O vestido imoral
Faz cinqüenta dias que estou sem dinheiro. Fui dormir com um belo salário e acordei com salário nenhum. O pior é que nem posso dizer que fui pega de surpresa: contra toda lógica empresarial, plano de carreira e férias remuneradas, pedi demissão.
Desde então, nunca mais pisei num shopping – logo eu, que sou chegada a uma liquidação. Confesso que adiei ao máximo o reencontro com as vitrines. Por causa de um objeto de desejo, já estourei o limite do cheque especial, parcelei a perder de vista, usei reserva de poupança para supérfluos.
Comprar por impulso foi um erro menor, dentre os muitos que cometi. Sinto um misto de culpa e vergonha cada vez que lembro de ter entrado numa loja para perguntar o preço de um chinelo e ter saído de lá com um vestido de festa só porque tinha visto outra cliente experimentar e não levar. Era uma peça única, a mais cara da coleção. Assim que paguei, percebi que tinha me comportado como uma completa idiota e aceitado, de bom grado, o que a publicidade leva anos para incutir nas pessoas: “tenho porque posso”. Toda vez que ponho o vestido, me penitencio a nunca esquecer o deslize moral que ele me representa.
No entanto, ficar subitamente dura depois de anos de mamata gerou um inesperado efeito colateral. Não foi com tristeza ou inveja que olhei as vitrines. Nem mesmo passar em frente às minhas lojas preferidas me fez esmorecer. Nada disso. Se perdi poder de compra, ganhei poder de escolha. Hoje, é com ceticismo que vejo todos aqueles néons, descontos e facilidades. Olho para um manequim com visão de raio-x. Agora, enxergo a falsa exclusividade, o glamour efêmero, os juros embutidos. E vaticino: não preciso, não vale. Que venha o próximo surto de grana. Estou vacinada contra consumismo.

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ontem mesmo passei por um momento surto descontrol...mas me controlei...
amo sandálias e tenho diversas, nenhuma igual a outra...
passei por uma lojinha que adoro e a maldita estava em liquidação, coisa assim que era 140 paus virou 40 e por ai vai... e esta que vos fala sem um puto sobrando pra fazer uma pequena extravaganciazinha e ficar feliz com um novo par...
foi ruim mas foi bom tbem que eu nao tinha grana pq sou séria candidata consumista e ai ja viu...
ai mega sena...
Liquidação é uma invenção do demônio para tentar as mulheres de bem!
Acho que sou vítima do "quero, não posso mas vou ter". Estou namorando uma bota, há dias, mas custa quase metade do meu salário. Tentei me contentar comprando umas calças que estavam em liquidação mas não dá! A bota é fascinante, não sai da cabeça. Imoral.
Mais uma do clã dos sapatos... Nem bolsa tenta tanto nosso bolso, né?
Estou esperando para ver, Carol ... espero que me contraries...
Beijos!
Marlon
Eu também.
Eu passei por uma situação a 15 dias atrás, foi a primeira vez que eu fui ludibriado por um vendedor.
Estava eu e minha noiva no shopping procurando um vestido para ela, nós íamos a um casamento, também estava procurando uma gravata pra mim.
Entrei em uma loja e vi a gravata perfeita para a ocasião, só que achei a gravata muito cara, depois de cair na conversa do vendedor saí da loja com 3 ternos e 1 gravata. Tudo isso parcelado em 6x sem juros no cartão.
Não me arrependo, ainda!
Abraço
Uau, esse era dos bons! Ainda se fossem três gravatas e um terno...
Ah, Deus, pôxa, me dá um crédito, vá? De preferência com anuidade grátis.

www.despropaganda.zip.net
Putz, isso me fez lembrar do meu baleiro que eu não tenho onde enfiar. Mas ele é tão bonitinho...
Sendo q tbem naum tenho emprego nem dinheiro!! Hahaahhaha
Só tenho vontade de ter as coisas...fico realmente "só na vontade".
Começo a achar que "não ter" é que é poder.
Xí, Dudu, por enquanto estou no fantástico mundo das pessoas que só vão ao cinema às quartas-feiras, e olhe lá.
Ai, Marcele, que bom ouvir isso! Porque quando lembro do meu salário, dá uma dor no bolso...
É vero. Mas melhor ainda é não ter dores...
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