Como entender um autista em 288 páginas
Assim que vê o poodle da vizinha morto com um forcado, Christopher John Francis Boone fica triste. Ele gosta de cachorros e saía sangue por todos os furos do animal.
“Eu me estendi de bruços na grama, outra vez, pressionei minha testa no chão novamente e fiz o barulho que o Pai chama de gemido. Eu faço este barulho quando tem muita informação entrando na minha cabeça vindo do mundo de fora. É como quando você está aborrecido e aperta o rádio no ouvido e sintoniza entre duas estações, assim tudo que sai é um chiado, que nem um barulho vazio, e então você aumenta o volume, aumenta muito, para só ficar ouvindo o chiado e então você sabe que está seguro porque não pode ouvir mais coisa nenhuma.
O policial segurou meu braço e me pôs de pé.
Eu não gostei dele, me pegando daquele jeito.
E foi aí que bati nele.”
Christopher é um garoto de 15 anos, 3 meses e 2 dias que sabe todos os países do mundo e suas capitais e todos os números primos até 7.507, mas não entende metáforas ou piadas. Ele também é um jovem que sofre da síndrome de Asperger, uma forma séria de autismo. Quando Christopher encontra cinco carros vermelhos, um em seguida do outro, significa que vai ser um Dia Superbom, mas naquela manhã em que o cachorro foi morto, ele tinha visto quatro carros amarelos em seqüência. Significava que ele teria um Dia Ruim.
É assim que começa o premiado O Estranho Caso do Cachorro Morto, de Mark Haddon. Há dois motivos pelos quais o livro foi aclamado pela crítica. O primeiro é que o autor escolheu o próprio garoto autista para contar como investigou e descobriu quem matou o cachorro da senhora Shears. A narração proporciona ao leitor a impressionante experiência de se ver imerso no mundo particular de um autista. E porque estamos dentro da mente de Christopher, podemos compreender como um sorriso ou um toque desencadeiam raciocínios surpreendentes. O segundo motivo para o sucesso do livro é que a história foi toda inventada e isso significa que Mark Haddon vai ter um Dia Superbom por muitos anos. Agora, ele pode fazer qualquer coisa. Como Christopher.

O Estranho Caso do Cachorro Morto
Mark Haddon
Record, 288 págs.
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Fiquei instigada pra essa leitura.
É um ótimo livro.
gostei!
sempre achei que autistas e pessoas portadoras de sindrome de down não possuem qualquer 'alteração'fora do padrão, na verdade tem sim uma sensibilidade maior que a maioria 'normal' - se é que é possível usar uma palavra destas.
as crianças são assim,sensitivas e é incrivel que quando a gente cresce deixa 'ela'ir embora com os padrões criados.
uma pena.
bjo!
Aproveite, então, essa rara oportunidade de enxergar o mundo pelos olhos deles.
Vc até já sabia q eu ia dizer isso né?
MARAVILHOSO esse livro... mega fofo!!!
Vale a pena ler.
Hehe, sabia, sim.
Oi, Geovanna, o livro é ótimo, mas não é leitura técnica. É uma excelente ficção: o autor de fato teve de estudar o comportamento dos autistas para tornar a narrativa tão crível. Tenho certeza de que você vai gostar.
Há também a autobiografia: Uma estranha menina da magnífica Phd Temple Grandim autista que nos conta sobre seu jeito diferente de ver o mundo.
Parabéns pela iniciativa de divulgação e obrigada, a família das pessoas com autismo agradece.
Cristina, já tinha ouvido falar sobre essa menina, dizem que ela é realmente genial. Recomendo um texto muito bom que saiu na revista Educação em setembro de 2004: conta a história de um autista indiano que tem senso de humor, coisa raríssima nessas crianças. Além de ser um crânio, o garoto é divertido!
Todas as crianças necessitam de carinho e amor, André Luiz.
o de 3 é autista. Descobrimos a uns 7 meses...foi muito estranho e ao mesmo tempo,percebi que algo havia mudado
nossa família se aproximou mais,estamos muito felizes e AMAMOS muito esse presente que nos uniu!!!
ELE É UM MENINO MUITO FELIZ...!!!
O livro talvez ajude você e sua família a entender um pouco mais da mente de um autista, Márcia.
Tanea, veja bem, eu não manjo nada de autismo... Só fiz a resenha do livro.
Oi, Crislane, não concordo com você, mas aqui todos têm espaço para dizer o que pensam. Viva a diversidade!
Nóis é um só aqui, Miriam, mas a Carol e o Costa agradecem sua visita!
Oi, Arlene, obrigada!
Mery, sou jornalista, só escrevi sobre o livro. Mas você pode obter mais informações sobre ele no site da editora, basta clicar aqui. Boa sorte!
Eu tenho um filho autista de 26 anos e as reações são muito parecidas. Também escrevi um livro UM AUTISTA MUITO ESPECIAL. As pessoas que estão lendo estão gostando, porque fala de coisas difíceis (se não, não seria uatismo) mas dá várias dicas sobre como lidar com este jeito tão especial.
www.editoramediacao.com.br
bj
Deusina
Que bacana, Deusina! Fico feliz em saber que há mais gente escrevendo sobre esse assunto.
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