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O reflexo infinito

A cena era a seguinte: em cima da mesa, havia uma fatia de pão, uma faca e um copo de requeijão, cujo rótulo vermelho trazia a imagem de uma mesa com uma fatia de pão, uma faca e um requeijão, em cujo vidro se via uma fatia de pão, uma faca e um requeijão, em cujo. Eu era criança e lembro de ficar horas pensando que o desenhista só podia ter parte com o demo para fazer uma ilustração daquelas, que ia diminuindo ao infinito. Era, sem dúvida, a propaganda mais assustadora de toda a indústria alimentícia dos anos 80.

Desenhos caleidoscópicos como esse sempre me tiraram o sono. Uma vez, vi uma ilustração numa propaganda de revista que mostrava uma mulher de óculos escuros segurando um pequeno espelho. A coisa toda já era meio pirante – os óculos refletiam a imagem do espelho, que refletia a mulher de óculos, cujas lentes refletiam novamente a imagem no espelho... –, mas o autor resolveu tornar sua obra um surto psicótico completo e colocou mais dois espelhos, um atrás da mulher, outro, na frente, de modo que toda a cena era refletida, trifletida e quatrufletida, até o limite da lucidez humana.

Pensando bem, só agora consigo entender porque nunca fui uma criança muito normal.

Norman Rockwell em seu famoso auto-retrato triplo: sentado, o pintor vai retratando numa tela sua imagem refletida no espelho

Categoria: Comportamento, Artes

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Comentário de: Fran Email
Carol, seus textos são mesmo incríveis... vc me fez lembrar do desenho da latinha de Pó Royal que eu olhava fixamente qdo criança, nem sei se é assim ainda, mas eu passava horas testando minha visão, e juro que eu via o desenhinho lááááá looooonge...rsrsrs
Um beijinho

A latinha de pó Royal!!! Grande lembrança, Fran! Essa me apavora até hoje!
PermalinkPermalink 14.10.07 @ 21:33


Eu tinha medo da moça da embalagem dos palitos Gina. Ela nos acompanha com os olhos e sempre com aquela risadinha bizarra.

Sempre achei que ela zombava de mim, Mila.
PermalinkPermalink 14.10.07 @ 23:01


Comentário de: bia Email
Você se esqueceu daquele quadro de palhaço (MARAVILHOSO) em tons pastéis que D.Vera pintou (especialmente para vcs)e que vc não sossegou enquanto não o tirei de seu quarto e o fiz sumir de sua vista.Lembra-se?

Aquele palhaço era assustador! Ainda bem que eu tive coragem de me insurgir contra aquela imagem do mal!
PermalinkPermalink 15.10.07 @ 11:14


Comentário de: Aline T. H. Email · http://casadocacete.blogspot.com
A mulher dos palitos Gina e os padres do chocolate em pó. Muito medo.

Aliás, aqueles dois padres sorridentes só podiam ter algo a esconder, não acha?
PermalinkPermalink 15.10.07 @ 14:33


Comentário de: Omblogsman Email · http://www.acervodoherminio.blogspot.com
Será que nós mesmos, tomando café da manhã, não somos personagens de uma embalagem de requeijão e há alguma criança gigante nos observando? E essa criança gigante também não seria uma personagem em rótulo de requeijão que outra criança mais gigante ainda estaria observando - e assim sucessiva e infinitamente gigante?

Uma coisa dessas só pode ter saído de uma mente maligna como a sua, Omblogsman!
PermalinkPermalink 15.10.07 @ 16:13


Comentário de: Camila Email
aaaaiii que pavor!! qdo entro numa sala com mts espelhos jah fico desesperada.. sempre acho que se ficar olhando mt tempo vou acabar vendo alguma coisa la no fundo sei la..

Ah, pior é que a gente vê, sim, Camila: espinhas, cravos, manchinhas, aquela marca de catapora que nunca sumiu e rugas, muitas.
PermalinkPermalink 15.10.07 @ 17:45


Comentário de: bia Email
Omblogsman- Sera que essa crian;a gigante náo e um lindo serzinho tentando dizer-lhes que quer fazer parte desse cafe da manha como uma fantastica familia reunida?

Ai, mãe, não piora! Já estava assustador demais!
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 08:59


Comentário de: Ingrith Email · http://blogdaingrith.blogspot.com/
Eu tb tinha essa dúvida! É assustador!

Uma infância inteira destroçada por causa de um pote de requeijão. Pobres de nós...
PermalinkPermalink 17.10.07 @ 11:34


Comentário de: Ana Maria Modesto Email
No triplo auto retrato de Norman Rockwell, eu gostaria de saber o seguinte: como ele se vê?
O que esse quadro pode nos dizer em relação a nós mesmos?
Que relação é possível estabelecer, entre uma avaliação e os conteúdos desse quadro?
Obrigada Ana

Ana do céu, isso aqui é um blog, não um tratado de semiótica! Não tenho idéia de como o Norman Rockwell se vê – suspeito que com a ajuda de um espelho...
PermalinkPermalink 29.01.08 @ 11:38


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