A metrópole dos 5 sentidos
Meu amigo Ian teve a ótima idéia de propor um roteiro com cinco sugestões de passeios bacanas em São Paulo. Depois, imagino que percebendo a encrenca em que se meteu, estendeu a proposta para outras cidades e convidou vários blogueiros a matutar cinco dicas quentes de programas, cada um em sua terra. Como ainda estou em São — agora é oficial, dentro de uns 20 dias o Guindaste vai para o Rio de Janeiro —, resolvi propor um roteiro dos cinco sentidos nessa metrópole tão desorientada. Aqui vão minhas dicas:
Ver — Museu Lasar Segall
A obra do lituano naturalizado brasileiro Lasar Segall (1891-1957) é considerada uma das mais completas no mundo das artes plásticas: seus trabalhos incluem pinturas, esculturas, gravuras e desenhos. Artista expressionista, foi amigo íntimo de Mario de Andrade e um dos introdutores do modernismo no Brasil. O Museu Lasar Segall funciona na bela casa onde Segall morava, na Vila Mariana, e tem um acervo riquíssimo, além de um gostoso café, onde se pode fazer uma pausa para conversar.
Comer — Khan el Khalili
A famosa casa de chá de Jorge Sabongi existe desde 1982 e se consagrou como um dos lugares mais tradicionais para se conhecer dança do ventre. Ao longo da noite, acomodados em confortáveis almofadas, os clientes assistem à apresentação de exímias dançarinas nas mais variadas técnicas dessa arte. A comida farta vale o passeio: há bolos, doces, salgados, frios, sucos, pães, chás importados e nacionais, vinhos e uma grande quantidade de tiragostos deliciosos. Para arrematar, sugiro que mesmo os não-fumantes experimentem umas tragadas no narguilé, um cachimbo ornamentado que tem um recipiente com água por onde passam os fumos perfumados antes de serem filtrados.
Cheirar — Quinta da Canta
A Serra da Cantareira já vale uma tarde inteira de passeio, mas sugiro um almoço no Quinta da Canta. "Ué, mas não é a opção do cheirar?", você vai perguntar. É. Adepto da filosofia do slow food, esse charmoso restaurante funciona num casarão cercado de pássaros e árvores centenárias. Abra as hostilidades com uma boa taça de vinho, que você vai investigar com seu nariz — acredite, há vinhos com cheiro de couro, fumaça, defumado, cogumelos e outras coisas estranhíssimas. As mesas ficam perto de uma cozinha aberta: enquanto você degusta calmamente o seu primeiro prato, é inundado pelos aromas maravilhosos da comida que vai sendo preparada no grande fogão à lenha. Depois, curta a sobremesa à sombra das árvores e respire fundo, deixando aquele cheiro bom de montanha invadir os pulmões. Só não se assuste se encontrar algum esquilo assustado. Eles adoram meter o nariz onde não são chamados.
Ouvir — Samba da Vela
(Casa de Cultura de Santo Amaro, Praça Francisco Lopes Ferreira, 434 - 5522-8897)
Uma mão risca o fósforo e a chama treme ao queimar o pavio. Em volta, as pessoas observam num silêncio cerimonioso. São 20 horas de uma segunda-feira e está começando mais um Samba da Vela, uma roda de samba que recebe todas as semanas alguns dos músicos mais talentosos da cidade. É um culto ao samba e uma oportunidade de novos músicos mostrarem seu trabalho, por isso, há um clima solene no ar, acentuado pelo fato de não se falar nem beber até que a grande vela ao centro da mesa se apague. Viagem antropológico-musical imperdível.
Tocar — Magma Núcleo Terapêutico
Fontes com água corrente, muitas plantas, salas silenciosas e aconchegantes. Esse é o cenário que encontrei no Magma Núcleo Terapêutico quando cheguei com as costas completamente travadas de tantas horas em frente ao computador. O folheto com a descrição das massagens mais parece um cardápio, por isso, ao longo de 15 dias, fui degustando várias. Há especialistas em reiki, do in, shiatsu, acupuntura e outras técnicas mirabolantes. Algumas dóem, outras dóem muito e, claro, há aquelas que você sai como se estivesse flutuando. Todas prometem equilibrar nossa estrutura corporal e, muitas vezes, a psicológica também. Para mim, foi um doloroso trato no ego, mas que me fez um bem danado.
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Com o meu love "desmemoriado", sem mãe?
Sacanagem.
Ô, judiêra... Prometo que depois vou para aí te fazer um cafuné, ok?
Bom saber onde está o Samba da Vela. Em todas as vezes que vou a São Paulo penso em ir até lá, mas nunca sei onde está. Agora me programarei para uma noite de segunda feira por aí.
Xí, Carla, sou novata de Rio, no começo, acho que vai ser Cristo Redentor, bondinho, Vista Chinesa...
Ô, dona Ágata, pode deixar! Afinal, no Rio de Janeiro não tem Vila Madalena!
que papo é esse do rio? vai, não volta, volta quando? o puxadinho aqui no meu coração já tava pronto e você dá no pé.
Era pra nota, professor? Eita, o lance do Rio: vou e volto logo. Pode deixar o puxadinho em ordem que darei as caras todo final de semana.
Não priemos cânico! Vou continuar atualizando direitim o Guindaste!
Putz, Tchello, ultimamente a linha vermelha está por toda a parte... Mas pode deixar que vou passar looooonge dos bailes funks e não vou voltar falando "Olha só, mermão".
O Quinta da Canta mudou um pouco o seu esquema: abre aos sábados e domingos para grupos acima de 8 pessoas.
Um grande abraço.
Sergio Lima
Ah, Sergio, que pena! Eu e meu marido adorávamos almoçar lá no final de semana, só nós dois, na maior paz... Por que tomaram essa decisão de só aceitar grupos grandes? Aposto como a comida e o lugar continuam fantásticos!
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