Os dois tipos de cretinices
É só o tempo esquentar um pouquinho para eu ser tomada por surtos de cretinice. Cá estou eu, olhando as pessoas do banco do passageiro, quando vejo um judeu ortodoxo atravessando a rua. Vinha com suas roupas longas e pretas num calor de rachar, a barba grisalha e os cabelos compridos presos numa trancinha. Tinha também aquele chapeuzico que eles usam no cocoruto e que eu nunca decoro o nome (solidéu? kibutz? mitzvah?). Não sei o que me passou pela cabeça – juro que não foi de sacanagem –, só sei que, quando dei por mim, estava acenando entusiasticamente para o homem. Foi um aceno feliz, do tipo que as crianças fazem quando encontram o Mickey na Disneylândia ou coisa assim. Por sorte, alguém lá em cima teve pena de mim e o homem nem me viu.
As coisas estúpidas que sou capaz de fazer se dividem em duas categorias. Na primeira, estão as cretinices que eu já fiz, quase sempre sem me dar conta, como foi o caso do tchau pro judeu. Mais comum é eu ficar horas procurando onde foi que eu enfiei os malditos óculos, quando eles nunca saíram de cima do meu nariz. Ou, então, insistir em abrir a porta com a chave errada ou em escrever com a caneta tampada. Tenho vergonha de dizer, mas sempre estou sóbria nessas ocasiões.
O pior tipo de estupidez é aquela que já é sabida de antemão e, mesmo assim, sei que, cedo ou tarde, vou acabar cometendo. Porque gente como eu precisa só contar os dias até que acabe saindo de casa com sapatos trocados, feche o carro com a chave dentro ou use uma meia de cada cor. Ou saia da aula de equitação e só se dê conta de que ainda está com o capacete de montaria no terceiro farol, depois de o motorista do lado olhar estranho.
Eu adoraria dizer que esses são exemplos hipotéticos.

Posts similares:
Mas eu ando com cuidado, não me arrisco na banguela…
Da (im) possibilidade do amor
Lampião apagado
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Quando o Tuca ainda tinha a moto dele (que saudades, ó céus), eu era a alegria de todos os motoristas e pedestres nos faróis. Era um festival de querer colocar bala na boca ou coçar a cabeça ATRAVÉS do capacete.

Eu mesma morria de rir, ao levantar a viseira e deparar com alguém quase roxo de tanto segurar a risada. Um dia olhei pra uma mulher no carro ao lado e falei: "vai, minha senhora, pode gargalhar que esta merece mesmo".

(Eu tava querendo fazer um post falando destas coisas, agora vou fazer dando link pra este aqui, que se complementam totalmente. Você se importa?
)Beijos.
Hahahahahahahahaha, essa do capacete é ainda melhor do que eu tentando atravessar a porta de vidro fumê achando que estava de óculos escuros! A gente só pode ser irmã-gêmea, Pat! Claro que pode linkar!
Beijos,
Eu faço isso com carros estacionados que lembrem vagamente o meu Palio vinho: um Monza vinho, um Vectra vermelho, um Ká preto...
Agora as coisas começam a fazer sentido! Você já estava grávida de mim nesse dia, não estava?
(Mãe é o máximo, não?)
Beijoca.
A criatura escreve um comentário desses às 9h14 e no mesmo dia, às 10h27, não lembra mais qual era a história! A coisa é grave, como se vê...
Sou frequentador assiduo do seu blog!!
Excelente texto, ri demais!!
Mas acho q todo mundo é meio assim mesmo..tem umas leseras dessas..rs
Eita, mas esse post fez os leitores ocultos se revelarem! Escreva mais vezes, Léo!
Que situação cômica! O pior é que dá uns treco e a gente faz do nada né?
Agora vou me deliciar nos outros post.
Iêba.
Hehehehehehe
Muito divertido, Mila!
Saudadeira.
É sempre muito bom ler vc.
Mas vc esqueceu de dois episódios que eu acho os melhores. Como bater a testa na porta de vidro fume achando que estava de óculos escuros e o atleta que saltava com o seu cavalo. "Como alguém pode dar o nome de Complexo Deodoro para um cavalo?" rsrsrs.
Tudo bem! Dou minha mão a palmatória. Já sai com o sutiã ao contrário, com os peitos pra trás. Adorava fazer essa brincadeira e um dia esqueci de destrocar e sai assim mesmo. O pior a blusa era meio transparente.
Tinha que falar da história do cavalo? Tinha? O que eu posso fazer se na legenda da foto estava escrito Fulano salta no Complexo de Deodoro e a única coisa que dá pra ver é um homem e seu cavalo? Agora, essa do sutiã, afff...
Tô adorando acompanhar seu blog, meu Afilhado querido!
Por causa da minha impressionante capacidade de fazer cretinices?!?
Aprovo
Edno, passou longe: nem intelectual, nem filósofa.
Tirei o maior sarro de vc ontem por causa do capecete de equitação e hj pela manhã, fiquei tentanto tirar a lente do meu olho, qdo percebi que nem a tinha colocado!!! Até parece que 6º não fazem diferença...
Adorei o jantar, mas vc esqueceu de me dar os pregadores!!!
Que santo, que nada, são os truta lá da quebrada, mina!
Puxa, as minhas as pessoas chamam de "sabe da última da Carol?"...
Hahaha, ainda bem que a moça te avisou. O que o nervosismo não faz, não é?
Deixe seu comentário:








RSS feed