Eu, você e todos nós* - 2
Dia 29 de julho de 2002, Copacabana, Rio de Janeiro. A bancária Marcele Fernandes está pronta para sair de casa. Falta o sapato. Olha para os pares e escolhe um mocassim velho, de sola bem gasta, baixinho e confortável. Vai para a porta de casa com um embrulho de presente nas mãos. Dentro, está o CD Are You Passionate?, de Neil Young. Um táxi pára. Ela entra ansiosa e encontra o banco ocupado. Um rosto que ela nunca viu lhe sorri. Ela sorri de volta. O dono da cara premiada é Nicholas Name, o NN, um flamenguista roxo que fez questão de não encontrá-la em pé, não justo da primeira vez – logo ele, que é dez centímetros mais baixo que ela. A viagem é curta e eles logo param em um pub em Ipanema. A garota desce do táxi. “Não é possível. Você está de salto alto!”, comenta NN, antes de olhar, surpreso, para o pacote de presente.
“Se houver no mundo alguma moça bonita que queira despertar meu interesse afetivo visando relacionamento futuro, em que garanto plena felicidade, recomendo que procure nas lojas mais próximas o CD Are you Passionate?, do Neil Young, para me dar de presente. É garantia de um bom começo...”, ele escreveu em seu blog secreto, quando nem sonhava em encontrar na caixa de comentários a mulher com quem se casaria três anos depois. “Quando dei o CD, demorou alguns minutos para ele lembrar do post, o desgraçado! Isso é o que dá tentar ser romântica”, resmunga Marcele.
Mas o “bom começo” do casal surgiu meses antes, quando ela – ou melhor, Sarah Ivich, seu pseudônimo –, entrou no blog de um amigo e encontrou um post sobre a faculdade que ela cursava. Era de NN. Marcele não gostou do texto e escreveu a respeito em seu próprio blog. NN leu e resolveu se explicar. Começava aí uma intensa correspondência via e-mail, com espiadas diárias em blog alheio.
NN trabalhava de madrugada. Marcele pegava seus e-mails pela manhã, antes de ir trabalhar, e tinha que amargar uma longa espera até que recebesse a resposta, novamente, altas horas da noite. Um mês depois, o primeiro telefonema. “Antes de ela ouvir minha voz, coloquei Come Rain or Come Shine, do Johnny Mercer, na interpretação de Al Jarreau”, recorda NN, que conclui: “Tiramos a sorte enorme; nesse mundo gigantesco, encontramos aquele que será nosso par”.
Com a palavra, sua ex-leitora e atual parceira de casa e blog: “Conhecer o marido pelo blog tem lá suas vantagens. Era engraçado curtir as pequenas coincidências, perceber que nós tínhamos muitos gostos em comum, saber de antemão que ele era viciado em War e, claro, rubro-negro fanático – tão fanático que eu sabia até que um de seus gols preferidos era um do Rondinelli, na final do segundo turno do Campeonato Carioca de 1978, aos 41 minutos do segundo tempo”. Ela levou a sério essa coisa de interação entre leitor e blogueiro e, hoje, os dois se encontram esporadicamente sob o mesmo teto. Sim, porque ela ainda trabalha de dia e ele, à noite.

*Outro trecho da reportagem sobre blogs que está na revista Vida Simples de outubro. Gosto muito dessa história dos meus vizinhos de condomínio. O texto na íntegra pode ser lido no site da revista.
Vá para 2006, mantenha sigilo e siga para a reta final rumo ao kit premiado!
Posts similares:
O eterno campo de batalha entre homem e mulher, parte II
Será o fim do Eclipse?
A porta da esperança
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Beijos,
Marcele
(e eu sei que vai aparecer Gustavo de Almeida no campo nome, mas é que eu fiquei com uma preguiça danada de fazer o logout, veja só, que vergonha!)
Ah, o mérito não é meu, Marcele: a história já era ótima. Só reproduzi o que vocês me contaram!
Sempre que posso, dou uma lida em seus textos, sem necessariamente dizer que sempre leio os da Marcele e Gustavo.
Se você se sentir curiosa para saber quem sou, por favor, pergunte ao casal
Gustavo e Marcele.
abraços e parabens por seus textos.
Hilton
Você é o famoso cupido do casal Eclipse?
Quente! Quente! Quentíssimo!








RSS feed