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Jurada de morte

– Não precisa ter medo, viu? Ele vai cuidar bem de você. Toma, a água está aqui. Trouxe Delícias da Granja, olha que gostoso, tem carne, peru, miúdos de frango... E veja só: seu rato preferido! Aqui tem mais espaço, dá uma olhada, um sofá, dois, três sofás inteirinhos para você destruir! Que maravilha, hein? Ah, e não tem nenhum gato com instintos assassinos no pedaço, olha que coisa boa?

Há três meses, Quelé foi jurada de morte pela famiglia. Não sei o que ela andou aprontando, mas os ânimos andavam tão exaltados que bastava cair um prego no chão para os gatos pularem estatelados nas quatro patas, o pêlo eriçado e o rabo igual a um espanador. Quando ela ia até o prato de comida, era abordada por um sujeito alto, forte, de bigodes castanhos e cara de poucos amigos. Se resolvia dar uma espreguiçada no sol, tinha de sair na unha com uma branquela de 5 kg. Isso sem falar nos tufos de pêlos espalhados pela casa, resultado dos embates mais sangrentos. Depois de passar oito horas apartando brigas a cada vinte minutos, resolvi buscar asilo para minha gatinha preta.

Foi uma decisão difícil. No começo, borrifava água nos briguentos e deixava o agressor de castigo na área de serviço, mas bastava abrir a porta para um falar coisas indecorosas a respeito da mãe do outro. Tentei florais e homeopatia, mas os gatos se mostraram céticos quanto a tratamentos alternativos. Apelei para a boa e velha psicologia: quando eles estavam juntos sem brigar, fazia carinho e dava biscoitos por bom comportamento. Como eles nunca tivessem lido sobre Pavlov, nem isso adiantou: assim que eu virava as costas, Grafite e Quelé se atracavam.

Ontem, consegui finalmente levar a Quelé para um lugar acolhedor. Coloquei-a numa caixa de transporte, levei a cestinha com seu cheirinho, suas próprias tigelas de água e comida, seu rato com catnip preferido. Achei que ela ficaria assustada e fosse se refugiar no primeiro buraco que encontrasse. Em quinze minutos, ela já tinha rastreado todo o terreno, esfregado o nariz em cantos e quinas e xeretado embaixo da cama. Depois da inspeção, sumiu por uma meia hora e voltou com os bigodes cheios de teias de aranha. Deu um pulo gracioso no sofá, lambeu o rabo e tirou uma soneca.

Fiquei olhando que nem mãe de primeira viagem, quando leva o filho na escolinha e o moleque entra saltitando, feliz da vida. Custava ela ter ficado só um pouquinho triste?

foto da Quelé, com seus grandes olhos amarelos
Quelé, enquanto ainda não era uma gata perseguida pela máfia

Catalão é uma língua difícil, mas basco é de outro mundo! Onde coloquei os acentos para escrever durante a viagem?



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O sofá anti-gato

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Comentário de: Tati M. Email
Pra onde ela foi?
Ah!
Bjs
Kd meus moldes?

Foi para a casa do Sergio Fabris... Os moldes estão quase prontos!
PermalinkPermalink 02.10.07 @ 16:34


Comentário de: Cláudia Email
Ela parece a minha Gabi!!! É fofa, tomara q fique bem na nova casa. Gatos gostam de ser um só na casa, a ñ ser q foram criados juntos deste pequenininhos. Tenho uma amiga q conseguiu uma proeza: ela cria 19 numa kit, pode? E sao todos mto saudáveis!!!
Bjs
CLAU

Puxa, Cláudia, o triste é que eles foram criados juntos desde filhotes. A culpada pelas brigas sou eu: agora que trabalho em casa, eles disputam minha atenção. Não sei porque o Grafite foi escolher justo a Quelé, que era a mais medrosinha, para perseguir, mas vivi em pé de guerra nos últimos três meses. Foi triste me separar dela, mas acho que ela está bem mais feliz e à vontade na casa nova, onde um grande amigo que adora gatos pode se dedicar exclusivamente a ela.
PermalinkPermalink 02.10.07 @ 21:30


Comentário de: Rachel Email
E pensar que a Quelé poderia ter ido lá pra casa se não fosse o Ju...Snif! E ela tá bem?
bj,
raca

Ela está bem, parece mais tranquila. Nem vou te falar dos filhoticos que eu vi ontem para doação... uma coisa de fofos!
PermalinkPermalink 03.10.07 @ 15:18


Comentário de: bia Email
É duro, né? Foi assim que me senti quando minha gata de 29 anos resolveu que ia morar em s.P.

Mães...
PermalinkPermalink 03.10.07 @ 17:41


Comentário de: juliano machado
Gatos são mestres em se mostrarem alheios: tudo mentira, Carol, na verdade são excelentes atores. Lembro com saudade da uma época boa em que tinha uma gataria em casa dos meus pais: mas Petô e Keppler nunca se estranharam.

Adorei os nomes da gataiada, Juliano.
PermalinkPermalink 04.10.07 @ 17:11


Comentário de: Karine Email
Deixa ver se entendi: sua amiga tem uma gata de 29 anos? Entendi certo? Posso ficar mais 27 anos com o meu "terrorista"? Ai, é muita felicidade para uma mãe só!!!

É minha mãe, Karine. A "gata" de 29 anos dela sou eu...
PermalinkPermalink 21.02.08 @ 00:59


Comentário de: Marília Email · http://maroma.wordpress.com/
Não lembrava desse post!

Que bom! A graça de fazer vocês passearem pelos textos mais velhos é justamente para, quem sabe, descobrirem algum que não leram.
PermalinkPermalink 27.10.08 @ 14:55


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