O coelho de Marcelo Coelho

Tive o privilégio de ter aulas com Marcelo Coelho. Se já admirava o grande jornalista que ele é, depois de ser sua aluna tive de tomar cuidado para não idolatrá-lo. Marcelo nunca dava respostas fáceis. Eu adorava ver como ele nos estimulava a pensar fora do lugar comum, a escrever sem jargões, sem frases de efeito. Foi um professor muito querido e um bom companheiro de copo: não era difícil encontrá-lo tomando chopp na prainha junto com os alunos a quem acabara de dar aula.
Apesar disso tudo, sempre tive um enorme problema com ele. É que Marcelo Coelho é tão inteligente, tão talentoso, escreve tão bem, é tanto tão que eu ficava pensando: "Mas como é que vou conversar com ele? O que eu tenho para dizer que Marcelo Coelho já não saiba ou não tenha dito melhor e mais bonito?". Era pirante.
Por conta disso, passava as aulas prestando a maior atenção no que ele falava, mas com os olhos grudados no caderno, rabiscando uma espécie de agradecimento que daria para ele ao final da aula. Sim, agradecimento, porque apesar de todos os pesares – do salário ridículo, das picuinhas entre os professores, da dificuldade em corrigir todos aqueles trabalhos de adolescentes com muito entusiasmo e poucas vírgulas –, parecia que ele realmente gostava de lecionar. Baita presentão para os alunos, não?
Meus agradecimentos eram a coisa mais besta que um professor pode receber de um aluno: desenhos de coelhos. Mas não coelhos quaisquer, não! Eram Marcelos Coelhos. Coelhos intelectuais, segurando a Folha de S.Paulo ou lendo Em Busca do Tempo Perdido enquanto tomam uma xícara de café. Coelhos com uma expressão de profunda contemplação. Coelhos filósofos.
Semana passada, Marcelo Coelho lançou mais um livro e eu tive a oportunidade de lhe dar o coelho de papel machê que havia prometido anos atrás. Entreguei a caixa na fila do autógrafo e ele me olhou com um ar espantado, digno de coelho que se arrisca em campo aberto. "É para abrir aqui?" Acho que imaginava que eu teria levado um coelho de verdade – deu para ouvir o suspiro de alívio quando viu que era uma inofensiva esculturinha e não um comedor de cenouras e fios elétricos. Deve ter gostado, porque deixou o coelhudo em cima da mesa de autógrafos. Fui embora abanando o rabo.

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Preview: Usagi Yojimbo #91
Mestre Delih Responde
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Eu também ganhei um dez do Marcelo! Mas foi só uma vezinha...
Eu também recebi uma orientação dessas, Doni!
Esses são os mais divertidos, Osrevni!
Bom, pelo menos meu coelho não come fio elétrico nem faz sujeira por aí...
A fumacinha se apaixonaria!
Rsrsr
Se eu conheço bem a Fumaça, acho que ela tentaria dar umas mordidas no coelho!
Is Marcelo Coelho your friend?
Eu também, Estefani. Boquiaberta.








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