Brincando de matar monstros
“Eu entendo, falo e demonstro sentimentos reais!”, está escrito na caixa da Amazing Ananda, uma boneca de 80 centímetros, loirinha e de olhos azuis. Vem com um vestido, um pijama, mamadeira, comidinhas e custa R$ 799,99 – por metade disso, eu falo, lavo, passo, asso cookies e ainda uso um vestidinho. Ouvi a vendedora dizer que queria voltar a ser criança só para brincar com uma boneca dessas.
Sempre achei meio bobos os brinquedos de menina. Para quem nunca brincou de casinha, aqui vai uma sinopse: você pega a sua Barbie, leva meia hora para vesti-la com aquelas roupinhas cafonas, daí, leva sua Barbie para a casa de outra Barbie e lá vocês trocam roupinhas por umas duas horas. Quando estiver cansada de pôr e tirar roupa, você pode escovar o cabelo da Barbie e fazer trancinhas nela, e lá se vão mais uns cinqüenta minutos da sua tarde. A coisa mais excitante que pode acontecer na vida de uma Barbie é confundir o Blaine com o Ken. Faça-me o favor.
Meninos, sim, sabem o que é se divertir. O Omblogsman, por exemplo, adorava matchbox: fazia o carrinho deslizar pelo sofá até perder o freio, quando então o veículo caía num despenhadeiro, não sem antes capotar umas duas ou três vezes. No final, o suprasumo da brincadeira era encher o carrinho de álcool e botar fogo. O resultado era uma marca preta no carpete e um tapão na bunda, mas quem liga para castigo quando você pode ser Nero Júnior?
E as diferenças não param por aí. Meninos têm ferroramas, autoramas e roupas de Homem Aranha com músculos no peito. Meninas têm o bebê Lingüinha, a boneca Tremedinha e a Lica me Liga, que vem com um celularzinho de brinquedo. Percebe a covardia da comparação? Enquanto eles brincam de forte apache ou cultivam um ovo de dragão com plasma, elas precisam se contentar com o fogão das Meninas Superpoderosas ou o bebedouro Aqua Center, versão em miniatura de um prosaico bebedouro de galão. É por isso que as garotas se zangam quando eles não querem discutir a relação. Afinal, o que se pode esperar de um cara que passou a infância matando monstros?

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Vade retro Carolis, que eu quero meu livro autografado!
Quem sabe na próxima encarnação, Paulo, quem sabe...
Acho que é por isso que não tenho muita paciência com certos "papinhos" de mulher, rs.
Muito bom seu blog, parabéns!
Eu gostava de skate também, Aline, mas ele nunca gostou de mim...
Imperatriz das campinas guindásticas.
Ou Muse - musa - ou qualquer outra inspiraora palavra.
(Na verdade, alcunhas não importam: importa o carinho que o Paulo, eu, e outros admiradores temos por você. Creio que ele concordaria que, às vezes, palavras não alcançam certas extensões da admiração ).
Eu, quando corria por aí, de um lado para outro, esbarrando em coisas, quebrando e riscando paredes (eu apanhava por isto, agora faço isso e nada), imaginava monstros em silhuetas na parede. Seres espaciais em nuvens, e coisas parecidas.
Eu não era herói, mas negociador, pois sempre conseguia convencer os seres a devorar professores ou parentes chatos.
Ei, eu também negocio com meus monstros! Quer dizer, negocio até onde dá, porque chega uma hora em que é preciso colocá-los na linha, senão, acaba o respeito. Ainda faço isso com meus fantasmas, que costumam ser bem mais desobedientes.
bjobjo
Aquaplay até que era divertido.
eu só não vou concordar totalmente com você porque eu tive meus momentos que percebi as vantagens de se aceitar brincar de casinha de vez em quando...
apesar dos outros moleques da rua ficarem me chamando de "mariquinha" ou coisa assim, era eu que ficava de marido, dormindo abraçadinho na cama que era a calçada mesmo. tudo bem que eu ainda não sabia muito bem qual era a vantagem disso, mas a sensação era boa.
tirando isso, todos os brinquedos de guerra do mundo estiveram em minhas mãos. eu e meu irmão organizávamos QGs com tropas que incluíam Rambos, tartarugas ninjas e guerreiros medievais.
Antes que eu esqueça: o chão simplesmente não existe durante um combate final, hahahaha.
ah, sim. mudei de servidor e já te linkei no blog novo porque adoro ler tudo que tem aqui.
abraço.
Cavaleiros medievais, é? Uau!
Adorei esse post...
Me identifiquei demais... rsrs...
Eu adorava os brinquedos dos meus irmãos... sempre brincava com eles... de "hominho do bem" e "hominho do mal"... monstros, carrinhos... videogame...
Os meus estavam me ensinando a limpar a casa, cozinhar, ser boa mãe... =P
Mas sabe que eu adorava a minha barbie?
Beijos...
Eu sempre ficava com os hominhos do mal, Paola.
Lembro de ficar com os joelhos encardidos de brincar de pic esconde, lobisomem americano, bets (naum sei escrever), bola -queimada.
Mamãe até brincava q a gente naum ia arranjar namorado por causa dos nossos joelhos e cotovelos!
Rsrsr
Olha o mico!
Ai, que saudade da minha caixa de lego!
Taí alguém que nunca andou de carrinho de rolimã.
Ai, que triste... A propósito, eu também voava. Fiz até um manual de instruções de vôo.
Até os meninos?!? Wow.








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