Às compras
Por cima de discussões ideológicas ou de cunho separatista, uma palavra é universal em toda a Espanha: rebajas. Ainda que em catalão se escreva "rebaixes", nem mesmo uma mulher que tenha sido criada por macacos até a vida adulta é capaz de passar incólume pelo Grande Dia das Ofertas, quando toda a Espanha entra em liquidação e os lojistas competem pelas melhores vitrines e os maiores descontos.
Como em qualquer parte do mundo, um saldão como esses é a institucionalização do inferno na Terra. Um colega catalão disse que, tradicionalmente, desde as 5 horas da manhã, uma multidão se aglomera às portas da El Corte Inglés, a maior loja de departamentos que existe na Espanha. E isso porque o comércio só abre às 9h. Nunca vi nada igual.
São oito andares bem organizados de todo o tipo de produtos possíveis: bolsas, sapatos, perfumes, roupas para senhoras, mulheres, homens, jovens, crianças e bebês, material esportivo, equipamentos eletrônicos, livros, brinquedos. De echarpes de seda pintada na Índia a leite desnatado, boa parte das ofertas levam o selo El Corte Inglés – até uma agência de viagens eles têm. São tantas filiais, tudo tão grande e variado, que fizeram a memória do falecido Mappin parecer um borrão nas minhas tardes de domingo de criança, quando ia com meus pais comer feijoada e checar o último LP do Bambalalão.
Mas não é somente na El Corte Inglés que as rebajas fazem vítimas. Por onde quer que se olhe, mulheres ostentam sacolas como se fossem espólios de guerra - e, de certo modo, o são. Isso porque as liquidações na Espanha seguem a mesma lei das liquidações no mundo todo: agarre seu produto e salve-se quem puder. Isso quase sempre é sinônimo de toda a sorte de baixarias jamais vistas, cotoveladas, unhadas, safanões, impropérios, furtos desavergonhados e guerras declaradas. Coisas das quais você vai se lembrar, no dia seguinte, com um misto de culpa e triunfo, ao ver no seu armário aquela bota maravilhosa que custou uma ninharia, ou quando estiver vestindo a blusa que teve de disputar no cabo-de-guerra com duas senhorinhas, uma delas numa cadeira de rodas.
E eu, que até então vinha sendo massacrada pelo peso da moeda européiaconsigo ir às compras sem suar frio ao ouvir o barulho da máquina de cartão de crédito. Se as coisas continuarem assim, quero só ver como vou levar isso tudo para o Brasil...

Até imobiliárias e floriculturas entram nas rebajas
PS: Depois, comida de avião, um esporte de risco.
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É difícil resistir a essas mega-promoções! Até meu pai já foi numa dessas... numa loja que vende eletrodomésticos... ficou na fila de madrugada e tudo o mais...
Pobre tem que aproveitar, né? É o momento!
Quanto à viagem de volta, qualquer coisa você aluga um container!
Será que as liquidações chegaram às fábricas de contêiner?
Não sabe a tortura que é ler sobre essa liquidação, tão de longe...
H-u-m-p-f!!!
Ai, flor, desculpe!








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