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A anta cibernética*

É nisso que dá deixar que as máquinas dominem o mundo. Mal você passa o corretor ortográfico num texto, o computador já vem com intimidade. Acabo de terminar uma longa reportagem sobre cursos a distância e veja só o que o saliente do meu Word fez com o trecho inicial: “Para quem gostaria de fazer uma pós-graduação lato cinto, Márcia Bote-lhos recomenda uma busca nos currículos cadastrados no sistema latente”. Não entendeu? Não te culpo.

Quem como eu depende de sua produção escrita para não passar fome já deve ter se descabelado com o corretor ortográfico do Word. Espero que esteja se revirando na cova a mente maligna que resolveu “ajudar” os escritores modernos. Agora, cada vez que termino um texto, tenho o duplo trabalho de passar o corretor e checar as alterações cretinas que ele fez à revelia. Senão, vejamos. Para “lato sensu”, aquela graduação dos cursos de curta duração, minha CPU espertinha sugeriu “lato Celso”, “lato seixo” e o ótimo “lato sendo”, que só pode ser a mais nova maravilha da tecnologia on line.

Nem nomes próprios minha anta cibernética poupa, e é por isso que posso escolher entre ouvir uma especialista chamada “Márcia Bote-lhos” (onde? onde?) ou uma militante ecológica com o meigo sobrenome “Botinhos”. “Botelhos”, nem pensar – é claro que não consta do cadastro do corretor ortográfico um sobrenome extravagante desses.

Quando você acha que já viu o analfabetismo digital a fundo, vem a melhor das substituições, capaz de transformar o conhecido sistema de currículos Lattes em um obscuro “sistema latente”. Tenho medo de imaginar que tipo de currículos um sistema desses agrega, mas deve ser melhor do que o conteúdo do “sistema latejes” ou do impressionante “sistema latia”. Não sei o seu computador, mas o meu seria reprovado no Enem – ou “Enchem”, “Enfim”, “Inibem”.

*este post é baseado no ótimo Crônicas de um País Bem Grande, do jornalista Bill Bryson.

foto de página de dicionário sob lente de lupa


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Comentário de: Ozzy, the Wizard Email · http://ozzylandia.blogspot.com
Acostume-se, pois eu que presto serviço para a tradutora de espanhol também peno com correções randômicas.
O pior é que a chefe acha que o erro foi meu, pois eu digito, e depois ela revisa.
Mas esta semana, depois dela digitar o texto inteirinho, imprimir, e depois ver "Fernandes" em lugar de "Hernández", fui absolvido de todos as acusações anteriores.
Maravilhas do mundo moderno.

É que o seu corretor também é tradutor, ora bolas.
PermalinkPermalink 04.10.07 @ 22:58


Comentário de: Edney Souza Email · http://www.interney.net/
Eu nunca deixo esse corretor ligado, não confio nele.

Preciso descobrir onde fica o botão de OFF!
PermalinkPermalink 05.10.07 @ 08:18


Comentário de: mario avelino Email
Pessoal eu acho que dá para desabilitar o corretor ortográfico do WORD.
Eu como não sou um bom conhecedor da língua portuguesa, o corretor me ajuda muito, mas para quem não gosta, fale a pena pesquisar um pouco e ver como fazer para desabilitá-lo

obs: se não fosse pelo não teria feito nenhuma acentuação nas palavras acima.

grande abraço

Meio disléxico seu corretor, não?
PermalinkPermalink 05.10.07 @ 13:10


Comentário de: Álvaro Email
Você não tem coisa melhor para falar, me chamou a atenção para ler uma reportagem escrita por pessoa que não sabe escrever e confia em uma máquina. Que pena, você precisar trabalhar como reporter e não dominar o português, uma vez me disseram que se está infeliz no trabalho que realiza, devemos lembrar que a aposentadoria ocorrerá com uns 40 anos de trabalho, então você estará vivendo 8 horas por dia durante quarenta anos fazenso aquilo que não gosta, quem sabe você pode ir fazer alguma outra coisa melhor... quem sabe programador, ou coisa e tal...
Obrigado valeu, me ajudou muito a desabafar.

Obrigada, nada: pode deixar o cheque da terapia com minha secretária.
PermalinkPermalink 05.10.07 @ 19:50


Comentário de: Marcele Fernandes Email · http://www.interney.net/blogs/guindaste
Eu adorei o "Crônicas de um país bem grande". E estou louca atrás do "Crônicas de uma ilha bem pequena", sobre a Inglaterra, mas acho que ele ainda não foi traduzido para o português. Você já leu o "Breve história de quase tudo"? É sensacional, também.
Beijos,

Já li tudo dele, Marcele: "Uma Caminhada pela Floresta", "Vida e Obra de Kid Trovão" e, claro, "Breve História", que deveria fazer parte do currículo de todas as faculdades de jornalismo. O cara é foda, né?
PermalinkPermalink 05.10.07 @ 20:14


Comentário de: Marcele Fernandes Email · http://www.interney.net/blogs/eclipse
Sim. A cada dia que passa eu fico mais doida, né? Agora, em vez de assinar como meu marido, assino como se o meu blog fosse o seu. Estou realmente começando a acreditar que sofro não de dupla, mas de tripla personalidade. Aimeudeus.
Beijos,

Não tem problema: eu sou fã de todas as três Marceles Fernandes.
PermalinkPermalink 05.10.07 @ 20:16


Comentário de: Cleonice das graças de Souza Barbosa Email · http://www.artur@puroagito.com
Achei interessante a reportagem acima.Eu q/não tenho curso de computação digito como se. Mas muitas vezes acho cada erro de português e palavras escritas duas vezes.Já aconteceu uma coisa interessante, às vezes a pessoa escreve semolhar para a tela co computador e nesse meio tempo dá um treco e costuma aparecer texto escrito duas vezes na mesma sequêcia. Então fiquei observando e percebi que o próprio computador dá este pulo e as pessoas nem percebem por confiar demais no que escreveumas, não percebeu a falha. Então vale a pena conferir, perder uns minutos e ganhar muito mais sabendo que está correto.É um lápso muito grande acontecer isto.Mas a culpa está no próprio computador.Pior q/a gente não sabe onde mecher. Mas já pensou para quem está lendo? è terrível deparar com estas falhas.Cleonice

Ô se é, Cleonice. Terrível, mesmo.
PermalinkPermalink 06.10.07 @ 09:21


Comentário de: edgard reymann Email
Adoro o teu mau humor! bj

Bah!
PermalinkPermalink 09.10.07 @ 17:43


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