A oração
– É mais fácil do que parece.
Vá por mim, nunca acredite em alguém que diz uma coisa dessas segurando as rédeas de um cavalo.
– Quer experimentar?
E lá fui eu para minha primeira aula de volteio, depois de ficar meia hora debruçada na cerca, olhando os alunos fazerem acrobacias inacreditáveis enquanto galopavam.
– Eu vou montar esse aí?
– Não, esse aqui já trabalhou muito por hoje. Fica tranquila que vou arranjar um outro bem macio para você trabalhar.
Ficar tranquila é a segunda coisa que você não deve fazer. Dez minutos depois, chega o tal do bem macio para trabalhar.
– Bons posteriores, assento confortável, força de tração. Um brinco.
Pareceu a descrição de um trator, mas, surpreendentemente, era de um cavalo bege que a professora falava. Um cavalo bege gigantesco. Sério. Descomunal. Um coice e ele derrubaria uma parede.
– Como ele chama?
– Jadida. É ela.
Dei aquela conferida perto das patas traseiras, duas colunas de músculo que sustentariam um prédio de três andares.
– Mas... e aquilo ali?
– Cavalos são bem-dotados, não são? Éguas também precisam ser.
– Wow! Tem certeza de que isso é um cavalo? Não pegaram um mamute sem querer, não?
– Ela é bretã. É uma raça de tração; uma égua dessas puxa um carro. Para você ter uma idéia, um cavalo normal pesa o quê?, uns 400, 500 quilos. Ela pesa 750 quilos. Ou melhor, pesava, ela deu uma emagrecida depois que veio para o volteio.
– É?
– Ah, agora está uma miss. Pesa 730 quilos. A dieta deixou a bichinha meio temperamental. Mas hoje você não vai derrubar a moça, né, Jadidinha?
– Vai lá e corra ao lado dela, acompanhando o galope. Quando estiver pronta, dê um impulso com a perna e suba.
– Como assim, "suba"? Cadê a sela?
– Não tem sela.
– Nem estribos?
– Nem estribos. Você vai se apoiar naquela estrutura que está no cavalo, tá vendo? Chama cilhão.
– Senhordeus.
– Relaxa, eu te ajudo a subir na primeira.
– A subir e a permanecer em cima, você quer dizer, né?
– Você consegue, é mamão com açúcar.
Depois de três tentativas – uma escada ia bem –, cá estou eu três metros acima do chão, tendo entre mim e uma égua de quase uma tonelada apenas uma mantinha preta. A coisa ia bem até que ela resolveu abaixar a cabeça.
– Ahhhhhh!!!
– Ela coçou a pata.
– Faz ela parar!!!
– Não precisa ficar com medo, ela já voltou a cabeça.
– Eu quase cai!
– Isso aí embaixo de você está vivo. É normal o bicho se mexer, espantar uma mosca, se coçar. Às vezes, eles tropeçam, escorregam. Acontece.
– Ahhhhh, agora eu quero MESMO descer!
– Você está indo muito bem. Vamos ver se consegue ficar de joelhos.
– Avemaria...
– Boa, continua rezando que está ótimo.
– Painossoqueestaisnocéu...

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Ela conseguiu o grande feito de me fazer subir num cavalo em movimento, Michel. Tá bão demais, sô.
O único empecilho para ganhar o título é a cara de cavalo. Mas a sua maior preocupação no momento deve ter sido a palavra 'hoje', né? Especialmente pela informalidade do acordo. Aposto que a égua não assinou nenhum papel para documentar o compromisso. Típico.
Cara de cavalo não é empecilho, Michel, taí a Wanessa Camargo que não me deixa mentir.
- Boa, continua rezando que está ótimo.
- Painossoqueestaisnocéu..."
kkkkkkkkkkkkkkk... Me acabando de rir!!! kkkkkkkkkkkkkk...
Queria ver se você não rezava se visse o ta-ma-nho da bicha! Parecia uma mesa de jantar. Meda.
Misshapen?
Sim, ganhou o troféu Miss Ecqus 2007 de maior chata da música brasileira.
Bah!
Eu teria caído, no mínimo, 3 vezes. Antes de subir, claro.
Mais 4 em movimento.
E mais 2 cambaleando depois de descer.
Fiquei dois dias andando com as pernas abertas, mereço seu respeito?
eu ia morrer do coração!
Passei perto disso, Ingrith!









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