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O prédio inteligente

Eram exatamente 20h30 quando as luzes se apagaram repentinamente. Olhei para os lados, o andar inteiro estava na penumbra, exceto pelo azul de uma tela de computador, acesa lá no fundo. Eu terminava algumas resenhas e estava tão entretida na leitura de O Livro dos Livros Perdidos que nem tinha me dado conta de que todos já tinham ido embora. Levantei e fui tateando no escuro, tropeçando em cadeiras e cestos de lixo, em busca de um interruptor. Dei uma topada numa quina e praguejei baixinho.

“É só ligar no ramal da luz e pedir para reacenderem seu lado”, me sugeriu a garota escondida atrás do computador ligado. Perguntei se ela continuaria trabalhando no escuro por muito tempo. “Ah, já acostumei.”

Há quinze dias, vivo a estranha experiência de trabalhar num prédio inteligente. Todas as manhãs, passo pelo ritual de entregar RG, responder a um monte de perguntas, ser fotografada e, com sorte, ser autorizada a subir e fazer meu trabalho. Mas que não bote as asinhas de fora: o crachá só permite que eu tenha acesso ao andar que me é de direito. Nada de perambular por outras redações: descobri isso depois de subir alguns lances de escada para ir a outra redação e me deparar com uma saída envidraçada e intransponível. Fiquei dez minutos acenando até que uma bendita faxineira me salvou do ridículo.

Coisas curiosas acontecem no prédio onde trabalham milhões de jornalistas, diagramadores, fotógrafos e arquivistas para levar às bancas as revistas com o selo Abril. Pela intranet, consigo saber exatamente o que vão oferecer no bandejão e as calorias de cada alimento (um brigadeiro médio = 186 calorias) – posso até mesmo encomendar o prato do chefe, um cardápio balanceado, feito por uma nutricionista.

Tudo aqui é reduzido, reutilizado e reciclado. Há lixeiras de coleta de papel por todos os lados e banheiros super falantes. Aliás, todos os cantos ostentam montes de recomendações, desde “abra a porta com cuidado, risco de acidentes” até um enigmático “não use esta escada para acesso aos andares, só dá saída para o térreo”. Medo.

Hoje é meu último dia nas entranhas de um prédio inteligente. Vou precisar de umas semanas até me acostumar com o fato de que as luzes não se apagam sozinhas às 20h30.


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Carolinaaaaa!

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Comentário de: denise Email · http://drang.org
Ui, que medo! Lembrei do filme em que havia uma casa inteligente e o computador pirou e prendeu a mulher dentro de casa porque ele queria um filho. Acho que era o 'Geração de Proteus',nossa , fiquei apavorada. He he.(eu era garotinha)
beijo, menina

A casa era inteligente mesmo, hein, Denise? Deve ter tido uma visão premonitória de crianças pintando paredes e quebrando vidraças. Agiu em legítima defesa.
PermalinkPermalink 01.02.08 @ 20:32


Comentário de: Danilo Maia Email · http://www.submundodasenior.blogspot.com
huahuahuhuahuahuahuahua... Ei, esse terceiro parágrafo deveria ir para o Tarja Preta. hehe

Pior é que isso aconteceu pelo menos duas vezes, Dã. Aiai...
PermalinkPermalink 04.02.08 @ 19:49


Comentário de: Marília Email · http://maroma.wordpress.com
Deve ser realmente estranho...

Super, Marília.
PermalinkPermalink 05.02.08 @ 00:36


Comentário de: Ricardo Email
Eu acho que as máquinas , de um modo geral , , ou total , devem obedecer a nós , humanos , e não o inverso . Vc já percebeu isso há muito tempo . Afirmo que continuo gostando de seu blog . Cda vez mais . Vc é finamente inteligente . Não me pergunte o que é ser grosseiramente inteligente , eu não saberia responder . Adorei seus desenhos , mesmo aqueles q vc insiste em dizer que não ficaram bons . Eu ganhei um blog sensacional prá ler e comentar . Obrigado Carol .
PS : a foto de sua mãe c/ vc ainda dentro dela ( eu poderia dizer no útero ) , mas acho dessa forma mais autêntica , porque bem simples e singelo . Amo a simplicidade .

E eu ganhei um leitor super participativo! Saí no lucro, hein?
PermalinkPermalink 07.02.08 @ 21:10


Comentário de: Ricardo Email
Ambos saímos no lucro , porque há a interatividade entre vc que redige o blog , e eu que o leio e comento . Com os demais também é assim , claro. Bom final de domingo prá vc .

Procê também, mocinho!
PermalinkPermalink 17.02.08 @ 18:34


Comentário de: Ricardo Email
Vc escreve na VIDA SIMPLES ? Eu sempre compro essa revista . É excelente exatamente porque trata os assuntos de forma simples , mas ao mesmo tempo,é muito bem escrita e com dicas e textos sensacionais,deliciosos. Desculpe não haver percebido antes. Acho que é porque não a conhecia. Congratulações Carol .

Faço freelas para a Vida Simples, sim, Ricardo. Mês que vem sai mais um textinho meu, na seção Mente Aberta. Também sou fã da revista, não só pelas ótimas pautas como também pelo visual cuidado e de bom gosto.
PermalinkPermalink 18.02.08 @ 18:47


Comentário de: Ricardo Email
Gostei muito da matéria sobre o garoto autista (não lembro o nome dele . Me desculpe ).Me identifiquei c/ as passagens sobre introspecção suas , porque eu sempre fui assim , também . E ainda sou ! Sobre a VIDA SIMPLES , eu lerei a revista como sempre o faço todos os meses , mas agora c/ um prazer especial : o de conhecer , ainda que somente conversando virtualmente, uma autora de um de seus textos . Vc é brilhante, sensível e inteligente . Uma excelente noite , e um amanhecer melhor ainda .

Ô, Ricardo, assim eu morro de vergonha... que brilhante, que nada! Sou uma jeca do bem. É tudo e já é tanto, sô.
PermalinkPermalink 19.02.08 @ 19:41


Comentário de: Ricardo Email
Discordo de vc , cara Carol . Acho-a brilhante . Tenho que falar a verdade . Feliz noite de quarta , e uma quinta - feira abençoada prá vc .

Que delícia isso, Ricardo! Obrigada! Boa semana procê também.
PermalinkPermalink 20.02.08 @ 19:03


Comentário de: Ricardo Email
Legal seu comentário . Por favor , não esqueça nada no fogo , antes de dormir . Feliz sexta-feira . Confesso : gosto muito de conversar com vc .

Tarde demais: acabo de dar perda total em uma panela de teflon. Também gosto das nossas conversas, Ricardo!
PermalinkPermalink 21.02.08 @ 21:23


Comentário de: Ricardo Email
É que eu li em seu blog a história de seu gato , chamado Oto , se não me engano . Achei super divertida a forma como tratou o assunto , muito espitituosa , e com um texto sempre bem escrito. O problema é que esquecer panelas no fogo à noite , enquanto dormimos , é sempre perigoso.Sei que sabe disso . É que me lembrei de mim mesmo , que tenho a mania de olhar 1000 vezes( deve ser TOC) , se desliguei o fogão , após preparar um de meus "quitutes" . Ótima noite Carol .

Pelo menos, esse TOC serve para alguma coisa, Ricardo. Porque minhas manias de organizar as roupas por cor ou os produtos de limpeza por ordem de tamanho, só servem para me deixar mais maluca.
PermalinkPermalink 22.02.08 @ 19:08


Comentário de: Ricardo Email
A história de seu carro está muito legal .Vc consegue escrever de uma forma que é quase como se estívessemos lá. Me senti subindo de carro e depois a pé ,com um vento frio no rosto , como já aconteceu , acho que Sta. Catarina , mas não tenho certeza, durante minhas férias. Matéria legal .Congratulations and thanks .

Obrigada, Ricardo! Tem uma pergunta fazendo coceira aqui: por que raios você comenta um post na caixa de comentários de outro post? Eu adoro nossas conversas, não se sinta incomodado com a pergunta, é que você é o único leitor que faz isso. Acho bem curioso...
PermalinkPermalink 25.02.08 @ 18:05


Comentário de: Nine Copetti Email · http://www.devaneiosdechocolate.com
[não use esta escada para acesso aos andares, só dá saída para o térreo"]

Carol, isso tá parecendo os sonhos que eu tenho, onde fico descendo e subindo escada (simples, de clubes, de hospital, de livrarias, escadas retas, caracol, que começa num lugar e termina em outro, que vai do mercado ao hospital sem mudar nada... e pior, não consigo passar por nenhuma até o fim, e olha que ando horrores, já conheço todas as escadas imaginárias possíveis e impossíveis... hahaha!!!!

Uau, seus sonhos são assinados pelo Robert Wiene? Se bem que isso tem pinta de David Lynch. De qualquer forma, você está bem dirigida, hein?
PermalinkPermalink 15.09.09 @ 22:29


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