O reflexo infinito
A cena era a seguinte: em cima da mesa, havia uma fatia de pão, uma faca e um copo de requeijão, cujo rótulo vermelho trazia a imagem de uma mesa com uma fatia de pão, uma faca e um requeijão, em cujo vidro se via uma fatia de pão, uma faca e um requeijão, em cujo. Eu era criança e lembro de ficar horas pensando que o desenhista só podia ter parte com o demo para fazer uma ilustração daquelas, que ia diminuindo ao infinito. Era, sem dúvida, a propaganda mais assustadora de toda a indústria alimentícia dos anos 80.
Desenhos caleidoscópicos como esse sempre me tiraram o sono. Uma vez, vi uma ilustração numa propaganda de revista que mostrava uma mulher de óculos escuros segurando um pequeno espelho. A coisa toda já era meio pirante – os óculos refletiam a imagem do espelho, que refletia a mulher de óculos, cujas lentes refletiam novamente a imagem no espelho... –, mas o autor resolveu tornar sua obra um surto psicótico completo e colocou mais dois espelhos, um atrás da mulher, outro, na frente, de modo que toda a cena era refletida, trifletida e quatrufletida, até o limite da lucidez humana.
Pensando bem, só agora consigo entender porque nunca fui uma criança muito normal.

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Um beijinho
A latinha de pó Royal!!! Grande lembrança, Fran! Essa me apavora até hoje!
Sempre achei que ela zombava de mim, Mila.
Aquele palhaço era assustador! Ainda bem que eu tive coragem de me insurgir contra aquela imagem do mal!
Aliás, aqueles dois padres sorridentes só podiam ter algo a esconder, não acha?
Uma coisa dessas só pode ter saído de uma mente maligna como a sua, Omblogsman!
Ah, pior é que a gente vê, sim, Camila: espinhas, cravos, manchinhas, aquela marca de catapora que nunca sumiu e rugas, muitas.
Ai, mãe, não piora! Já estava assustador demais!
Uma infância inteira destroçada por causa de um pote de requeijão. Pobres de nós...
O que esse quadro pode nos dizer em relação a nós mesmos?
Que relação é possível estabelecer, entre uma avaliação e os conteúdos desse quadro?
Obrigada Ana
Ana do céu, isso aqui é um blog, não um tratado de semiótica! Não tenho idéia de como o Norman Rockwell se vê – suspeito que com a ajuda de um espelho...








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