O cartão-postal de Lisboa
Do alto de suas colunas seculares, os casarios de Lisboa convidam os passantes a dar uma entradinha. Está frio nas ruas, 11ºC, não muito para os portugueses, mas desconfortável o bastante para você disputar a tapa cada tênue raio de sol. Faz fumacinha quando as pessoas falam.
Já estou perambulando há horas pelas ruas do Chiado, o bairro de nome engraçado, quando, enfim, Lisboa me apresenta seu verdadeiro cartão-postal. Não os belos palácios, os monumentos de bronze e mármore, as igrejas, montes delas. Logo que chego à Praça do Rossio, o calçadio de pedra fica ainda maior e o ar se torna repentinamente quente e acolhedor. Lisboa recende a castanhas assadas. Tem cheiro de casa de avó - menos da minha, que odiava cozinhar, e mais daquelas gorduchas avós dos livros de receitas, aquelas mães com açúcar, prontas para transformar em bolinhos de chuva o primeiro céu que ameaçasse ficar nublado.
Peço à vendedora que me deixe provar uma, que eu sou menina sem avó-doceira e não sei que gosto tem a infância lusitana. Ela me estende uma pelota quente, que exige mãos sem luvas para tirar a casca quebradiça. Outras pessoas vão se juntando ao redor do carrinho das castanhas. Crianças. Um casal de turistas. Três mocinhas falantes. Um senhor. Saem com cones de papel fumegando entre as mãos, concentrados no ritual de descascar as castanhas.
E eu fico lá, com aquela cara de turista que achou aquilo tudo lindo, mas, as castanhas...

Como não consegui uma foto de castanhas em Lisboa (problemas com a câmera), deixo uma de Sevilha, na Plaza de España
As I couldn’t get a shot of nuts in Lisbon (camera trouble), here’s one of Sevilla, at the Plaza de España
PS: Até o dia 12, o Guindaste estará içando diretamente das Zorópas.
Lisbon Postcard
From atop its secular columns , the mansions in Lisbon invite passersby to come in. It’s cold, 11ºC, not a lot for the Portuguese, but uncomfortable enough to make you fight for a spot in the smallest ray of sunshine. You can see people’s breath when they talk.
I’ve been roaming the streets of the quirkily-named suburb, Chiado, for hours, when finally, Lisbon presents me with its true postcard setting. Not the fine palaces, bronze and marble monuments, or the churches, the abundance of them. As soon as I get to Praça do Rossio, the stone slab footing on the street gets even bigger and the air suddnely becomes warm and inviting. Lisbon reminisces of roast chestnuts. It smells like grandma’s house – except mine, who hated cooking... more like those chubby grannies in cookbooks, sugary souls who’d be ready to turn your lazy afternoons into milk and homemade, chocolate chip cookies.
I ask the nut peddler for a taste. I tell her I’m a girl who’s never had a sweet-making grannie, that I don’t know what Portuguese childhood tastes like. She hands me a hot nut, which demands gloveless hands to remove its fragile shell. Other people gather around the nut cart. Children. A tourist couple. Three talkative young ladies. An elderly gentleman. They walk away with steaming, paper cones in their hands, focused on the nut-shelling ritual.
And I stand there, the expression of a tourist that finds everything so beautiful, and the nuts...
P.S. Until the 12th, Guindaste will be transmitting directly from Yooooooouuurup.
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Boa viagem e aproveita bem a neve!!!
Ai, Ingrith, fala baixo senão São Pedro ouve! Dez graus já está de bom tamanho...
Chique e congelante, Dã!
Beijo de boas festas, querida.
Er, hmmm, deixei no ar de propósito, Rô, porque não quis dizer que não gostei justo do cartão-postal de Lisboa... Boas festas para você também!
De uma maneira geral, não gosto nem de doces portugueses, nem dos árabes. Mas comi uma bacalhoada realmente memorável, Rô.









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