Cão-guia por um dia
Meu primeiro trabalho como cão-guia aconteceu cinco dias atrás. Tarefa: levar dois amigos cegos à Fnac da Paulista, tomar uma cervejinha e deixá-los no metrô. Como não tenho pedigree, minha memória malemá dá para dez endereços – coisa que um cachorro devidamente certificado armazena em minutos. Comparada a um labrador, minha única vantagem é que não tenho tremedeiras quando vejo um poste na frente. Ah, e também não corro atrás do meu rabo.
Achei que a Fnac da Paulista era uma boa por ser perto do metrô. Cinco minutos de caminhada pela calçada me fizeram mudar rapidinho de idéia. Para ser um bom cão-guia é preciso desviar de buracos, gente em pé, pontos de ônibus, gente sentada, bancas de jornal, gente andando, cadeiras na calçada, gente com bebê, passeando com cachorro, desviando de buracos, esperando ônibus, lendo jornal, comendo. Não estão brincando quando dizem que circulam duas milhões de pessoas por dia na mais paulista das avenidas.
No café da livraria, pedi o cardápio preparada para ler item por item. A garçonete saiu e voltou com uma lista telefônica. Era o cardápio em braille. Minha amiga precisou de poucos minutos de imersão naquelas páginas em branco cheias de pelotinhos para escolher o que queria. Olhei ao redor e um paredão de garçonetes curiosas nos observava. A noite prometia.
A caminho do metrô, vi uma loja com um painel iluminado. Era um azul muito intenso. Lembrei que meu amigo enxerga luz e manobrei o casal para o outro lado da rua. “Isso é azul!” Ele colocou as mãos na frente dos olhos. “É lindo, da cor do céu.” Eu estava emocionada de mostrar o que é uma cor para um cego. Ele virou o rosto, incomodado. “Ele é fotofóbico”, explicou minha amiga.
Deixei os dois no metrô. Nada de Biscrok para a Carol.

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rsrsrs...
Bléééé, prefiro Biscrok sabor Delícias da Granja...
Opa, Biscrok com cervejinha não é nada mal, hein?
Éca, esse é aquele que tem cheiro de carne, não é? Cachorro sofre...
p.s. A Mais paulista das avenidas, de acordo com fontes noticiosas respeitáveis, foi palco de uma sena estranha que os mais variados técnicos e cientistas tentam explicar até agora. Fala-se que a seis dias atrás, no cair da tarde, uma estrela sem paralelos conhecidos brilhou na avenida, deixando estarrecidos e perplexos de facinação todos os que por lá estavam..
Beijos!
Marlon
Deve ser a tal da luz azul, hahahaha. Prometo que me comporto melhor no próximo passeio...
O q vale é a intenção e o seu coração está cheio de intenções boas!!!
Mas acho q vc se sairia melhor como uma gata - guia.. mto mais agil, observadora e arisca para pessoas!
Só naum pode ser do estilo do Oto, senão vai ser uma tragédia!
Rsrsr
Putz, se o Oto fosse um gato-guia, o cego teria que ficar em casa o dia inteiro... Na cozinha, de preferência, hehe.
Mereço um Biscrok?
Aí, fiz uma pesquisa no google pra saber mais algumas coisas e dei de cara com seu blog!
Engraçado como o diferente chama a atenção, né?
Ah, bota o link do post pra gente, vai, Marília!
Aí está: http://maroma.wordpress.com/2008/05/15/quando-um-cao-guia-para-uma-calcada/
Oba!
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