O garoto extraordinário
Ele se chama Daniel Tammet, tem 29 anos e é um dos mais brilhantes autistas do mundo. Sabe onze idiomas, entre eles o islandês, que aprendeu em uma semana. Enxerga os números com cor e textura e é capaz de contar 22.500 dígitos do pi de cabeça. Mas o que difere sua vida extraordinária da dos demais gênios da raça é que Daniel, ao contrário da maioria dos autistas, tem um auto-conhecimento impressionante e consegue falar – e escrever – sobre como interpreta o mundo ao seu redor. Esse poderia ser um bom argumento para uma ficção. Ainda que pareça tão inverossímil, Nascido em um Dia Azul é auto-biográfico.
Não imaginava que pudesse me reconhecer em várias passagens da vida de um autista. Também tive uma infância introspectiva, cheia de experiências táteis e visuais muito intensas. Passava horas quieta, sozinha, montando quebra-cabeças, desenhando ou fazendo origamis. Sempre amei os animais e gostava da companhia dos gatos: sou capaz de ficar longos períodos apenas observando como eles se movem, dormem ou se lavam. Aprendi a ler, escrever e fazer contas um ano antes das outras crianças – o que deve soar um tanto patético para um gênio como Daniel. No segundo dia de aula, a diretora chamou meus pais e sugeriu que eles me adiantassem um ano. Sabiamente, minha mãe não quis: eu era uma garotinha franzina e ela achou que eu ficaria intimidada na presença de alunos maiores. Com isso, minha professora das séries iniciais me deixava ficar a manhã inteira na biblioteca. Até completar sete anos, a escola se resumiu a longas horas entre os livros.
É claro que essas pequenas coincidências não me tornam dotada de um QI alto ou de algum talento especial – para tabuadas, certamente não. Ao compartilhar suas memórias e sua dificuldade em se moldar aos padrões da sociedade, Daniel Tammet nos fala sobre como é bela e dolorosa a experiência de ser você mesmo.
PS: Acabo de descobrir que está no You Tube um especial que o Channel 5 produziu com Daniel Tammet, The Boy with the Incredible Brain. A primeira parte está aqui. Infelizmente, nenhum dos vídeos tem legendas em português.
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Maria Cristina Mirizola
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Deve ser um livro no mínimo interessante!
O garoto é mesmo genial, Marília!
O livro do Daniel Tammet está na minha lista de espera. Eu também, quando criança, tinha meus momentos de introspecção, acho normal. Mas a capa do livro me trouxe lembranças do quanto é difícil em uma sociedade não ruiva, ser uma criança ruiva e sardenta. É duro. :-)
Abraços e sucesso,
Quando eu era criança, queria ser ruiva e sardenta. Sempre achei um charme aquelas pintinhas!
Curioso que sempre haja um revés na vida de quem recebeu um dom especial. Curioso como a sociedade sempre proteja-se, excluindo e rotulando aqueles que fogem ao padrão que ela própria definiu como o da normalidade.
Assim sendo, quem pode dizer que é normal?
Confesso que eu não faço a menor questão, e isso não vem de agora, mas desde que existe chuva e uma janela para admirá-la, sozinho, horas a fio.
Ô, coisa boa que é ver chuva, sô!
Renato sabe o que diz!! *FATO!*
Ah, Carol, 'cê sabe que esse já vai entrar pra minha lista, né?!
Cheiro no olho!
É um bom contraponto para O Estranho Caso do Cachorro Morto, que não te agradou tanto assim, Dã!
Você escreve de uma maneira sensacional que nos faz viajar....
Bjs
Você é que é uma fofa! Tenho certeza de que os dois livros vão te dar uma boa idéia do que é o autismo, sob a ótica de quem vive isso.
Hoje, ser ruivo e sardento é mole, mas criança foi barra. Pode acreditar. :-)
Vejo que temos um ex-menininho ruivo e sardento bem chateado por aqui, hein? Se ajudar, mesmo quando eu era criança achava ruivos e sardentos super cool.
Sumi mas tou adorando voltar e ler tanta coisa boa.
Beijoca.
E eu estou adorando recebê-la de volta!
:-D
É a mais pura verdade!
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