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A Tasquinha secreta

- Senhor, sabe me dizer onde fica a Tasquinha da Adelaide?

Por três dias, essa foi a pergunta que fiz a qualquer pessoa que encontrasse pelo caminho. Desta vez, a resposta não foi diferente: "Esse nome não me é estranho...". A Tasquinha da Adelaide está há quinze anos no mesmo endereço, mas é como se não existisse. Ninguém sabe onde fica.

Resolvi procurar o endereço na internet, mas, 72 horas depois, descobri que encontrar um cyber café em Lisboa é tão difícil quanto achar a própria Tasquinha. Desconfio que devem estar no mesmo lugar.

Em meu último dia em Portugal, desço as labirínticas ruelas de pedra da Alfama, à beira do centenário Castelo de São Jorge, e encontro, enfim, um cyber café. Tcheco - o que me obriga a passar cinco minutos brigando com o teclado e, depois, mais uns cinco numa batalha muda com as mensagens de erro, que insistiam em me alertar sobre algo terrível. Devo ter mandado vírus para metade da minha caixa de e-mails, mas acho o endereço da bendita Tasquinha.

Faltam dez minutos para as 20h quando encontro a porta de vidro do restaurante e dou de cara com uma placa de Fechado. Lá dentro, dois garçons arrumam as mesas e me devolvem um olhar de pena: a casa só abre às 20h40. E está lotada. "Lamento, mas só temos 24 lugares", comenta o simpático Marcos, tão português quanto eu.

Nesse instante, minha porção européia me manda fazer um ar blasé, cair fora dali e procurar um lugar quente e acolhedor para comer. Nem que seja um Mc Donald´s. Tento um olhar de gato do Shrek. "Quem sabe se voltares depois das 22h30?", sugere o garçom.

São 22h quando apareço novamente na porta de vidro, desta vez, com duas sacolas e uma dezena de livros. Nem preciso tentar o Gato de Botas novamente: em poucos minutos, Marcos me coloca em uma minúscula mesa, em frente ao fogão.

Tudo na Tasquinha lembra casa de vó. Não há separação entre o pequeno salão e a cozinha: de qualquer lugar, é possível sentir o calor do fogão ou o cheiro das ervas, penduradas no alto. Travessas de barro preto estão organizadas em cima da coifa e grandes cestos de palha comportam frutas frescas, folhas e espaguete artesanal. Sobre uma penteadeira, pratos de cerâmica branca cheios de toucinho do céu, tartin de maçã e bolo de chocolate. Tudo saído das mãos divinas do cozinheiro, outro conterrâneo.

É um lugar tão familiar, tão casa, que não estranharia se visse minha avó saindo da cozinha carregando uma travessa com robalo e batatas ao murro. Se bem que, se fosse mesmo a minha avó, seria algo ainda em chamas, carbonizado e com gosto de queimado. Bendida seja a Tasquinha da Adelaide.

Interior da Tasquinha da Adelaide
Tasquinha da Adelaide, em uma das raras fotos que encontrei na internet
Tasquinha de Adelaide, on one of the rare photos found on the web

PS: Amanhã, o presente de Natal.

The Secret Tasquinha

– Excuse me sir, can you tell me how to find Tasquinha da Adelaide?

For three days, that’s the question I asked everyone I saw. This time the answer was no different. “The name rings a bell...” Tasquinha de Adelaide has been at the same address for the past fifteen years, but it’s as if it didn’t exist. No one knows where it is.

I decided to find it on the Internet, but 72 hours later, I discovered that finding a cyber den in Lisbon is just as hard as finding the Tasquinha itself. I suspect they’re in the same place.

On my last day in Portugal, I walk down the labyrinthical, cobblestone streets of Alfama, on the edge of the hundred-year old castle of São Jorge, and finally, find a cyber den. Czhec – which causes me to spend at least five minutes figuring out the keyboard, plus another five locked in a mute battle with the error messages, which insisted on warning me about what was, no doubt, some terrible occurance. I probably sent viruses to half my address book, but I found the address of the blessed Tasquinha .

It’s ten to eight when I find the glass door of the restaurant and the CLOSED sign hanging from it. Inside, two waiters set up the tables and give me a look of pity: the restaurant only opens at 8:40. And, it’s fully booked. ”I’m sorry, but we’ve only got 24 seats”, remarks the kind waiter, Marcos, as Portuguese as I am.

At that moment, the European part of me tells me to shrug it off, get out of there and find a nice, cozy place to eat. Even if it´s a McDonald’s. I try one of those looks only Puss, from Shrek, can pull off. “Maybe if you come back after 10:30?”, suggests the waiter.

It’s tem pm when I return to the glass door, this time carrying two bags and a dozen books. I don’t even need to try the Puss´n Boots routine again: in a few minutes, Marcos has me seated at a miniscule table in front of the oven.

Everything at Tasquinha feels like grandma’s house. There’s no divider between the tables and the kitchen: you can feel the heat of the oven and smell the herbs, hanging from the ceiling, from anywhere in the restaurant. Black clay pots are seated upon the hood system and big, straw baskets hold fresh fruit, leaves and homemade spaghetti. On a dresser, white, ceramic plates filled with coconut treats, apple tartlets and chocolate cake. Everything prepared by the chef, another countryman.

It’s such a familiar place, so homey, that I wouldn’t be surprised if I saw my grandma come out of the kitchen with a tray of baked fish and roasted potatoes. Although, if it were really my gran, she’d, most likely, be carrying some flaming, carbonized, burnt to a crisp concoction. Blessed be the Tasquinha de Adelaide.

PS: Tomorrow, The Christmas Gift.

Categoria: Turismo


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Comentário de: Danilo Maia · http://www.submundodasenior.blogspot.com
O melhor de tudo é que, mesmo me acabando de inveja [e nem adianta falar do frio, pois fico com mais inveja ainda!!], me sinto como se estivesse te acompanhando pela Zoropas!!

Caroltur - Viaje nas viagens dessa moça!!


Ô cabôca pra escrever bem da gota!!!

Beijocas e Feliz Natal!!

Que bom te fazer companhia, Danilo! Feliz Natal para você também!
PermalinkPermalink 24.12.07 @ 18:34


Comentário de: Ingrith Email · http://blogdaingrith.blogspot.com
Concordo com o Danilo estou tb no Caroltur!!! Conta mais, conta mais...

Hehe, pode deixar que eu conto sim, Ingrith! E, logo mais, vou contar E mostrar, me aguarde!
PermalinkPermalink 26.12.07 @ 10:12


Comentário de: Michel Email · http://supermicheranja.blogspot.com
Cyber café tcheco? Isso você inventou, isso não existe. É o tipo de coisa tão peculiar que implodiria o universo.

E como foi que você ouviu falar enquanto estava fora (suponho) de uma Tasquinha que ninguém de dentro conhece? Contatos com a máfia local?

Na verdade, chamar de cyber café é licença poética. Estava mais para um puxadinho que o tcheco fez em sua casa. Quanto à Tasquinha, foi dica de um casal de amigos que esteve em Lisboa recentemente. Máfia estrangeira, mesmo.
PermalinkPermalink 27.12.07 @ 14:58


Comentário de: Patrícia Köhler Email · http://www.cintaliga.org
Carol, adorei sabeire que estás em Lisboa, ó pá! Tu, como boa rapariga gira que és, certamente estás conhecendo pessoas e lugares tão gira quanto!
Ah, o Oceanário é demais. Pena que o conheci poucas semanas depois de sua instalação (para a Expo, em 98), e passei ao menos uma hora e meia na fila. Na época havia até uma piadinha fraca por causa disso... (qual a semelhança entre o Viagr.a e o Oceanário? Em ambos é uma hora em pé e cinco minutos de diversão dentro).
Ai, não me lembro dos restaurantes escondidos de Lisboa... mas não consigo me esquecer do famosíssimo Fialho, em Évora, cidade natal do meu pai. Sêo Amor Fialho, dono do lugar (nome mais apropriado não existe) lembrava do meu pai e do meu avô. Foi surreal. E lá tem a melhor comida alentejana que eu comi por estas terras.
Se tiver como ir lá, fica a dica. ;)
Vai passar as festas em Portugal? Feliz Natal, Carol! Coma muitas rabanadas por mim. :)
Beijos!

Que legal, Pat! Tenho comido muito bem por aqui, não posso reclamar, não!
PermalinkPermalink 17.01.08 @ 13:54


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