As cinco dicas de ouro
Há tantos anos que venho acalentando esta viagem pela Espanha que amigos, parentes, leitores, todo mundo tinha uma sugestão para me dar. Algumas eram dicas de lugares imperdíveis para ir - o grandioso Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa; os disputados museus do Prado e Reina Sofia, em Madri; a torre de La Giralda, em Sevilha; o Bairro Gótico, em Barcelona -, a que acrescentei uns pontos de turismo bem particular, como a Real Escola de Equitação, em Jerez de La Fronteira, o flamenco da Casa Patas, em Madri, e "alguma loja divertida", em qualquer canto.
A despeito das orientações para não acessar internet de lugares suspeitos, não andar em ruas desertas e levar o dinheiro na meia (uma prática realmente desconfortável quando se está com duas meias de lã debaixo da calça), logo percebi que prefiro ser o menos turista possível. Adoro vagar pelas ruas, andar de metrô e tomar café nos mesmos botecos que os nativos freqüentam. Fujo de city tours, guias e roteiros de mapas, ainda que esteja perdendo uma porção de belas fotos. Passei momentos mais animados ouvindo o burburinho dos camelôs na Plaza Mayor, em Madri, do que numa visita monitorada à Torre de Belém, em Lisboa.
No entanto, recebi algumas dicas preciosas, que já me salvaram de dores musculares, azia, má disgestão, frio, falta de roupa e micos em geral. Aqui vão minhas sugestões para quem queira se aventurar em qualquer canto estranho deste mundinho, no inverno, por mais de uma semana:
Bicho de estimação
Veio do Mau, viajante profissional e tradutor-mor, a bendita latinha de Tiger Balm, uma pomada com cheiro de cânfora que cura tudo, até pé frio. Espécie de Minâncora turbinada, serve para dor de cabeça, dores musculares, hematomas, gripes e resfriados. Pois é, todas essas opções já foram devidamente testadas - e, não, não é uma boa idéia usá-a para fins libidinosos.
Chá das cinco
Como boa mãe, dona Fátima conhece a fundo o poder das ervas. "Leve uma caixinha de chá de boldo. Se alguma comida estranha não cair bem, você faz um chá com a água quente do chuveiro." Parece uma dica de quem não foi apresentado à globalização das ervas aromáticas, mas a questão é que há tanta oferta de chás enigmáticos por aqui que é mais fácil sua dor de barriga passar sozinha do que você achar um mero saquinho de boldo.
Ensaboa, mulata, ensaboa
Se você não nasceu Ronaldinho - "fazer malas pra quê, se eu tenho cartão de crédito?" -, a única forma de fazer uma mala pequena para uma viagem grande é levando em conta que você precisa lavar umas peças. Mas como você também não tem a pensão da Cicarelli, é melhor passar longe das lavanderias e lavar as roupas no chuveiro. Na Europa, mesmo os hotéis de quinta têm aquecedores de primeira. Meias, roupas íntimas e camisetas secam de um dia para o outro. A essa dica, dada pela jornalista Maristela do Valle, acrescento outra, que está sendo fundamental: jeans escuro duuuuura...
Por ar
Dica de um mochileiro no aeroporto de Lisboa: é possível voar de Lisboa para Madri por até 15 euros. Acredite se quiser, a forma mais econômica de viajar pela Europa é de avião (e eu achando que os trens seriam uma pechincha). No site Rumbo, é possível cotar vôos de dezenas de companhias low cost, como são chamadas as empresas baratinhas. Mas não espere nem mesmo a insípida barrinha de cereais como refeição a bordo: essas companhias aéreas ou não oferecem nada durante o vôo ou cobram por isso à parte.
Carteira vazia
Com a onipresença do euro, ficou mais fácil fazer compras durante sua viagem às Zorópas. Esqueça aquela carteira abarrotada e toda a apreensão para encontrar um hotel com cofre nos quartos: como bem me sugeriu minha amiga Tati, o negócio é carregar o Visa Travel Money (VTM) e pagar tudo com ele. Trata-se de um cartão gratuito, encontrado em qualquer boa casa de câmbio brasileira, aceito em todos os estabelecimentos que têm a bandeira Visa. Funciona como um cartão de débito/crédito, só que sem taxa de anuidade ou fatura posterior. Você o carrega em dólares e ele faz a conversão automática para a moeda de qualquer país que mantenha relações diplomáticas com os EUA (leve dinheiro em cash para sua viagem a Cuba...). Também é possível fazer retiradas com o VTM - nesse caso, há uma taxa de US$ 2,50 por saque. É o VisaEletron do Velho Mundo!

Detalhe da fachada da Catedral de la Giralda, em Sevilha
The facade of the Catedral de la Giralda, in Sevilla
PS: Amanhã, a verdadeira moeda de Sevilha.
The Five Golden Tips
I’ve been nurturing this trip to Spain for so long that friends, family, readers, everyone, had a suggestion for me. Some were tips for unmissable spots – the grandiose Mosteiro do Jeronimos in Lisbon, the disputed museums of Prado and Reina Sofia, in Madrid; the La Giralda tower in Sevilla, the Gothic Quarter in Barcelona -, to which I’ve added some very personal must-see spots, like the Real Escola de Equitação, in Jerez de La Fronteira, the flamenco at Casa Patas, in Madrid, and some “fun/trinket store” anywhere, everywhere.
Despite the instructions to not surf the web in dodgy cafés, not walk down deserted alleys and carry money in my sock (an uncomfortable arrangement for those that’ve got two sets of woollen stockings on, under their pants), I soon realised I was not the touristy type. I love wandering down streets, riding subways and getting coffee where the natives do. I avoid city tours, guides and mapped routes, even though I may be missing out on a series of good picture opportunities. I had more fun listening to the babble of the buskers in Plaza Major than I did on a monitored visit to the Torre de Belem in Lisbon.
I did, however, receive some precious advice that have already rid me of muscular pains, heartburn, bad digestion, cold, lack of clothes and general mishaps. Here are my suggestions for those who wish to venture to any odd spot on this funny little planet, in winter, for more than a week.
Pets
From Mau, professional traveller and translator extraordinaire (that’s me, folks), the blessed can of Tiger Balm, an unguent that smells of camphor and cures anything, even cold feet. A sort of full-on Minâncora (Brazilian cream that has many ailing properties), it’s good for headaches, muscular aches, bruises, flus and colds. Yep, all these options have already been dutifully tested – and no, it’s not a good idea to use it for kinky purposes.
Evening Tea
As a good mother, Fátima is wise in the power of herbs. “Take a pack of Boldo tea.” If something you eat doesn’t sit right, make some tea with hot water from the shower.” Sounds like a tip from someone who hasn’t been introduced to the globalized world of aromatic herbs, but the issue is that there are so many enigmatic tea options that it’s easier to wait for your stomach ache to subside on its own, than to find a mere bag of Boldo tea.
Do the washboard shuffle
If you aren’t Ronaldinho – “why pack if I’ve got a credit card?” -, the only way of packing a small bag for a big trip is accepting that you’re going to have to do some washing. But, as you don’t have Ivana Trump’s alimony agreement, it’s best to avoid laundries and do your washing in the shower. In Europe, even the fifth rate hotels have first rate heaters. Socks, lingerie and T-shirts dry overnight. To this tip, offered by the journalist Maristela do Vale, I add another which is making all the difference: dark jeans last muuuuch longer...
Airborne
Tip offered by a backpacker at the Lisbon airport: you can fly from Lisbon to Madrid for as much as 15 Euros. Believe it or not, the cheapest way to travel around Europe is flying. (while I thought that the trains would be the bargain). On Rumbo, you can quote flights from dozens of low-cost airlines. But don’t even expect a measly muesli bar as a meal on board: these airlines either offer you absolutely nothing in flight or charge you for it.
Empty wallet
The Euros’ omnipresence makes it easier to shop on your “Youropean” trip. Forget that bulging wallet and the anxiety in finding a hotel room with a safe in it: as suggested by my friend Tati, the thing to carry is Visa Travel Money (VTM) and use it to pay for everything. It’s a free card that can be found at any good currency converter in Brazil, accepted in all establishments that take Visa. It works like a credit/debit card, but without the annual fees or previous balance. You load it with dollars and it performs a conversion into the currency of any country that maintains diplomatic relations with the USA (take cash to Cuba...). You can also make withdrawals with VTM – however, in this case, there’s a $2.50 fee per transaction. It’s the Old Continent’s VisaEletron!
P.S. Tomorrow, Sevilla’s true currency.
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Pedala, Barcelona!*
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=*
Oba!
Não conheço Sevilha, e seu estilo de "turismo-descoberta" é perfeito para descobrir novas dicas. Mas enfim, posso te mandar coisinhas personalizadas por e-mail, desde que vc registre aqui rapidamente seu itinerário...
Marmota, o cartão de crédito é super fria em qualquer viagem internacional. As tarifas costumam ser proibitivas e a conversão do dólar segue a cotação da bolsa de Krypton ou algo assim, porque nunca é lá muito real. Nesse caso, é melhor viajar com dinheiro vivo, mesmo. De Sevilha, vou para Jerez de La Fronteira e, por fim, para Barcelona, onde devo ficar umas duas semanas. Dicas, quero dicas!
Alguns mistérios do mundo devem ser deixados em paz. Por que as pessoas procuram respostas para tudo? Por quê? Ó, juventude inquieta... que abismos mais enfurecerás em tua busca?
Ops, divaguei.
A Tiger Balm foi testada para esses fins, mas não por mim, Michel. Acreditei piamente no relato que me fizeram...
Wow. Não imaginava que um blog pudesse despertar grandes paixões, mas obrigada.








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