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Primeiro, foi uma amiga que ofereceu. Eu, que sempre fui careta, virei alvo de olhares maldosos quando disse não. "Larga de ser boba, experimenta." Resisti. Logo, em qualquer lugar que eu fosse, encontrava viciados, sempre com aquele ar cool de quem acha que pode parar quando quiser. "Pelo menos eu vou ter algo para contar para meus netos", comentou um amigo, no auge do delírio. Meses depois, cansada de fugir das rodinhas, acabei experimentando. E, claro, também fiquei viciada em Lost.
O problema com o vício não é só que ele te come por dentro. Maconha broxa, cocaína torra neurônio, heroína é tão rápida que mal dá para anotar a placa do que te atropelou. Tudo isso é mais que sabido. Mas nunca vi nenhum maconheiro conseguir droga de graça, muito menos pela internet. Não conheço cocainômano que passe a noite em claro elaborando teorias a respeito do Lostzilla, nem viciado que tenha tremedeiras só de ouvir falar em greve de roteiristas.
A tradicional família brasileira não está pronta para essas drogas modernas. Nenhum ser humano deveria ser submetido a doses periódicas de Jack Shephard e James "Saywer" Ford para, depois, ser obrigado a passar seis meses de abstinência compulsória. Porque não existem clínicas de reabilitação para viciados em seriados, passo horas vasculhando a internet em busca de "download de Lost", um tequinho de informação aqui – Evangeline Lilly (Kate) e Dominic Monaghan (Charlie) estão namorando na vida real –, uma ponta de fofoca ali (será que a série vai mesmo acabar na quarta temporada?). É degradante.
Só agora que a última temporada estreou nos Estados Unidos é que descobri como estou dependente. Para quem viu Lost em DVD, numa maratona que se estendeu por vários finais de semana, ter de esperar seis meses para o início da quarta temporada foi um suplício. Mas ter de esperar uma semana para ver cada um dos (ditos) últimos episódios, isso sim, é de enlouquecer.
Nunca ansiei tanto pelas sextas-feiras como neste mês: é quando meu fornecedor de episódios corsários gentilmente bota no ar mais uma leva de arquivos que, descompactados, se transformam na Ilha como que por encanto. E tudo legendado. Eu sei que é vício, mas posso parar quando eu quiser – embora algo me diga que só vou querer no final de maio.
E isso é tudo o que tenho para contar para meus netos.

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First, it was a friend who offered. I, the one who's always been square, became the center of despising glares when I said NO. “ Stop being such a dork, try it.” I resisted. Soon, everywhere I went, I ran into junkies, all of them acting cool, as if they could kick the habit whenever they wanted to. “At least I'll have something to tell my grandchildren.”, remarked a friend at the height of his delusion. Months later, tired of avoiding the junkie gatherings, I tried it. And, of course, I'm now addicted to Lost.
The problem with addiction is not just that it eats you from the inside out. Pot brings you down, coke fries your brain cells, heroin is so fast you barely know what hit you. This is all well known. However, I've never seen any pot smoker score some ganja for free, much less over the internet. I don't know any cokehead that spends nights elaborating theories about Lostzilla, nor a junkie that gets the shakes from hearing about the screenwriter's strike.
The traditional, Brazilian family isn't ready for these new drugs. No human being should be submitted to periodic doses of Jack Shephard and James "Saywer" Ford, only to be submitted to six months of compulsory withdrawal. Because, there are no rehab clinics for series junkies. I spend hours on the web, searching for a “Lost download”, a piece of information here – Evangeline Lilly (Kate) and Dominic Monaghan (Charlie) are dating in real life - , a bit of gossip there (is the series really going to end in its fourth season?) It's degrading.
Only now that the last season has started in the US, have I discovered how hopelessly dependent I've become. For someone that has seen Lost on DVD, in a marathon that that spanned several weekends, waiting six months for the beginning of the fourth season was murder. But, having to wait a week to watch each one of the last (so they say) episodes... that's just too maddening for words.
I've never been so anxious about Fridays as I am this month: it's when my supplier of pirate episodes kindly airs a pack of files, which when dezipped, magically transform themselves into the Island; and with subtitles. I know it's a vice, but I can stop whenever I want to – although something tells me that I'm only gonna wanna stop at the end of May.
And that's all I have to tell my grandchildren.
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Abraços.
Que bom, Rodrigo! Seja bem-vindo!
Bjs
Está limpa? Simpsons é muito mais viciante que Lost! Procure já um centro de desintoxicação!
Há alguns anos, ganhei as duas primeiras temporadas de presente. Passei dia e noite acordado assistindo. Terminava um DVD, colocava o outro (as duas temporadas dá um total de 08 DVD's).
Foi um dia maravilhoso!!!
E quando ganhei a terceira temporada foi do mesmo jeito.
Ah, e outro dia, eu aluguei a primeira temporada de Heroes e fiz igual.
Ok, ok. Podem me internar!!
Venho de uma sucessão de drogas, como, aliás, é comum aos viciados. Comecei com Arquivo X. Depois, Friends. Agora, por culpa de amigos, sou capaz de roubar e matar por uma bituca de Lost ou 24 Horas. Por sorte não gostei de Sex and the City nem Heroes.
Eu tive um vício desses com Arquivo X, fazia até parte de um grupo q conseguia os episódios mais cedo primeiro vindo dos EUA em fita VHS e depois pelo mIRC e só nas últimas temporadas em arquivo fechado pra baixar no pc e me roia o tempo todo pelas notícias.
Gostei mto de Lost, mas depois comecei a ficar desapontada nesta última temporada exibida na tv a cabo e não sei se volto mais a assistir... Do q tá passando agora, não via a hora de começar CSI (Las Vegas) e não tive a coragem de baixar nenhum ep pela greve dos roteiristas e vou assitir tudinho pela tv.
Abs,
Danielle
Eu também comecei com Arquivo X, Danielle! Às vezes, não conseguia nem dormir de tanto medo, mas isso não me impediu de assistir a todos os episódios, religiosamente.
Talvez não o tenha feito até então por ter percebido que fiquei muito pra traz, mas vou encarar... hehehe
Belo texto amiga!
Bjo.
Mas é melhor assistir assim, Fernando! Quando comecei, também estava para trás, mas bastam dois finais de semana de maratona Lost para você ver tudo e ainda ficar roendo as unhas esperando os episódios atuais.
Juro que não entendo. Mas também nem quero.
Que coisa.








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