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Berço esplêndido

foto bem panorâmica com um ângulo diagonal feito do contraste entre o rio e a areia; ao centro, dois garotos brincam com uma câmara de pneu de caminhão
Dois meninos brincam com uma bóia: que bandeira parece?

Viagens são experiências difíceis de resumir. São cheiros, sabores, sotaques, texturas e matizes diferentes – uma festa para os sentidos. É tudo tão novo e tão singular que não cabe em poucas palavras. Quando se trata de entrar em contato com os grotões deste país continental, o feito desafia o peito à própria morte. Que o diga o fotógrafo Felipe Gialluisi, 27, preso por uma tribo indígena enquanto fazia foco em território protegido. Saiu ileso graças a suas bandeiras.

O saldo da empreitada pode ser conferido nas 27 imagens da exposição Bandeiras, em cartaz, até 12 de agosto, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Feitas de palha, tijolo, asfalto, frutas, flores, árvores, paisagens e crianças, as flâmulas descobertas por Gialluisi não estão nos mastros de órgãos públicos nem conclamam à ordem e ao progresso. São os silenciosos símbolos que revelam índios, caipiras, negros, mamelucos e sararás – os filhos que a Pátria-mãe teima em ignorar.

A objetiva de Gialluisi denuncia uma percepção acurada, em busca do novo estandarte da nação. Essa imagem unificadora dos sonhos e anseios de um povo surge em situações inesperadas, na casa de pau-a-pique na Amazônia, na carroceria do caminhão em Jacareacanga, no jogo de futebol em Alter do Chão. O heróico brado de independência é a diversão de dois meninos em uma bóia à beira do Xapuri; o sol da liberdade se põe atrás da Pedra do Baú; risonhos campos se enchem de margaridas.

As novas bandeiras nascem do contraste entre claro e escuro, do ângulo do varal, da réstia de luz nas fitas de cetim, da cesta de cajus, na tinta das lulas. É nas margens plácidas da Lagoa Verde, no Pará, que está o florão da América e não no Congresso Nacional.

foto que parece uma pintura abstrata, retrantando lulas sob um fundo azul de um barco
Uma das minhas fotos preferidas da exposição, essas lulas parecem uma pintura abstrata

Categoria: Fotografia


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Comentário de: juliano machado
Carol, esse povo que você conta que as lentes do Felipe Gialluisi contou não se sente representado pela bandeira oficial. Aliás, não se sente inserido, não sente que o poder público do país sequer fale com ele. Como diz o Suassuana (e lá mais alguns)é o Brasil real à margem do Brasil oficial, o Gaspari, andar de baixo e andar de cima. Por isso mesmo ficou excelente o argumento do hino nacional permeando as imagens do seu texto, que também é, pela constituição, símbolo pátrio oficial. A mesma constituição que constitui letra morta pra uma enorme quantidade de brasileiros (lembrei também do Hino à Bandeira, que apesar de ser uma bela canção, é como se falasse da Suíça).

p.s. - não achei as lulas nada parecidas com pintura abstrata...rs.

Boa lembrança da do Hino à Bandeira, Juliano!
PermalinkPermalink 12.07.07 @ 20:07


Comentário de: lilica Email
Meu dedinho naum gosta muito de lula!
Ou era polvo?
Écati...
Traumas de infância =(

Hahaha, era polvo! Sensacional, lembro até hoje a cara de nojo que você fez só porque encostou o dedo no polvo!
PermalinkPermalink 20.07.07 @ 17:35


Comentário de: Pipo Gialluisi · http://www.pipogialluisi.multiply.com
valeu linda, sinto-me honrado pela incerção no espaço e mais ainda pelo belo belo texto!!! valeu!!!

Um grande beijo!!!

Não foi esforço nenhum: as fotos são lindas mesmo.
PermalinkPermalink 24.07.07 @ 23:47


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