Os 5 melhores beijos que eu NÃO dei
Respondendo ao Donizetti:
2001 – Olhos verdes sobre rostos pálidos e cabelos negros. Que combinação! Me sentia qual bêbada vendo dobrado aqueles dois lindos irmãos israelenses, sem me decidir qual era o mais enigmático, o mais interessante. Falavam de um país diferente, onde era possível andar nas ruas, ir a baladas e amar. Porque eu não entendia aquela língua, quis falar na única capaz de unir povos, terminar guerras santas e apaziguar as entranhas.
2000 – “Nossa, você é a maior gata, sabia?” Devo ser para-raio de bêbado, não é possível. Estava acompanhado de dois amigos, todos exalando cerveja e ferormônios. Todos jovens demais. “Por que você não tira esses óculos? Ia ficar ainda mais gata.” Ele balançava ligeiramente. Pensar em cantada ruim e segurar uma latinha de cerveja, bêbado daquele jeito, é muito, muito difícil. Exige demais dos neurônios. Eu tirei os óculos, me aproximei e fiquei a menos de um palmo da cara do espertinho. “Porque se eu tirar os óculos, vou ter que falar com você a essa distância.” Ainda esperei alguns segundos até que os amigos, atrás dele, começassem a rir. Ele ficou atônito. Dei uma risadinha e fui cuidar da minha vida.
1999 – Já chegou passando o braço pela minha cintura e pegando minha mão direita, assim, sem nem me conhecer, sem nem pedir. Os olhos muito brancos contrastavam com sua pele morena, suada de tanto dançar. As pernas pareciam de mola e ele exigia muito mais do que eu era capaz de fazer, logo eu, dançarina iniciante. Encostou na parede, despreocupado, enquanto fazia meu corpo dar dois giros rápidos. Achei aquilo detestável. Ele riu, os dentes, brancos como os olhos. A música acabou. Ele me parou no meio do giro, tão perto da minha boca, tão longe das minhas mãos.

1997 – Lembro de ter achado ridículo aquele macacão de listras colado no corpo, aquela maquiagem branca, a lágrima teatralmente desenhada. Lá no alto, as luzes o iluminaram e pude vê-lo tenso, concentrado, o corpo pronto para a explosão. Ele atravessou a corda bamba como um cavalheiro, desequilibrou-se, se atirou no trapézio e, numa queda vertiginosa, caiu em cheio nos meus braços.
1990 – Com sua farda escura, o policial veio marchando em minha direção. Eu sabia que ele logo chegaria, talvez me segurasse pelos braços, com força, quem sabe me derrubasse de um só gesto. Eu, a menina sem lei, a ovelha desgarrada que o pastor trataria de encontrar e devolver ao rebanho. Ele apressou o passo. Continuei imóvel, o coração saindo pela boca, as pernas paralisadas. E o baque. Ainda estava caída no chão quando ele procurou meu rosto com sua língua rosada, arfando e abanando o rabo. “Pode vir, ele é mansinho.”
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abraço,
Lari e Jô
Oportunidades desperdiçadas? Eu chamaria isso de atentado ao pudor, mas, enfim...
Rsrsr
Ei, não espalha!








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