O gato-sumô
Mantenho um rigoroso controle de vagas felinas em casas de amigos. Mal alguém murmura um "adoraria ter um gatinho...", eu já saco um filhote órfão, vacinado e vermifugado. Foi assim que consegui um lar para o Caico. Quando chegou na casa da Suzana, sua nova dona, Caico agiu como qualquer filhote. Assim que foi colocado no chão, vasculhou cada centímetro quadrado com seu focinho investigador. Tentou afiar as unhas no sofá. Suzana interveio. Tentou afiar as unhas no carpete. Suzana franziu o cenho.
Já estava perambulando pelo apartamento há uns dez minutos quando, de repente, encontrou uma enorme pedra preta, quieta, num canto. Subiu na pedra. Era macia. Desceu, quase escorregando. Mordeu a pedra e brincou em cima dela um tempão. Até que a pedra se encheu. Qualquer outro felino teria mordido o fedelho, bufado, arranhado e mostrado quem é o gato residente aqui. Lucas não. Do alto de seus 8kgs – algo entre um saco de arroz e uma hélice de helicóptero –, ele simplesmente se limitou a deitar sobre o jovem gatinho. Pronto, o invasor estava neutralizado. Caico miou e esperneou até conseguir sair de cima da pedra que, subitamente, havia se convertido num enorme gato preto, um verdadeiro gato-sumô. Lucas nem ligou. Continuou deitado quieto, na santa paz dos gatos gordos. Sorte a dele que o peso de Lucas fosse inversamente proporcional a seu estado de espírito, este leve, levíssimo.
A partir de hoje, vou torcer para que no céu dos bichos existam muitos gatinhos filhotes para o Lucas amassar.

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Aposto como ele vai se fartar de comer catnip nas touceiras do céu.
Estava sumido, hein, sr. Omesmo?
Ainda há milhares de gatinhos órfãos nas ruas, que tal repensar?








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