiro, a saber: "Monstros não requebram. Jamais".
É que normalmente não autorizo popups e a Voadeira vem de popup. Aí libero manualmente e acontece um bug gozado, pois ao invés de me enviar prá voadeira, me manda para esse canto perdido aí da casa de vocês.
http://www.interney.net/blogs/skins/guindaste/
Xí, isso é elaborado demais para meus parcos conhecimentos agatêemiélicos, Nelson! Oremos para Deus.
Passe lá no meu blog, pois deixei um presentinho para vc. É modesto, mas espere que goste!
Bjos!
http://sarapateldecoruja.blogspot.com/2008/03/prmio-uma-mente-iluminada.html
Obrigada pelo presentinho, Alcione! Adorei!
(...)
Só que mais assustador ainda é ver que agora comemoramos os 25 anos dessa música...
Bem lembrado, Renato! Thriller foi meu primeiro grande susto da infância, só perdendo para aquela invenção do demo chamada E.T.!
Beijocas pra vc, Carol
Depois de assistir O Orfanato, do J. A. Bayona (valeu, Danilo!), me considero a pessoa mais corajosa do mundo! É claro que não preciso dizer que passei metade do filme com os olhos fechados, mas eu agüentei firme e forte até o final!
Eu passei grande parte da infância sozinho em casa. Me sentia como o Will Smith nesse último filme. Às vezes respeitava os métodos, às vezes saía no quintal gritando "venham me pegar!"
Eram só monstros imaginários. Meninos adoram bichos asquerosos. A parte ruim é que a gente acabava matando eles enquanto brinca. Pobres tatus-bola.
"Venham me pegar?" Quando eu crescer, quero ser corajosa assim, Bic! Pobres tatuzinhos...
Tenho 30 anos hoje e me recordo que entre meus 10 aos 14 tinha muitas cismas com escuro, ainda mais de assistir ao A Hora do Pesadelo, não me recordo qual edição, mas era uma que no final ele pegava a menina e puxava ela na cama se afundando.
Depois disto antes de dormir dava uma olhada básica (pelo menos 3x) embaixo da cama antes de dormir imaginando que poderiam me puxar ali para baixo.
Quando ia apagar as luzes era meio que test drive da lâmpada rs, apagava fingia que ia deitar e acendia rapidamente para ver se havia algo se movimentando dentro do quarto ou pelas redondezas da cama, somente na quarta vez dava aquele mergulho em direção a cama, o chinelo havaianas ficava lá perto do interruptor tamanho o salto rs.
Tirando o medo de aranhas também, tomei uma vez uma picada daquela aranha armadeira, que dizem ser bem perigosa, depois disso eu via aranhas em todo canto... mas não me tornei o homem aranha
Beijos.
Ralph
Meu chinelo ficava pertinho da minha mão, para o caso de algum ataque repentino de insetos.
É que no cartaz, o nome dele vem maior que o do diretor [só por conta d'O Labirinto do Fauno]. O mesmo aconteceu com "O Albergue". O nome "Quentim Tarantino" era maior que "Eli Roth".
Pois é, eu bem que reparei que O Orfanato deixa muito a dever em termos deltorísticos, viu? O diretor pesa a mão nos momentos em que estava na cara que o Del Toro seria pianinho... Obrigada, já corrigi!
Outro dia, entrei em uma sala de reunião e percebi que uma colega passou o tempo todo olhando fixamente para a cortina. Só depois que a reunião acabou é que percebi que havia uma mariposa e-nor-me na janela. Mas eu acho elas tão bonitinhas, tadinhas...
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