Dicas gastronômicas para um turista acidental
Acabo de dar umas dicas para um turista improvável, daqueles que conhecem São Paulo de andar de táxi pela Paulista, vão ao Masp para ver o acervo fixo que vemos toda vez que vamos ao Masp ver outros acervos e agüentam sorridentes duas horas na espera do Spot – e fazem isso tudo debaixo de uma chuva torrencial ou num calor dos infernos. Esses tipos são incorrigíveis. Vão embora querendo voltar, uma pouca vergonha. Enfim, dei algumas dicas gastronômicas menos turísticas, que agora divido aqui. Vai que você está de bobeira no feriado.
Pasquale (rua Amália de Noronha, 167, Pinheiros, 3081-0333)
É imperdível, mas muita gente acha o mesmo, principal explicação para o fato de esse pequeno restaurante italiano viver sempre cheio. Saiu com destaque na lista dos melhores italianos da cidade. Fica pertinho do metrô Sumaré. Se for almoçar ou jantar, seja civilizado e faça reserva. Ou vá cedo. Tem uns petiscos e tira-gostos de fino trato, que você mesmo pode escolher num balcão de vidro (aceite as dicas do garçom dos petiscos, são quentes). Os pratos são super artesanais, mudam muito a cada semana. O dono é um figura.
Chácara Santa Cecília
Sabe aqueles lugares que valem só pela paisagem? É a Chácara Santa Cecília, uma chácara (juro!) que fica no meio de Pinheiros, perto da marginal e da cratera. Um achado. Ao contrário do Pasquale, é um lugar beeem grande, com ótima comida, em esquema self-service. O preço é fechado, varia entre R$ 30 e R$ 50, sem bebidas, de acordo com o dia da semana; domingos são os dias mais caros. Depois de comer, não deixe de passear um pouco por lá: tem umas alamedas com surpresinhas, uma mandala, uma escultura, um laguinho com carpas. Se for num domingo, leve fantoches – enche de criança.
Pitanga
Essa dica é quente para o sábado, quando, além de uma caprichada feijoada, eles têm em cartaz um saboroso pernil que só pode ser uma daquelas receitas de vó, que tem que ficar dois dias marinando com sálvia ou alguma outra erva obscura. O restaurante fica num simpático sobradinho da Vila Madalena, numa laderona pertinho do Fórum de Pinheiros. Peça uma mesa no segundo andar e almoce sendo acariciado por uma das dezenas de samambaias que ficam presas no teto, uma pertinho da outra. Também tem ótimas saladas e boas combinações de doce e salgado (eu adoro). Se for uma pessoa de sorte, ainda vai estar em época de tangerina e você pode se deleitar com um suco bem menos ácido que o de laranja – e muito mais laranja.
La Tartine (rua Fernando de Albuquerque, 267 Cerqueira César, 3259-2090)
É o bistrot mais barato da cidade e descoladíssimo. Fica quase grudado com o Mestiço, que você já conhece, por isso, quem se cansa da fila de espera de um vai bater ponto na fila de espera do outro. Bem coisa de paulista. Só abre no almoço quando dá na telha dos donos, então, garanta o jantar. A menos que você seja apaixonado por escargots, o que é um bom motivo para eu não te dar mais nenhuma dica, vá de salada e grelhado, só para fazer de conta que você foi lá para comer e não para tomar vinho. Ah, os vinhos...
Praça Benedito Calixto (no quadrilátero entre as ruas Teodoro Sampaio, Cardeal Arcoverde, Lisboa e Henrique Schaumann, Vila Madalena)
Sábado à tarde, não deixe de dar uma passadinha lá para comer "dois pastel e um chopps" e ouvir chorinho. Na praça rola uma badalada feira de artesanato e antigüidades, público alternativo, gente divertida, ferveção nos barzinhos do entorno. Um inferno. Parada obrigatória na barraca do Seu Obeni, o velhinho risonho de cabelos e avental brancos que faz uma poesia para cada doce, onde explica como eles são feitos. Com rimas. O brigadeiro dele sempre vem transbordando, com granulado e farofinha doce coabitando o mesmo espaço, contrariando todas as leis da física. Tem a turma dos rejeitados, também – doce de jaca, de abóbora, de figo. Vai por mim: até doce de jiló eu comeria se fosse do Seu Obeni.
Leitor do Guindaste que resolver seguir esse roteirinho vai ter que escrever depois uma redação caprichada com o tema "Meu feriado em São Paulo". Tem que entregar até segunda-feira e vale nota para o bimestre.

Aquele retangulinho verde ferve nos sábados ensolarados
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Ei, fale mais sobre a sua idéia de histórias blogosféricas. O que seria uma sugestão bacana?
Pena. Minhas recordações do La Tartine incluem até a Ana Paula Arósio, que estava numa mesa ao lado. Sobre as idéias blogosféricas, é uma reportagem sobre a relação entre leitores e blogueiros que escrevem textos mais biográficos. Como os blogueiros lidam com o fato de tornarem seus sentimentos mais íntimos tão públicos? Como encaram o exercício diário de escrever sobre si mesmos? A idéia é pegar alguns blogs pessoais, mas que não se limitem a simplesmente falar como foi o dia da pessoa e sim que partam de historietas pessoais para tratar de temas comuns a todos nós, mais ou menos como fazemos todos nós aqui no IB. Entendo que esse processo de se auto-narrar é uma delicada relação de troca. É como se seus leitores dissessem: "Ok, eu entro na sua página, mas compartilhe comigo um segredo; prometo não contar para ninguém".
Falou o fã número 1 do pernil do Pitanga.
E q historia é essa de ter se machucado no circo?
Eu e mamãe estamos loucas atras de vc para saber como estas menina!!
Dê sinal de vida!
Acho que você só não conhece o Pasquale, mas te levo lá quando vier para cá de novo. Quanto ao circo, ter um hematoma por semana faz parte da minha iniciação às artes circenses. Relaxa que já estou melhorzinha.
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