Série Manos - I

Costumava sair às vezes para fotografar cenas paulistanas. Era um modo de entender a cidade que me acolheu e me abriu uma porta quando tantas outras se fecharam. Foi numa dessas andanças que encontrei um grupo de sem-teto. Eram uns dez e moravam debaixo de um viaduto, na zona cerealista do Brás. Panos pendiam da estrutura de concreto, delimitando espaços na terra de ninguém. Os cães se encolhiam, na submissão dos rejeitados. Os homens jogavam cartas e brigavam e dormiam e deliravam. Quando cheguei, viraram manos.
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Acho que é defesa, sim, mas eles também fazem isso para chamar a atenção.
Nós duas.
Pegou o clima!








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