E a gente se xuringando
– Dona Carol, aquela planta da sala tá doente.
– Qual planta, Joice?
– Aquela bem folhuda, do vaso grande. Tá bichada, dona Carol, cheia de caxombilha!
– Cheia do quê?!?
– Ué, caxombilha, daqueles bichim branco, sabe aqueles besourim peludo?
– Joice do céu, aquilo chama cochonilha! Co-cho-ni-lha!
– Tá, tá. Mas fica preocupada, não, viu, dona Carol, eu vou buscar um baldo com água e acabo com as marvada.
– Balde, Joice! É balde!
– Quem vai buscá é você?
Guimarães Rosa só pode ter se inspirado em gente como a Joice para escrever aquelas boniteza tudo. Ou na Marlene, que há anos é a responsável pela organização e limpeza da casa do meu amigo Luca. Marlene tem um dialeto tão particular que você precisa ficar dias em imersão para captar a poesia de sua conversa. Eis alguns exemplos de marlenices:
– Tô desmariscando o frango, depois, eu levo a cavernagem. (afinal, fazer o quê com uma cavernagem...)
– Arre, seu Luca, pare de aluí com o bicho! (ao que consta, ele estava azucrinando um de seus gatos de estimação)
– Venha ver a gata de cangalha! (para a gatinha que estava ronronando de barriga para cima)
– Tá vendo, seu Luca, éramos tão novinhos e agora tamo aí, tudo xuringando... ("xuringando" seria com "x" ou "ch"?)
A mulher é uma esteta!

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Coloquei outra história lá (não houve como lembrar da original), mas é boa tb. Beijoca.
Oba, vou lá!
Que legal, Stella!
E a Marlene vai virar professora de xuringuês.
Sou sua fã... em uma das páginas do seu blog você comentou que separava o lixo... Eu sempre separo o meu... principalmente o jornal... mas ultimamente na minha rua o catador de papel não está passando... Tem mais: separo o vidro, e até mesmo as embalagens de desodorante, xampu... mas os catadores jogam na rua... só pegam mesmo as garrafas pet... Não jogo o óleo de cozinha no ralo da pia...coloco dentro de uma garrafa plástica até mesmo de xampu ....Mas quero saber,,,está certo eu separar os vidros de perfume que já acabou , de desodorante? ...São recicláveis? Bhte-mg
Linda, não sou especialista no assunto, mas acredito que vidro de perfume não tem problema, desde que você passe uma água nele, bota pra reciclar. Agora, embalagem de desodorante é outra história, depende muito do material. O ideal é procurar na própria embalagem se há alguma orientação, porque muitas delas trazem escrito que não são recicláveis. Ajudei?
"Totó caiu da cama" é um clássico do piracicabanês: significa que algo é vagabundo, de má qualidade. Uma roupa totó caiu da cama é daquelas bem fuleiras, compradas em saldão. E "dordóio" é dor nos olhos, uai.
Só você mesmo, Carol.
Quanto ao Guimarães Rosa: lá vou eu enfrentar mais 4 capítulos de marlenices roseanas.
Ave!
Ô, nada mal, hein, Ozzyboy? Se meu dia começasse com marlenices roseanas, eu seria uma garota muito mais feliz.
"Totó caiu da cama"??
Melhor expressão. Do mundo.
Se eu conseguisse usar por aqui, seria um garoto muito mais feliz.
Mole: "Pô, essa blusa já furou! Também, quem mandou comprar uma roupa totó caiu da cama...". Aliás, tem uma porção de onde veio essa: caxarádeforfe, estar de chico, caçásapocumbodoque, espiculeta de rodinha, vêoito...
Ficar de chico deve ter no Brasil todo; esses outros aí... malemale sei o que é bodoque!
Ah, ficar de chico é um clássico. Aliás, já li até ficar de xico, que, esse sim, deve ser um incômodo dos bravos.








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