A bomba da procrastinação
Tropecei na rua e torci o tornozelo. Não, não rola, vai que alguém resolve vir em casa e vê que o pé não inchou... Hmmm, então peguei uma gripe daquelas, altamente contagiosa, e cai de cama. Instantâneamente. Meio tétrica, melhor tentar uma saída sem doença. Vejamos, vi uma senhora ser assaltada, recuperei a bolsa dela, mas tive que passar a noite na delegacia para preencher o B.O. Arrã. Não, melhor esta: meu carro foi roubado dez minutos antes da apresentação (mas vão encontrá-lo, no dia seguinte, são e salvo). Ai, senhor...
É sempre assim quando estou em véspera de fazer algo meio assustador: passo o dia todo pensando em toda sorte de desculpa para não fazer o que combinei fazer. O motivo do pânico pode ser qualquer coisa, tipo entregar uma matéria em prazo apertado ou fazer uma ilustra para algum lugar muito bacana. Não é que eu não cumpra meus compromissos, não. A questão é que eu entro em parafuso com a expectativa alheia. Piro. Surto mesmo.
Ontem não foi diferente: ensaiei três meses a bendita coreografia de salsa, mas cometi ao menos um errico a cada ensaio. Por mais que eu e meu parceiro nos empenhássemos, terminava a música uns segundos adiantada ou dava um giro muito devagar ou me atrapalhava com um passo fácil. Ou, pior, o grupo todo ia para a direita e eu, para a esquerda. Às vésperas de entrar em cena, já com o figurino completo, tudo o que eu pensava era em que desculpa pseudo-ruim eu daria para sumir dali em segundos. A sandália quebrou e não posso dançar descalça! Não...
O que não entendo é como uma pessoa com um perfil de pânico em potencial como eu ainda recebe convites para o que quer que seja. Eu sou uma espécie de bomba atômica da procrastinação, prestes a atrasar o que eu tiver prometido fazer. E, sei lá como, no fim das contas, dá tudo certo e eu me sinto uma cretina por ter ficado em pânico.
De uma coisa eu tenho certeza: segunda-feira vou pegar uma intoxicação alimentar e passar 24 horas de cama. Batata.

The procrastination bomb
I tripped and sprained my ankle. No, not a good idea, what if somebody decides to come over and sees that my foot isn’t swollen… hmmm, so then I’ve got a terrible case of the flu, highly contagious, and I’ve become bedridden. Instantaneously. A bit harsh, better try a way out that doesn’t involve illness. Let’s see, I saw an old woman get mugged , retrieved her purse, but had to spend the night at the police station in order to help her file the complaint. Aha! No, this one’s better: my car was stolen ten minutes before the presentation (but they’ll find it safe and sound the next morning). Oh, lord…
It’s always like this when I’m on the eve of doing something a bit daunting: I spend the whole day thinking up excuses to get out of doing what I said I’d do. The generating reason for this panic attack can be anything, like handing in an article on a tight deadline or doing an illustration for some very cool joint. It’s not that I don’t keep my commitments. I do. The issue is that I freak out on other people’s expectations. I flip out. I really lose it.
Yesterday was no exception: I rehearsed the damn salsa choreography for three months, but I made at least one little mistake in each rehearsal. No matter how hard my partner and I tried, we’d end a couple of seconds before the song finished or we’d spin a bit too slowly or I’d mess up some easy step. Or worse, the entire group would go left and I’d go right. Minutes before taking to the stage, in dress, all I could think about was half-ass excuses I could make up to vanish from there in seconds. My heel just broke and I can’t dance barefoot! No…
What I don’t understand is how a person with such a penchant for potential panic like me, still gets invitations to do whatever. I’m a sort of procrastination atomic bomb, ready to delay anything I’ve promised to do. And, I don’t know… in the end, it all works out and I hate myself for having panicked.
One thing I’m certain of: Monday I’m getting food poisoning and spending 24 hours in bed. That’s a given.
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Ótima essa, Ingrith, vai entrar pra minha lista de desculpas em potencial!
(Ói: quer mais? Foi gulosa, também, né? Leu tudo de uma vez... Agora, só depois. Exceto se aceitar requentado:
megaman4 . tabulas . com
Deve ter o bastante lá para mais uns três dias.)
Ah, não, nunca mato os outros. Sou tão egoísta que prefiro matar a mim mesma, Michel. (Oba, mais micheranjas!)
Agora, eu já usei todas as desculpas possíveis, mas tive de enfrentar o terrível Monstro da Dissertação.
(se vc souber de mais algumas desculpas, me passe)
Pergunta-se: há fotos da apresentação de salsa? vídeo? tá no Youtube?
Longa vida e prosperidade!
ave!
Peguei uma tendinite e não consegui terminá-lo? Hmmm, ele estava prontinho, mas caiu no chão, espatifou e tive que começar tudo de novo? Ai, Ozzy, tem desculpa pra essa, não: estou travando com a espectativa, só pra variar... Sobre a salsa, acho que alguém gravou ou fotografou, sim. Vou ver e posto o mico aqui.
Mas é meio que nem banho de criança: o ruim é sempre entrar na banheira, aí ficamos beirando, contornando, pensando...
Banho de criança no inverno: ruim pra entrar, pior pra sair...
Ah, então põe na roda, Marcelo, porque também preciso parar de me intoxicar por aqui...
ricardo
Eu sempre visito os blogs de quem deixa comentários, Ricardo, mas só comento nos que acho mais interessantes. Volte sempre você também!
ricardo
Hehe, escapei por pouco das aulas de taquigrafia, mas tive o Erasmo de diretor, o que é muito pior, acredite. Entrei em 1998, no primeiro ano da extinção da taquigrafia. Foi apoteótico.
Arrá, ele que se atrevesse a me censurar! Eu torturo bites, pensa o quê?
Mas acho que damos significados diferentes a essa palavra: pra mim, procrastinar é colocar a tarefa prioritaria em segundo plano, em detrimento de tarefinhas futeis e dispensaveis. Tem uns videos massa a respeito no pertedetemps: passe la ver!
Até,M.
Hmmm, nunca pensei desse jeito. Para mim, é o simples ato de deixar para amanhã, empurrar com a barriga, adiar.
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