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Os dois tipos de cretinices

É só o tempo esquentar um pouquinho para eu ser tomada por surtos de cretinice. Cá estou eu, olhando as pessoas do banco do passageiro, quando vejo um judeu ortodoxo atravessando a rua. Vinha com suas roupas longas e pretas num calor de rachar, a barba grisalha e os cabelos compridos presos numa trancinha. Tinha também aquele chapeuzico que eles usam no cocoruto e que eu nunca decoro o nome (solidéu? kibutz? mitzvah?). Não sei o que me passou pela cabeça – juro que não foi de sacanagem –, só sei que, quando dei por mim, estava acenando entusiasticamente para o homem. Foi um aceno feliz, do tipo que as crianças fazem quando encontram o Mickey na Disneylândia ou coisa assim. Por sorte, alguém lá em cima teve pena de mim e o homem nem me viu.

As coisas estúpidas que sou capaz de fazer se dividem em duas categorias. Na primeira, estão as cretinices que eu já fiz, quase sempre sem me dar conta, como foi o caso do tchau pro judeu. Mais comum é eu ficar horas procurando onde foi que eu enfiei os malditos óculos, quando eles nunca saíram de cima do meu nariz. Ou, então, insistir em abrir a porta com a chave errada ou em escrever com a caneta tampada. Tenho vergonha de dizer, mas sempre estou sóbria nessas ocasiões.

O pior tipo de estupidez é aquela que já é sabida de antemão e, mesmo assim, sei que, cedo ou tarde, vou acabar cometendo. Porque gente como eu precisa só contar os dias até que acabe saindo de casa com sapatos trocados, feche o carro com a chave dentro ou use uma meia de cada cor. Ou saia da aula de equitação e só se dê conta de que ainda está com o capacete de montaria no terceiro farol, depois de o motorista do lado olhar estranho.

Eu adoraria dizer que esses são exemplos hipotéticos.

Judeu ortodoxo visto de costas, enquanto atravessa a rua


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Comentário de: Patrícia · http://www.interney.net/blogs/cintaliga
Carol, a gente é irmã-gêmea no quesito cretinices ou coisas sem noção/desastres de toda ordem.
Quando o Tuca ainda tinha a moto dele (que saudades, ó céus), eu era a alegria de todos os motoristas e pedestres nos faróis. Era um festival de querer colocar bala na boca ou coçar a cabeça ATRAVÉS do capacete. :P
Eu mesma morria de rir, ao levantar a viseira e deparar com alguém quase roxo de tanto segurar a risada. Um dia olhei pra uma mulher no carro ao lado e falei: "vai, minha senhora, pode gargalhar que esta merece mesmo". :P

(Eu tava querendo fazer um post falando destas coisas, agora vou fazer dando link pra este aqui, que se complementam totalmente. Você se importa? :P)
Beijos. :)

Hahahahahahahahaha, essa do capacete é ainda melhor do que eu tentando atravessar a porta de vidro fumê achando que estava de óculos escuros! A gente só pode ser irmã-gêmea, Pat! Claro que pode linkar!
PermalinkPermalink 16.10.07 @ 22:03


Comentário de: Marcele Fernandes Email
Eu também faço muitas cretinices como essas que você descreveu. Uma vez, quando ainda era solteira, saltei do elevador no andar errado e fiquei tentando abrir a porta do vizinho durante muito tempo, crente que era a lá de casa. E, claro, eu estava beeeem sóbria e as portas sequer eram parecidas. Ainda bem que ele não chamou a polícia!

Beijos,

Eu faço isso com carros estacionados que lembrem vagamente o meu Palio vinho: um Monza vinho, um Vectra vermelho, um Ká preto...
PermalinkPermalink 16.10.07 @ 23:25


Comentário de: bia Email
Tudo bem.Todos tëm seu dia de nerd.Comigo,ocorreu quando ainda era uma inocente mocinha caipira, recem chegada do interior para morar em S.P. com mamáe.Para fazer os pagamentos para ela, eu precisava levar e náo desgrudar os olhos de um guia da cidade.Uma vez, em plena Pra;a da Se,lotada de gente esperando Önibus, eu dei a maior e mais estrondosa cabe;ada em uma caixa enorme de correio.Alem de o galo cocoricar altissimo, meu corpo foi e a cabe;a ficou, como se fosse ser arrancada de vez.As pessoas me olharam como se nunca tivessem passado por um miquinho desses.

Agora as coisas começam a fazer sentido! Você já estava grávida de mim nesse dia, não estava?
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 08:53


Comentário de: bia Email
Querida, deixe-me dizer-lhe que ADORO esse fundo laranja. Parece o Sol querendo invadir escancaradamente nossa alma.

(Mãe é o máximo, não?)
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 09:04


Comentário de: Aline T. H. Email · http://casadocacete.blogspot.com
Ah, cretinice assim sempre rola: dar de cara no poste no meio da rua, sair com uma blusa com furinho sem ver... vc me fez lembrar a pior das histórias, vou ter q postar, rs.

Beijoca.

A criatura escreve um comentário desses às 9h14 e no mesmo dia, às 10h27, não lembra mais qual era a história! A coisa é grave, como se vê...
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 09:14


Comentário de: Léo Email
Carol,
Sou frequentador assiduo do seu blog!!
Excelente texto, ri demais!!
Mas acho q todo mundo é meio assim mesmo..tem umas leseras dessas..rs

Eita, mas esse post fez os leitores ocultos se revelarem! Escreva mais vezes, Léo!
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 09:35


Comentário de: Ingrith Email · http://blogdaingrith.blogspot.com/
huahauhahauahau

Que situação cômica! O pior é que dá uns treco e a gente faz do nada né?

Agora vou me deliciar nos outros post.

Iêba.
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 11:32


Me lembrei deste blog aqui: http://www.leisdemurphy.blogger.com.br/index.html

Hehehehehehe

Muito divertido, Mila!
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 11:40


Comentário de: Tati M. Email
Oi Cá,
Saudadeira.
É sempre muito bom ler vc.
Mas vc esqueceu de dois episódios que eu acho os melhores. Como bater a testa na porta de vidro fume achando que estava de óculos escuros e o atleta que saltava com o seu cavalo. "Como alguém pode dar o nome de Complexo Deodoro para um cavalo?" rsrsrs.
Tudo bem! Dou minha mão a palmatória. Já sai com o sutiã ao contrário, com os peitos pra trás. Adorava fazer essa brincadeira e um dia esqueci de destrocar e sai assim mesmo. O pior a blusa era meio transparente.

Tinha que falar da história do cavalo? Tinha? O que eu posso fazer se na legenda da foto estava escrito Fulano salta no Complexo de Deodoro e a única coisa que dá pra ver é um homem e seu cavalo? Agora, essa do sutiã, afff...
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 13:26


Comentário de: Aloisio Milani Email · http://aloisiomilani.wordpress.com
Carol, passo para deixar um oi. Nesta semana, como havia te adiantado, estou deixando a Agência Brasil para novos vôos, ainda sem rumo. Fiz um último trabalho. Queria muito que você olhasse. Segue o link: http://www.agenciabrasil.gov.br/grandes-reportagens/2007/10/16/grande_reportagem.2007-10-16.7469583908/view

Tô adorando acompanhar seu blog, meu Afilhado querido!
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 15:00


Comentário de: maiako Email · http://porumpratodecomida.zip.net/
Por isso tudo que você é tão adorável e especial!

Por causa da minha impressionante capacidade de fazer cretinices?!?
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 15:20


Comentário de: Edno Email
Olá Carol, fale de você,você paresse ser intelectual, ou gosta de filosofia, será que acertei.
Aprovo

Edno, passou longe: nem intelectual, nem filósofa.
PermalinkPermalink 18.10.07 @ 07:47


Comentário de: Tati Email
Cá, seu santo é forte mesmo!!
Tirei o maior sarro de vc ontem por causa do capecete de equitação e hj pela manhã, fiquei tentanto tirar a lente do meu olho, qdo percebi que nem a tinha colocado!!! Até parece que 6º não fazem diferença...
Adorei o jantar, mas vc esqueceu de me dar os pregadores!!!

Que santo, que nada, são os truta lá da quebrada, mina!
PermalinkPermalink 18.10.07 @ 08:28


Comentário de: Fernanda Email
Adoro cretinices. Quebram o cinza dos dias. As minhas, eu chamo glamurosamente de "The Power of the Losers".

Puxa, as minhas as pessoas chamam de "sabe da última da Carol?"...
PermalinkPermalink 18.10.07 @ 11:47


Comentário de: Mara Email
A meu FURO foi o de fazer uma consulta no PoupaTempo com a blusa clarinha no avesso. E olha que cada manga curta tinha um botão de enfeite. Foi a atendente que me avisou. Que MICO. Era encaminhamento para emprego. Imagine se fosse direto com o Empregador. Pura distração e DESESPERO. Tchauu'!

Hahaha, ainda bem que a moça te avisou. O que o nervosismo não faz, não é?
PermalinkPermalink 01.05.12 @ 08:59


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