Os mafiosos
Tem gente que divide o teto com amigos de faculdade. Há quem não ligue de viver com um estranho. Tem aqueles que ainda moram na barra da mãe e há quem tenha abandonado o ninho cedo. Eu divido cada centímetro de sofá e réstia de sol com Grafite, Oto, Lua e Quelé, meus quatro menores infratores.
Grafite morava num caixa eletrônico numa travessa da Paulista quando nos conhecemos. Tinha um cabeção desproporcional para o tamanho do corpo, fruto de seis meses de dieta à base de carne crua e lixo revirado. Estava tão imundo e mijado que achei que fosse completamente cinza – só depois de batizado e banhado é que percebi que ele era um gatinho branco e marrom. A sujeira foi, mas o nome ficou.
Oto é um senhor de onze anos, herança do querido Aloysio Biondi. Biondi foi um grande jornalista, mas não entendia nada de gato, era do tipo que escondia pedaços de frango à passarinho no bolso do paletó para levar para o Oto comer à noite. O gato cresceu achando que miar é uma coisa estranha e até hoje é o único exemplar da espécie felina que fica de barriga para cima e pede festinhas no umbigo. Para ser cachorro, falta só abanar o rabo. Oto não tem a menor idéia do que significa dignidade felina. Não bastasse tudo isso, ainda nasceu com má formação nos olhos, o que lhe dá um aspecto de estar sempre com sono e lhe rendeu o apelido de “japonesinho”, dado por uma antiga faxineira.
Lua e Quelé são irmãs da mesma ninhada, mas quem não entende de gatos nunca acredita quando digo isso, porque uma é completamente branca e a outra, negra como noite sem lua. A questão é que ter quatro gatos não se parece em nada com viver com um animalzinho de estimação. Nem de longe. Isso é o que pensam as pessoas que têm UM gato. Ter quatro gatos é como adotar uma gangue de delinqüentes. Eles se vingam em sua bromélia preferida se você não der colo, derrubam suas contas no chão só de brincadeira e correm para se enfiar atrás da cortina, rabão para fora, como se estivessem muito escondidos.
Antes de eu comprar meu laptop, eles gostavam de deitar no monitor e deixar o rabo estrategicamente no meio da tela: eu tinha que digitar segurando a ponta. Em grupo, gatos aprendem rápido coisas como abrir portas ou rasgar correspondência. Têm um acurado senso estético, motivo pelo qual reduzem a cacos qualquer bibelô que destoe do ambiente. Miam quando estão com fome, miam quando querem colo e miam quando dá na telha, principalmente se for madrugada e eu precisar acordar cedo. Ainda assim, são as melhores companhias para dias chuvosos, tardes ensolaradas e noites frias, com seu calor ronronante e misterioso.

PS: Gata Lua confabula sobre a Vida, o Universo e Tudo o Mais
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Isso sim é que é nome de gato: Cinderela, a Gata Borralheira!
Saudades dos dois!
Xá cumigo!
Logo se vê que você não leu o post "Pimenta nelas", hein? Já tive trin-ta-e-qua-tro gatos!
Entendo bem o que vc quer dizer.
Minha namorada tem duas gatas, e uma delas, por estes dias, tem manifestado uma certa preferência por atenção na parte da madrugada.
E ainda dá crise, se a Lu chama pela outra.
Agora, se vc está sentado lendo um livro ou xerox, rapidinho uma delas vem passear por cima do texto, pisando nele e olhando pro outro lado, tipo "Parei aqui, mas isso não tem nada a ver contigo".
Kyra e Tess, eis os nomes.
A Kyra tem o costume de deitar no monitor, mas com a carinha te olhando.
A Tess tá sempre escondida em algum canto, só aparece quando vc começa a ler.
A primeira, muito dada. Chegou gente, ela tá perto(é a que está em crise ultimamente).
A Tess precisa de alguns dias pra chegar perto de você.
Mas, sinceramente, sinto saudades do charme delas quando fico a semana toda sem ir lá.
=]
Pior que é bem assim, mesmo, Ozzy. E rabo de gato, eu descobri, foi feito para ser colocado em cima do livro, jornal ou tela que você está lendo.
Deve ser um barato!
Ah, eles são terríveis! A cada dia aprontam uma sacanagem diferente. Dia desses, descobriram um vaso de romã na área de serviço, em tratamento contra pulgões. Adivinha onde resolveram fazer xixi? Fiquei uma arara, mas não adiantou: a hera que estava plantada embaixo da romã acabou morrendo. Comprei mudas novas e replantei, mas, sabendo que o vaso seria revisitado, espetei vários palitos de churrasco na terra. Quero ver os danadinhos conseguirem cavar minha romã de novo!
sensacionaal!
simplismente, ADOREI seu blog!
meu casal de gatinhos fazem algumas artimanhas iguais aos seus xD
e pra piorar a situação, meu gato, de 10 anos desde pequeno tem a péssima mania de roer as alças dos sacos plásticos e depois vomitá-las pela casa.. ¬¬
já ela, gosta mesmo é de cabelo, adoora ficar brincando com eles..
sobre o rabo em cima do monitor, antes de eu também comprar meu notebook, era exatamente a mesma coisa!Quando não fazem isso no meio daquele último capítulo da sua novela preferida em cima da televisão!
hsuashuahs..
Abraços..
Eita, até nisso os meus são iguais aos seus, Mariana... Vá entender essa dieta à base de plásticos, né?
Virginia
Bárbaras as dicas, Virginia! Fiquei curiosa para saber que raio de tecido anti-gato é esse. Aço?
bjs! Rosa
Os meus até que se dão, sim, Rosa, exceto pelo caso Quelé, que ainda me dói no coração. Mas toda vez que fico com saudades da minha pretinha, ligo pro meu amigo que está com ela e fico sabendo das façanhas: ela agora caça passarinho, dorme esticada no sol, até pede carinho para gente desconhecida. É outra gata. Nada como ser o único pet da casa.
Vou mandar o link pra duas amigas completamente apaixonadas por gatos, uma delas, a Andreia, tem dois: Cão (literalmente, já que vive como tal... é super manhoso, adora carinho, quando vamos a casa dela, ele vai direto - sem pedir licença, pro colo do meu marido, e ali fica até irmos embora) e Gaya (uma fofa, sempre de bom humor, brincalhona apesar da idade, adora implicar com os passarinhos que amanhecem na janela, mas é mais arisca, gosta mesmo é de escalar as portas dos quartos e os armários da cozinha)
Já a Marga tem três, e são todos preguiçosos, vivem atiradões no sofá, e se não sentirem fome, tu nem nota que estão em casa... A mais famosa é a Pandora, com quase 10 quilos, fala sério... hahaha
Beijooooo
Hahahahahaha, um gato chamado Cão é genial! O Oto deve ser da mesma espécie, porque só falta latir.








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