Meu dia de foca – III (A Sala do Prefeito)
Uma porta se abriu no fundo da sala e todos os homens de terno foram sugados por ela. Meu entrevistado ficou em pé, o repórter do jornal concorrente se levantou e eu saí da posição de índio sem colocar as mãos no chão. Achei que era uma boa maneira de mostrar que jornalistas podem ser bem flexíveis, mas não deve ter sido o que pensaram deputado e repórter, que me olharam como se eu fosse contagiosa.
Era uma sala enorme, com uma mesa oval ainda maior e várias cadeiras no entorno. Todos se sentaram e sobraram duas cadeiras: a da cabeceira e uma ao lado. O deputado vez sinal para a Patrícia, a adestradora de focas, sentar. Ela agradeceu e ficou em pé. Ele também permaneceu em pé. Percebi que algo importante estava se dando ali, algo misterioso e fugaz, algo que eu, aos 17 anos e no primeiro dia de trabalho, não era capaz de entender. Talvez estivesse no Manual de Redação. Ou, quem sabe, fosse uma etiqueta secreta que só jornalistas iniciados conhecessem. Ficamos os três em pé.
Um assessor trouxe uma cadeira extra e acabou com o suspense. Os dois sentaram. Sobrou a cadeira da cabeceira e eu me sentei. Cada feixe de músculos estava direcionado para prestar atenção ao que a Patrícia fazia, a como ela segurava o gravador, que tom de voz usava para fazer as perguntas, se balançava a cabeça ou não concordando com as respostas. Eu era uma observadora nata.
Entretida nisso, é claro que eu não percebi que alguém ficou em pé atrás de mim. É claro que não percebi que as pessoas se levantaram rapidamente e depois se sentaram. Também não reparei que passaram-se vinte minutos e alguém continuava em pé atrás de mim. Esse alguém era o Prefeito.
Aqui acaba meu primeiro dia de foca. Vieram outros depois, mas nada que se comparasse à quantidade de besteiras que eu consegui fazer numa única entrevista. Devia ganhar um Guinness por essa façanha. Hoje, pelo menos, sei equilibrar uma bola no nariz como ninguém.

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Vc é maravilhosa!!!
Rsrsr
Saudds do cê!
Bjks
Sentar de índio, sim, mas levantar sem usar as mãos está cada vez mais difícil...
muitos beijos.
Opa, demorô!
bjs,
Norma
Errar cada vez melhor, esse é meu lema.
beijos,
Ainda dá tempo de voltar atrás!
hahahahaha
Ótima sequência de foquices!
Vendo estes exemplos vejo que, se eu tivesse feito jornalismo (considerando que sou tão desajeitado quanto, ou mais que você
Pior é que não foram as únicas do meu vasto currículo marinho, Ozzy...








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