Uma porquinha chamada Olivia

Se você, como eu, não tem filhos, há uma boa desculpa para dar um pulo numa seção de livros infantis: Olivia. Como você não tem herdeiros, é possível que nunca tenha ouvido falar nessa porquinha genial, criada pelo escritor e ilustrador americano Ian Falconer, em 2000. Então senta que eu explico.
Olivia já ganhou dezenas de prêmios, prova de que mesmo um livro com imagens e textos simples pode ser, sim, uma obra-prima. Conta a história da porquinha do título, uma típica criança hiperativa que deixaria O Menino Maluquinho no chinelo – aliás, como o clássico de Ziraldo, Olivia também tem ilustrações quase monocromáticas, com um bom uso do vermelho aqui e ali.
Como o livro tem poucas palavras, costuma ser recomendado para crianças bem pequenas, o que é uma dupla sacanagem. Primeiro, porque leitores assim tão jovens não são capazes de captar as ironias e sutilezas da obra. Segundo porque, com uma classificação dessas, é preciso ser bem fanático para alguém que não tem filhos se aventurar nas seções infantis, com garotinhas chorando, moleques tirando meleca do nariz, bebês chacoalhando livros como se fossem brinquedos e pais histéricos.
Por algum motivo que me foge à compreensão, a editora Globo, que publicou o livro no Brasil, em 2001, até agora não acordou para os outros volumes da série, que cresce a cada ano. Quando fui para Buenos Aires, o segundo passeio estranho que fiz foi conferir a seção de infantis da livraria Ateneo Grand Esplendid. Assim que bati os olhos em Olivia Salva el Circo, Olivia... y el Juguete Desaparecido e Olivia y Su Banda – escritos em um idioma que eu entendo! – fiz questão de comprar. Y lo digo: Olivia continua muy graciosa!

PS: Essas duas esculturinhas aí de cima fazem parte de uma série de papel machê que fiz inspirada na porquinha, de quem virei fã
A Piglet Named Olivia
If you, like myself, don’t have children, here’s a good excuse to pop down to the kiddie corner of book store: Olivia. As you have no heirs, it’s possible that you’ve never heard of this incredible little piggy, created by the American writer and illustrator Ian Falconer, in 2000. Well, take a seat and I’ll explain it all to you.
Olivia has won dozens of prizes, proof that even a book with simple text and images can become a masterpiece. It tells the story of the eponymous little piggy, a typical hyperactive child that would put O Menino Maluquinho (think Dennis the Menace) to shame – which, by the way, uses practically monochromatic illustrations, just like Ziraldo (the author of Menino Maluquinho), apart from some clever uses of red here and there.
As the book has few words, it’s recommended for very young children, which basically hits two birds with the same stone. Unfortunately they’re the wrong birds. First, children that young won’t be able to fully appreciate the subtleties and ironies of the book. Second, due to its classification, if you’ve got no kids of your own, you’ve got to be an Olivia the Pig fanatic in order to venture into the kiddie corner with all those crying, little girls, nose-picking, little boys, babies shaking books as if they were toys, and hysterical parents.
For some incomprehensible reason, editora Globo, which published the book in Brazil in 2001, has not woken up to the other volumes in the series, which grows annually. When I went to Buenos Aires, my second weird daytrip was to the kiddie corner of the Ateneo Grand Esplendid bookshop. As soon as I saw Olivia Salva el Circo, Olivia... y el Juguete Desaparecido and Olivia y Su Banda – written in a language I could understand! – I just had to buy them. And I must say: Olivia is still muy graciosa!
PS: The two little sculptures above are part of a series in papier-mache, which I made inspired by the piglet, of which I’ve become a fan.
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Márcia, essa resenha é em sua homenagem, viu? Ah, coloquei links para você poder comprar direto do Ateneo pela internet, fácil e barato.
Você vai a-mar!
Desde que li sua matéria na Revista Vida Simples, virei frequentadora assídua do guindaste. Bem... Desconhecia a Olívia. Gosto muito da ovelhinha Selma, da Jutta Bauer. Conhece? É da Cosac. Sou daquelas que fica no meio das crianças na seção infantil das livrarias, embora ainda não tenha nenhhum rebento. Sempre há muitas coisas boas!!! Obrigada pela dica da Olívia!
Beijão
Ô, Mônica, mas que delícia ter uma leitora de Vida Simples por aqui, sô! Conheço a Selma, claro, adoro os livros da Jutta Bauer. Aliás, tô devendo uma resenha sobre ela por aqui...
Fofa!
Bj
Conheço sim, Luciana. Costumo dizer para minhas amigas que têm filhos que se estiverem em dúvida sobre que livro comprar para seus rebentos, que levem qualquer coisa da Brinque-Book. É certeza de que estão comprando boa literatura. Já resenhei alguns livros dessa editora, dê uma olhada em Livros que tem uns por lá.
Só não concordo que as crianças pequenas não entendem as ironias e sutilezas da obra. Meu filho de 5 anos, tem o livro da Olívia nos seus "top Five" desde os 3,(quando começou a ler sozinho)sem nenhuma dificuldade de interpretação.
Agora quero completar a coleção...
Tem razão, Carol, algumas crianças entendem, sim, as sutilezas da obra. Mas são raridade, né? Eu também não vejo a hora de completar a coleção! Vi outro dia na Livraria Cultura do Conjunto Nacional que eles têm os cartões e papéis de carta da Olivia! O máximo!








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