Vida bandida
Tenho uma amiga que foi presa por atentado ao pudor: quando era adolescente, se estendeu nos amassos com o namorado dentro de um Golzinho e acabou indo parar na delegacia. "Menores não devem ficar desacompanhados de um responsável durante a madrugada", foi o que o gentil policial disse para o pai de uma garota envergonhadíssima. O bom homem nunca soube exatamente o que a filha fazia fora da cama às três da manhã.
Eu sempre quis ter uma história dessas no currículo. Convenhamos que cometer atentado ao pudor com o namorado é um crime até charmoso, não? Vocês está lá, no escurinho, se apertando entre o volante e o câmbio, quando aparece um guarda com uma lanterninha e tchanãns! Mas, por algum motivo que eu desconheço, essas coisas divertidas nunca acontecem comigo.
Ontem, foi a vez de outro amigo ir em cana. Os federais encontraram na casa do Júnior uma caixa cheia de notas de R$ 50 falsas que um amigo de um amigo tinha achado por bem esconder lá. Eu até entendo o salafrário, afinal, a casa do Júnior é uma tremenda zona, com roupas sujas em cima de louça velha, tudo misturado com garrafas de cerveja vazias, contas a pagar, uma lâmpada queimada, umas quinze chaves perdidas e uma infinidade de tralhas, cacarecos e coisas quebradas. Quando cheguei à casa dele, encontrei meu amigo branco como cera, de cócoras num canto, com as mãos em cima de uma cadeira e um policial em pose ameaçadora de guarda-roupas.
Nas três horas que se passaram até que chegassem duas advogadas e uma viatura da polícia, eu e duas amigas fizemos companhia para o Júnior. Fui buscar cigarros, coloquei uma musiquinha para relaxar e teria feito café se tivesse achado na bagunça algo vagamente parecido com um coador.
Dez minutos depois, o clima continuava tenso. As meninas tentavam entabular uma conversa deixa-disso com o policial e até tinham conseguido arrancar um esgar que interpretaram, errôneamente, como algo próximo de uma intenção de sorriso. Quando dei por mim, estava empenhada em uma intensa arrumação, organizando os CDs nas caixinhas, recolocando as capas nos sofás, varrendo bitucas de cigarro e catando do chão tudo o que os policiais arremessaram durante a revista.
Minha única chance de ir presa – podia ter elaborado um plano de fuga para o Júnior – e eu gasto a oportunidade fazendo faxina! Sou uma aprendiz de meliante lamentável... Se a coisa continuar assim, como terei uma boa história para contar aos meus netos?

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O Guindaste deve estimular o lado B das pessoas, Ulisses!
Não podemos nos esquecer que somos autênticos e únicos por natureza e isso não precisa de rótulo nenhum, é o que faz as pessoas interessantes. XD
É como este blog... único e interessante, ser ter a obrigação de entrar em rótulo nenhum.
Er, hmmm... bem, mas eu sou da época do vinil, Mila! Que puxa...
Pois é, Ingrith! Meus netos vão morrer de tédio das histórias da avó deles...
A lanterninha é broxante, mesmo, Bella. Bom recebê-la por aqui!
Uma vez fui advertido (tapa na oreia) pois tava bulinando uma ficante na porta do shopping.
Pior! O seu "gualda" que me deu um tapa na oreia, depois que viu a menina falou:
"Fulana?! Quê cê tá fazendo aqui?!"
Primeiro pensamento ozzystico: "Fud***! Irmão dela!"
Segundo: "Fud**! Namorado dela"
Eram vizinhos. Ela mandou ele calar a boca, deixá-la em paz, e ir trabalhar.
Eu, quietinho olhando.
O homem de farda saiu pisando duro, esquecendo de mim. Depois ela explicou que já havia ficado com ele, mas não deu certo, porém ele ficou xonado.
Eu, que não tinha nada a ver com a história, retomei o diálogo de onde estávamos: mão direita na cintura, esquerda acariciando a nuca, e beijo demorado.
(Hoje em dia namoro uma linda loira sargento da PM. Mais seguro.)
Loira sargento? Agora, sim, eu teria medo...









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