Da arte de ser mal atendido
Às vezes, faço coisas que deixam as pessoas espantadas. Na maior parte das vezes, acontece com quem não me conhece direito, porque meus amigos já nem se incomodam mais. Minha mais recente esquisitice tem sido pedir chá morno no Fran’s Café. Se há uma rede com atendimento mais uniforme entre suas franqueadas, é o Fran’s. Em qualquer uma das 120 unidades que você vá, de São Paulo a Goiânia, vai encontrar o mesmo café sulfúrico, o mesmo atendimento lerdo e os mesmos bichinhos na salada – bem, não exatamente os mesmos, pode ser um pulgão, uma mosquinha, uma larva, o cardápio acompanha os bichos da estação.
Um Fran’s Café legítimo tem de três a cinco atendentes ocupadíssimas em ajeitar as moedas no caixa quando a fila está enorme, organizar os gibis por ordem de tamanho quando o balcão está lotado ou simplesmente ignorar chamados e acenos por 45 minutos. Manter essa uniformidade no atendimento não é coisa que se consiga de uma hora pra outra. Foram anos de treinamento árduo. Suspeito que os candidatos à franquia sejam levados para a unidade da Heitor Penteado antes de fechar o contrato. É o único lugar onde é possível folhear Carta Capital, Época, Marie Claire e Vida Simples até que alguma balconista se dê conta de que você não tem um estranho tique no braço.
O principal motivo de eu adorar ir ao Fran’s Café mesmo assim é que posso folhear Carta Capital, Época, Marie Claire e Vida Simples sem ser incomodada por uma garçonete perguntando o que eu quero. Não é que todas as garçonetes da rede sejam displicentes. Elas são capazes de dizer com um sorriso que seu café vai demorar um pouquinho e conseguem manter os gibis em uma ordem impecável nas prateleiras. O problema é que elas parecem se aborrecer com aquelas coisas que ficam entre a mesa e a cadeira: clientes.
Por isso, depois de cinco anos almoçando e lanchando na rede Fran’s Café, posso dizer que se você quiser um chá quente, mas não pelando, faça qualquer coisa, menos pedir que a água venha morna. Se você não quiser queimar a língua no chá, o melhor a fazer é seguir meu script: 1) vá ao Fran’s Café com muita, muita antecedência; 2) descubra um modo de ser atendido; 3) peça um chá E um copo com gelo; 4) coloque o gelo no chá e ignore o olhar espantado da garçonete. Não tem outra maneira, vai por mim.

Posts similares:
Café vai reinar na terra do chá
As comidas secretas
MyCuppa
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Sorte sua, Deus. Sorte sua.
Vamos comprar Marie Claire amanhã, então. Com esse frio, não tem coisa melhor.
Na verdade, Buscator, é um pouquinho pior...
O salão que corto o cabelo e aparo a barba todo mês é na Vila Madalena e tem um montão de revistas sempre atualizadas. Se quiser, te passo o endereço. :-D
Não sei se servem chá, mas o cafezinho é muito bom.
Êba! Vou colocar minha leitura em dia e ainda saio de cabelo curto!
Pelo menos, aqui temos revistas para ler enquanto o café não vem.
Então me conta onde servem esse Vanilla, Fábio, que cansei de matéria fria.
Rsrsr
Até que enfim resolveu dar o ar da graça, hein?
A cidade está repleta de casas incríveis.
Revistas gratuitas. Botar minhas leituras semanais em dia vale o masoquismo, Lilian.
Assim fica difícil funcionário ser motivado a atender bem...rs
Bruno, ótima observação! Mas, se isso valesse para todas as profissões, deveríamos também ser maltratados por professores, garis, frentistas...








RSS feed